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    Lula sanciona nova lei dos minerais críticos hoje; entenda o que muda

    Texto cria conselho com poder para barrar operações estratégicas e prevê incentivos ao processamento de minerais no país; pontos centrais ainda dependem de regulamentação

    CNN Brasil
    16 de setembro de 2026 às 09:00
    Lula sanciona nova lei dos minerais críticos hoje; entenda o que muda
    Foto: CNN Brasil

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sanciona nesta quarta-feira (16) a lei que cria a PNMCE (Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos), novo marco para um setor que ganhou importância econômica e geopolítica nos últimos anos.

    A cerimônia está prevista para 15h30, no Palácio do Planalto, com a participação de integrantes do governo e representantes do setor privado.

    Na prática, a nova lei altera de forma relevante o ambiente regulatório da mineração no Brasil.

    Fachada do Palácio do Planalto • Pedro França/Agência Senado · • Pedro França/Agência Senado
    Fachada do Palácio do Planalto • Pedro França/Agência Senado · • Pedro França/Agência Senado — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O texto combina incentivos fiscais e instrumentos de financiamento para estimular novos projetos e o processamento de minerais dentro do país com mecanismos que ampliam o poder do governo sobre ativos considerados estratégicos.

    Entre as principais mudanças estão a criação de um conselho com poder para barrar determinadas operações societárias, a possibilidade de estabelecer condicionantes para exportações, novos benefícios para projetos de beneficiamento e transformação mineral e a obrigação de investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

    Parte importante do impacto da nova política, no entanto, não estará definida no momento da sanção.

    PL dos minerais críticos e o custo da incerteza
    PL dos minerais críticos e o custo da incerteza — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A expectativa é que apenas uma pequena parcela da regulamentação seja publicada junto com a lei, incluindo a composição e criação do conselho. Critérios para determinar quais operações poderão ser barradas, o alcance das regras de exportação e os parâmetros para classificação dos projetos estratégicos deverão ser definidos posteriormente pelo Executivo.

    A PNMCE cria uma política nacional específica para minerais considerados críticos ou estratégicos.

    Minerais críticos são aqueles necessários a setores importantes da economia e cujo abastecimento possa estar sujeito a riscos, seja pela dependência externa, concentração da produção mundial, restrições comerciais ou questões geopolíticas.

    USA Rare Earth estuda avançar no refino de terras raras no Brasil
    USA Rare Earth estuda avançar no refino de terras raras no Brasil — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Nesse grupo podem entrar substâncias utilizadas na transição energética, em tecnologias avançadas, na defesa, na agricultura e em outras cadeias consideradas essenciais.

    Já a classificação de mineral estratégico leva em conta também fatores como a relevância econômica das reservas brasileiras, a geração de superávit comercial, a contribuição para o desenvolvimento tecnológico e regional e a redução de emissões.

    A lei não estabelece uma lista permanente desses minerais.

    Governo vai sancionar política dos minerais críticos na quarta-feira (16)
    Governo vai sancionar política dos minerais críticos na quarta-feira (16) — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Caberá ao governo definir quais substâncias serão enquadradas na política e revisar periodicamente essa relação, permitindo que novos minerais sejam incluídos ou retirados conforme mudanças econômicas, tecnológicas e geopolíticas.

    A principal mudança regulatória para as empresas é a criação do CIMCE (Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos), vinculado à Presidência da República.

    Além de participar da formulação da política mineral e da definição de projetos prioritários, o colegiado terá poder para homologar determinadas operações envolvendo empresas e ativos considerados estratégicos.

    PL dos minerais críticos e o custo da incerteza
    PL dos minerais críticos e o custo da incerteza — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A exigência de homologação significa, na prática, que o conselho poderá impedir uma operação que não receba seu aval.

    Poderão entrar nesse mecanismo negócios como mudanças de controle societário, inclusive indiretas, alienações ou cessões de direitos minerários e determinados contratos e parcerias internacionais relacionados a minerais críticos e estratégicos.

    A lei também permite atenção especial a operações envolvendo empresas estrangeiras quando houver impacto relevante sobre ativos considerados estratégicos para o país.

    USA Rare Earth estuda avançar no refino de terras raras no Brasil
    USA Rare Earth estuda avançar no refino de terras raras no Brasil — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O ponto que ainda precisa ser definido é quais operações efetivamente terão de passar pelo conselho.

    Durante a tramitação, representantes do setor defenderam que a própria lei estabelecesse critérios mais objetivos para essa triagem, mas boa parte dessa definição ficou para a regulamentação.

    Entre os parâmetros estudados pelo governo estão o valor da operação, a relevância do ativo e o risco de comprometimento do abastecimento nacional de determinado mineral.

