Luto: como lidar com o momento e o que evitar dizer a quem perdeu um pet
No luto, evite dizer "era só um bicho" ou "compre outro". Para crianças, use o ciclo das plantas e nunca minta que o pet fugiu ou dormiu

Voltar para uma casa silenciosa após a morte de um pet marca o início de um luto profundo que, na maioria das vezes, é negligenciado por amigos e familiares. A psicóloga Mariana Ramos explica que a sociedade ainda minimiza esse sofrimento com frases como “era só um cachorro “. Sem a empatia de quem está de fora, o tutor enfrenta uma dor dupla: a saudade diária do animal e a sensação de que não tem o direito de chorar.
A intensidade da tristeza varia diretamente conforme a força da relação e o papel afetivo que o companheiro desempenhava no cotidiano familiar.
A dor de perder um pet pode ser tão profunda quanto o luto pela morte de um membro humano da família. Um dos sentimentos mais devastadores na perda de um animal é a culpa, especialmente se a família precisou optar pela eutanásia. O cérebro humano tenta reconstruir o passado com informações do presente, o que gera dúvidas cruéis sobre os tratamentos escolhidos ou sobre uma possível falta de atenção aos sintomas.

Para amenizar essa cobrança no luto, a terapia auxilia o paciente a separar a responsabilidade real daquilo que era possível controlar na época. A especialista pontua que a intenção por trás de uma decisão extrema nunca é abandonar o companheiro, mas sim interromper um sofrimento inevitável.
“Ressignificar não significa convencer a pessoa de que não aconteceu nada. Significa ajudá-la a construir uma narrativa mais justa sobre aquilo que aconteceu”, esclarece a psicóloga.
A partida do animal modifica completamente a rotina do dia a dia, desde o horário de colocar a ração no pote até a recepção na porta de casa. Para lidar com essa perda e reorganizar a rotina, não existe a obrigação psicológica de apagar os vestígios do bicho de uma vez, descartando pertences imediatamente.

O tutor pode inserir novas atividades gradualmente no horário que era dedicado ao passeio , como cuidar de uma planta ou fazer exercícios, guardando a caminha e os brinquedos apenas quando se sentir emocionalmente pronto.
“Uma pessoa pode aceitar intelectualmente que o cachorro morreu e, cinco minutos depois, ouvir um barulho e automaticamente pensar que ele entrou no quarto”, destaca a especialista.
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Quando a família conta com crianças pequenas, o uso de metáforas como “ele foi dormir” ou “fugiu” gera interpretações literais e ansiedade infantil. A forma mais segura de introduzir o luto é usar uma linguagem clara, aproveitando o ciclo de vida das plantas na natureza para mostrar que o corpo do bichinho parou de funcionar e não voltará.
Na fase adulta, rituais como guardar a coleira, plantar uma árvore ou montar um quadro de memórias são bastante recomendados para fechar o ciclo de maneira saudável, transformando a relação de presença física em lembrança contínua.

Sobre a adoção de um novo companheiro, não existe um prazo psicológico, e sim uma mudança de postura íntima do indivíduo. O momento ideal chega quando o tutor percebe que tem disponibilidade para amar outro bicho pela sua própria personalidade, sem tentar usá-lo como um substituto imediato para “estancar” a dor do luto anterior.




Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/colunas/e-o-bicho/luto-como-lidar-com-o-momento-e-o-que-evitar-dizer-a-quem-perdeu-um-pet.

Getty Images — Foto: Metrópoles
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