Lula vai ao TSE contra PL por desvio de R$ 134 milhões do fundo partidário
Coligação que apoia reeleição de Lula protocolou uma ação para o TSE investigar desvio do fundo partidário do PL por meio de Instituto

Os advogados da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediram por meio de uma ação cautelar na Justiça Eleitoral o bloqueio de R$ 134 milhões do fundo partidário do Partido Liberal (PL) , que estão investidos para as eleições de 2026, sob pena de multa de 100% do montante que, segundo a acusação, foi aplicado indevidamente na campanha.
A Coligação “Brasil Pronto Pra Mais”, composta pela Federação Brasil da Esperança – PT/PC do B/PV, PSB, PDT e Federação PSOL/REDE, protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma cautelar preparatória de Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) contra o PL e o Instituto Álvaro Valle de Estudos Políticos e Sociais (IAV) , fundação de formação política ligada à legenda.
Segundo a ação, um esquema sistemático de desvio de recursos do fundo partidário foi operado pelo PL e o IAV. Os advogados da coligação de Lula dizem que a conta bancária do Instituto serviu apenas como “passagem” para simular transferências obrigatórias, que eram revertidas, logo em seguida, para o caixa de campanha do partido.

A acusação afirma que mais de 90% dos recursos destinados à IAV foram revertidos para campanhas do PL. O suposto esquema teria desviado R$ 134 milhões, contrariando as regras eleitorais que obrigam as agremiações a destinar, ao menos, 20% da cota do fundo partidário às fundações para atividades de pesquisa, doutrinação e educação política.
Segundo a ação, o suposto esquema atingiu o ápice nas eleições municipais de 2024. Naquele ano, segundo os petistas, o PL movimentou sozinho R$ 84,4 milhões de recursos do fundo partidário em campanhas, enquanto todos os outros partidos aplicaram R$ 101,2 milhões.
Desse montante, R$ 11,4 milhões foram transferidos pelo IAV ao PL, especificamente, na janela crítica entre o 1º e o 2º turno das eleições municipais, de acordo com a denúncia. Os advogados ainda afirmam que no mesmo dia ou no dia seguinte a cada repasse da fundação, o PL pulverizou esses valores para campanhas de segundo turno, elegendo diversos candidatos.

Entre os exemplos estão o então candidato à prefeitura de Belo Horizonte (MG), Bruno Engler, que recebeu R$ 3 milhões; o deputado Carlos Jordy, que concorreu à prefeitura de Niterói (RJ) e recebeu R$ 2 milhões; a deputada Rosana Vale, que disputou a Prefeitura de Santos e, Capitão Alberto Neto, que foi candidato em Manaus (AM), e receberam R$ 1 milhão cada.
Os advogados dizem ainda que os desvios já foram apontados pela Assessoria de Exame de Contas Eleitorais e Partidárias (ASEPA) do TSE. A peça foi assinada por Angelo Ferraro, Miguel Filipi Pimentel Novaes, Michel Bertoni Soares, Luiz Eduardo Peccinin. Gean Carlos Ferreira de Moura Aguiar, Fernanda Valone Esteves, Isabela Dealis Ferreira e Priscila Conti Bartolomeu.
Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/colunas/ramiro-brites/lula-tse-pl-fundo-partidario.

Ricardo Stuckert — Foto: Metrópoles
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