Mackenzie proíbe atos políticos após convocação de assembleia estudantil pró-Lula
Reitoria cita preocupação com a segurança e falta de autorização prévia para encontro no campus

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A Universidade Presbiteriana Mackenzie , uma das mais tradicionais de São Paulo , proibiu manifestações partidárias em seu campus de Higienópolis, na região central da capital.

Em comunicado divulgado na terça-feira (6), a instituição afirmou ter tomado conhecimento, pelas redes sociais, de eventos político-partidários convocados para o campus sem autorização prévia. Um deles era um encontro de apoio a Lula , candidato à reeleição pelo PT , marcado para esta quarta-feira (7) nas proximidades da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo pelo coletivo Mackenzie com Lula.
Segundo a universidade, diversas pessoas manifestaram preocupação com a assembleia. O comunicado diz que, diante disso, a reitoria observou a "necessidade de zelar pela segurança e bem-estar de todos" e decidiu pela "não autorização de qualquer manifestação partidária nas dependências do campus".
O documento é assinado pelo reitor Marco Tullio de Castro Vasconcelos. A Folha procurou o Mackenzie por email na manhã desta quarta-feira para perguntar os motivos da decisão e se o veto não violaria a liberdade de manifestação e organização dos estudantes. Não houve resposta até a publicação deste texto.

A Constituição protege o direito de expressar posições políticas e de se reunir. Em 2020, o STF (Supremo Tribunal Federal) declarou nulas decisões da Justiça Eleitoral que haviam impedido manifestações sobre candidatos em universidades , inclusive privadas.
A situação do Mackenzie tem uma diferença: a universidade pode estabelecer regras de horário, local e segurança para atividades no campus. Segundo especialistas consultados pela reportagem, a questão é se as preocupações mencionadas no comunicado justificam a proibição de toda manifestação partidária, inclusive de uma assembleia de estudantes convocada de forma pacífica.
Encontros de apoio a Lula também estão previstos em outras universidades públicas e privadas do país. Há assembleias convocadas em instituições federais da Bahia, do Paraná e de Alagoas. Alunos da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e da USP (Universidade de São Paulo) planejam reuniões para os próximos dias.

Como a Folha mostrou, a rede federal de ensino teme uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) . O programa de governo registrado pelo candidato prevê transferir a governança do ensino superior do MEC para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação .
O documento também diz que Capes e CNPq, órgãos de financiamento à pesquisa, deverão priorizar a inovação, a transferência de tecnologia e a aplicação produtiva dos estudos. Não estabelece, porém, metas de orçamento ou de expansão para as universidades federais.
Reitores, alunos e pesquisadores ouvidos pela reportagem dizem temer que o ensino superior federal perca espaço para outras áreas. Eles pediram anonimato por receio de ataques ou boicotes em um eventual governo do PL .

Parte desse receio se apoia no histórico do governo Jair Bolsonaro . Segundo levantamento do centro Sou_Ciência, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), os repasses totais às universidades federais caíram ano a ano entre 2019 e 2022 . No último ano do mandato, somaram R$ 53,2 bilhões, em valores corrigidos pela inflação —o menor montante desde 2013. A verba de assistência estudantil caiu cerca de 23% no mesmo período, de acordo com o estudo.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2026/10/mackenzie-proibe-atos-politicos-apos-convocacao-de-assembleia-estudantil-pro-lula.shtml.

Campus da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo - Keiny Andrade - 23.mar.23/Folhapress · Keiny Andrade - 23.mar.23/Folhapress — Foto: UOL
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