Política

    Lulinha reclamou de Kalil usar seu nome em negócio na Telebras

    PF apura que filho de Lula atuou como "agenciador oculto"; grupo também tinha interesses no Ministério da Saúde e na Dataprev

    Poder360
    20 de agosto de 2026 às 23:44
    Lulinha reclamou de Kalil usar seu nome em negócio na Telebras
    Foto: Poder360

    PF apura que filho de Lula atuou como “agenciador oculto”; grupo também tinha interesses no Ministério da Saúde e na Dataprev

    Mensagens trocadas pela lobista Roberta Luchsinger e por Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha , mostram que o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reclamou do uso de seu nome por Kalil Bittar , irmão de Fernando Bittar e sócio de Lulinha, para tentar fechar um negócio milionário com a Telebras (Telecomunicações Brasileiras).

    As informações são de Ricardo Chapola e Laryssa Borges, da Veja , e não especificam o teor dos negócios com a estatal. “Kalil vendendo vc e a grande influência dele para o presidente da Telebras [sic] . Quase fechando um negócio gigante” , escreveu Roberta a Lulinha. O filho do presidente perguntou se a lobista “desmentiu” a história.

    O inquérito mostra indícios de corrupção e tráfico de influência envolvendo autarquias federais e Lulinha (na foto)
    O inquérito mostra indícios de corrupção e tráfico de influência envolvendo autarquias federais e Lulinha (na foto) — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    Leia abaixo a conversa que consta no relatório da Polícia Federal. A imagem foi publicada pela revista Veja e teve a veracidade confirmada pelo Poder360 :

    O inquérito sigiloso da PF, no qual os diálogos estão inseridos, mostra indícios de corrupção e tráfico de influência envolvendo autarquias federais e o filho do presidente Lula. Para a corporação, Lulinha atuou como “agenciador oculto” de empresários com interesse em contratos milionários.

    Além da Telebras, o grupo também demonstrou interesse em outras áreas, como o Ministério da Saúde. Um dos eixos centrais do esquema era a regulamentação e a comercialização de medicamentos à base de canabidiol.

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    Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    Antônio Carlos Camilo Antunes , conhecido como Careca do INSS, articulava um negócio superior a R$ 1 bilhão junto ao Ministério da Saúde. Pretendia, 1º, destravar a regulamentação para a produção e a venda desses remédios e, em seguida, convencer o órgão a contratar uma empresa sua para fornecê-los.

    A Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social), autarquia responsável pelo processamento dos dados dos aposentados do INSS, também entrou no radar. Em 31 de julho, foi aberto o inquérito que investiga Lulinha por suspeita de usar sua influência para “abrir portas” na empresa.

    Uma das mensagens mostra Roberta e um empresário ligado ao Careca do INSS combinando pressionar Carlos Gabas, ex-ministro da Previdência no governo Dilma Rousseff (PT), a facilitar o acesso do grupo à autarquia. “Ta indo tudo ok na Dataprev ou preciso apertar Gabas? [sic] “ , escreveu a lobista.

    No inquérito de julho, a PF apura a ligação de Lulinha com Cleber Ribas de Oliveira , sócio da empresa de tecnologia 3Structure It . A PF suspeita que Ribas buscou contratos na Dataprev e em outros órgãos e que teria bancado ao menos uma viagem para o filho de Lula em troca de portas abertas no governo.

    Ao Poder360 , a defesa de Lulinha voltou a criticar o que considera como “vazamento criminoso” das investigações. Segundo o advogado Marco Aurélio Carvalho, há um objetivo de influenciar o processo eleitoral utilizando o filho do presidente, sem que haja provas que o incriminem.

    “Enquanto isso, Flávio Bolsonaro segue sem explicar a compra de uma mansão de R$ 6 milhões em área nobre de Brasília, é alvo de denúncias por rachadinha e lavagem de dinheiro, e tem investigações que apontam ligação com milícias do Rio”, afirmou Carvalho.

    Procuradas por este jornal digital, as defesas de Roberta Luchsinger e Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, não quiseram se manifestar.

    O Poder360 também tentou entrar em contato com a defesa de Kalil Bittar, mas não teve sucesso em encontrar telefones ou e-mails válidos para informar sobre o conteúdo desta reportagem. Este jornal digital seguirá tentando fazer contato e este texto será atualizado caso uma manifestação seja recebida.

    Ao Poder360 , Pollyana Soares, advogada de Cleber Ribas, CEO da 3Structure It, disse que os contratos “foram firmados com absoluta transparência” .

    “Os contratos celebrados entre a empresa da qual Cleber Ribas é CEO e órgãos do Governo Federal foram firmados com absoluta transparência, em estrita observância da legislação aplicável às contratações públicas e sem qualquer espécie de intermediação por terceiros. A 3Structure é empresa especializada em proteção de dados, representante de fabricantes globais líderes em seu segmento e detentora de certificações reconhecidas internacionalmente. Sua contratação pelo Poder Público decorreu exclusivamente de sua reconhecida capacidade técnica e da regular participação em procedimentos licitatórios, conduzidos em conformidade com as normas legais e regulamentares, tendo seus contratos sido, inclusive, objeto de auditorias realizadas pelo Tribunal de Contas da União”.

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-justica/lulinha-reclamou-de-kalil-usar-seu-nome-em-negocio-na-telebras/.

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    O inquérito mostra indícios de corrupção e tráfico de influência envolvendo autarquias federais e Lulinha (na foto) — Foto: Poder360

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