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    Mãe que doou rim para filha com doença grave: "Não existe presente maior"

    Carolina desenvolveu doença crônica terminal no rim durante a gestação e sua mãe, Stela, era 99% compatível para o transplante

    Metrópoles
    14 de setembro de 2026 às 05:00
    Mãe que doou rim para filha com doença grave: "Não existe presente maior"
    Foto: Metrópoles

    O nascimento do primeiro filho, em junho de 2022, deveria marcar uma fase de descobertas e celebração para a publicitária Carolina Cordeiro, de 34 anos. No entanto, a maternidade veio acompanhada de um diagnóstico devastador: doença renal crônica em estágio terminal .

    Ainda durante a gestação, a publicitária desenvolveu glomerulonefrite — uma inflamação nos glomérulos, estruturas responsáveis por filtrar o sangue nos rins. O quadro, agravado pelo aumento do fluxo sanguíneo renal durante a gravidez, evoluiu rapidamente até a necessidade de hemodiálise .

    Após um pós-parto difícil e anos de tentativa de tratamento conservador, a rotina de Carolina passou a ser ditada por sessões exaustivas que consumiam entre quatro e cinco horas diárias. As limitações físicas forçaram seu afastamento do trabalho e comprometeram a dinâmica familiar.

    Mãe que doou rim para filha com doença grave: “Não existe presente maior”
    Mãe que doou rim para filha com doença grave: “Não existe presente maior” — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    “Meu filho não conheceu a mãe saudável até o transplante”, relata Carolina. “O diagnóstico impactou absolutamente tudo na minha vida. Tive que parar de trabalhar e me sentia inútil. Com relação ao meu filho, muitas vezes não conseguia dar a atenção devida a ele, e isso me pesava muito emocionalmente. Eu vivia em função do tratamento ”, lembra. Leia também Saúde Homem vive 271 dias com rim de porco antes de receber transplante humano Saúde Com doença renal policística, mulher perde os rins e depende de hemodiálise Saúde Remédios para pressão podem elevar em 33% o risco renal em diabéticos Saúde Alimentação vegetal ajuda a prevenir doença renal, mostra pesquisa Rede de apoio e a decisão pela doação de rim Em meio às incertezas do tratamento, a publicitária descobriu que não estava sozinha. Familiares e amigos se mobilizaram prontamente para tentar a doação . “Me senti extremamente amada e querida. Tive disputa para ver quem doaria e me sinto privilegiada por ter tantas pessoas querendo meu bem, independente do processo que passariam”, conta Carolina.

    Diante do entusiasmo da rede de apoio, a advogada e professora de Direito Stela Maria Cabral, mãe de Carolina, se manteve firme na decisão de doar . Para Stela, a escolha foi imediata e guiada pela convicção materna.

    “Ver minha filha, recém-mãe, presa a uma máquina para conseguir sobreviver foi uma das dores mais profundas que já senti. Quando a porta da doação se abriu, não pensei duas vezes. Receio, sinceramente, eu não tive. Eu estava certa de que tudo daria certo”, afirma. A confirmação veio após rigorosos exames médicos e trâmites burocráticos. “Quando saiu o resultado dos exames de compatibilidade, veio a confirmação que coroou essa certeza. Eu era 99% compatível com minha filha. Foi como se o próprio corpo confirmasse o que o coração já sabia “, destaca a doadora.

    Paciente saindo do hospital após receber transplante robótico de rim
    Paciente saindo do hospital após receber transplante robótico de rim — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    O transplante renal foi realizado no dia 23 de julho, no Hospital Brasília, com o auxílio da cirurgia robótica . A tecnologia proporcionou um procedimento de alta precisão e com menor impacto invasivo para a receptora.

    Segundo o nefrologista Pedro Mendes Filho, a tecnologia robótica agrega benefícios significativos em casos de doação viva . “Você ganha primeiro na questão da precisão: ele filtra qualquer erro humano, o que faz a cirurgia ter menor possibilidade de complicações por falha técnica. E além disso, temos uma incisão menor, o que melhora a recuperação pós-operatória, exige menos tempo na UTI, permite sair do leito mais rápido, gera menos dor e, normalmente, reduz o tempo para alta”, explica o médico.

    O especialista detalha que as glomerulonefrites são doenças normalmente autoimunes, quando o próprio organismo ataca a si próprio. Elas vão destruindo o rim ao longo do tempo e, durante a gestação, como o fluxo de sangue no rim é mais elevado, algumas delas se exacerbam, acelerando o processo e antecipando o prazo para a diálise.

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    Para Carolina, os resultados da intervenção robótica superaram as expectativas pós-cirúrgicas . “ O desejo do meu coração é que todos que fizessem transplante tivessem a oportunidade que eu tive, de ter acesso à cirurgia robótica . Sem dúvidas foi uma das melhores escolhas da minha vida! Me recuperei muito melhor do que do parto do meu filho”, pontua a publicitária.

    Cerca de 30 dias após o procedimento, Carolina já estava em casa, cozinhando e cuidando do filho. “Hoje, tenho mais disposição, mais energia, não me canso facilmente como antes. É realmente ter a vida de volta”, afirma.

    A mãe, Stela, também apresentou rápida reabilitação , retornando aos compromissos profissionais em duas semanas. Apenas 15 dias após a cirurgia, ela já estava de volta à sala de aula.

    “Minha saúde está ótima. Doe. É um gesto que traz a vida de volta para o outro. Não existe presente maior do que devolver a vida a quem a gente ama”, aconselha Stela. Com a melhora nos exames laboratoriais e a retomada da autonomia, Carolina organiza os próximos passos ao lado da família e do filho. “A primeira coisa que quero, assim que for liberada, é viajar. Quero viver momentos com meu filho que até hoje não pude viver, retomar minha vida profissional e os planos com meu esposo. Enfim, viver”, afirma.

    A história ganha ainda mais sentido no Setembro Verde , mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos no país. Além de evidenciar a importância da doação inter vivos, o caso exemplifica como o avanço tecnológico em transplantes renais oferece mais segurança aos procedimentos e contribui para aliviar as listas de espera.

    Como resume o médico Mendes Filho: “A grande vantagem do doador vivo é que você não depende do sistema de alocação. Conseguir aumentar a quantidade de doações vivas ajuda a liberar a fila para as pessoas que não têm ninguém apto ou compatível para doar. Quanto mais avanço tecnológico a gente vai tendo, mais encoraja as pessoas a fazerem o transplante por doador vivo, deixando o doador com mais segurança”, comenta.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/saude/mae-que-doou-rim-para-filha-com-doenca-grave-nao-existe-presente-maior.

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