    Governo vai sancionar política dos minerais críticos na quarta-feira (16)
    Governo vai sancionar política dos minerais críticos na quarta-feira (16) — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A intenção é criar uma espécie de filtro que deixe operações rotineiras fora do conselho e concentre a análise em mudanças de controle e negócios considerados relevantes do ponto de vista econômico, geopolítico ou de segurança de abastecimento.

    Sem essa dosimetria, a interpretação mais ampla do texto poderia levar uma quantidade muito grande de operações do setor para análise do colegiado, cenário que o próprio governo considera inviável.

    É justamente a definição desse limite que hoje concentra parte importante da apreensão das empresas. O governo terá prazo máximo de 90 dias, contados da publicação da lei, para instalar formalmente o CIMCE e regulamentar sua estrutura.

    A composição do CIMCE deverá ser um dos primeiros pontos definidos pelo governo.

    A lei permite a participação de até 15 representantes de órgãos do Executivo federal e prevê também integrantes indicados pelos Estados e Distrito Federal, municípios, setor privado e instituições de ensino superior com conhecimento sobre mineração.

    Com esse desenho, o governo federal terá maioria no colegiado.

    As decisões deverão ser fundamentadas e publicadas, com identificação dos votos, e a lei prevê separação entre as instâncias responsáveis pela formulação da política e aquelas encarregadas de analisar operações específicas.

    A política também cria instrumentos para o governo interferir na forma como minerais críticos e estratégicos são exportados.

    A lei autoriza a adoção de parâmetros técnicos e compromissos de agregação de valor relacionados às vendas ao exterior, além de critérios de preferência para projetos que mantenham mais etapas da cadeia produtiva no Brasil.

    A intenção do governo é utilizar a vantagem geológica brasileira para estimular investimentos não apenas na mineração, mas também no beneficiamento, separação, refino e transformação desses materiais.

    Isso não significa que a nova lei proíba automaticamente a exportação de minério ou estabeleça um grau mínimo de processamento para todos os projetos.

    Esses critérios ainda terão de ser definidos.

    Entre as discussões que devem aparecer na regulamentação estão a possibilidade de diferenciar produtos conforme o grau de processamento, estabelecer requisitos técnicos específicos para determinados minerais e exigir compromissos de implantação de etapas industriais no país.

    Empresas também alertam que contratos de venda de longo prazo e acordos de offtake são usados frequentemente para financiar novos projetos minerais e não deveriam ser tratados automaticamente como perda de controle sobre ativos estratégicos.

    O governo, por outro lado, avalia que a política precisa criar instrumentos para impedir que o país continue concentrado apenas nas etapas iniciais da cadeia.

    A lei também amplia as informações que poderão ser exigidas nas exportações.

    O governo poderá solicitar dados sobre volume vendido, país de destino, beneficiário final, estrutura societária das partes envolvidas, composição do produto, grau de processamento e utilização econômica do material.

    A medida busca ampliar a capacidade do Estado de acompanhar o destino dos minerais brasileiros e identificar operações consideradas relevantes para a segurança econômica ou geopolítica do país.

    A forma de envio dessas informações, os limites das obrigações e os mecanismos de fiscalização ainda precisarão ser detalhados.

    O outro eixo da política é formado por incentivos para tentar levar uma parcela maior da cadeia de minerais críticos para dentro do Brasil.

    A lei cria o PFMCE (Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos), que prevê até R$ 5 bilhões em créditos fiscais entre 2030 e 2034, com limite de R$ 1 bilhão por ano.

    As empresas poderão receber créditos equivalentes a até 20% de determinados gastos realizados com beneficiamento, transformação mineral e mineração urbana.

    A lógica é reduzir o custo de projetos que avancem além da simples extração e instalem no Brasil etapas de processamento com maior valor agregado.

    O acesso ao benefício poderá exigir contrapartidas.

    Entre elas estão compromissos de investimento, utilização de bens e serviços produzidos no país e disponibilização de parte da produção para o mercado interno.

    A seleção dos projetos deverá ocorrer por procedimento concorrencial.

    A política cria ainda o FGAM (Fundo Garantidor da Atividade Mineral).

    A União poderá aportar até R$ 2 bilhões no fundo, que terá como objetivo reduzir riscos de financiamento e oferecer garantias a projetos minerais.

    A falta de crédito para empreendimentos ainda em fase de pesquisa ou desenvolvimento é apontada pelo setor como uma das principais dificuldades para o avanço de novos projetos no país, especialmente entre empresas de menor porte.

    O FGAM poderá atuar em conjunto com bancos públicos e privados, organismos multilaterais, fundos soberanos e outras instituições financeiras.

    Somados, o crédito fiscal previsto no PFMCE e a autorização de aporte no fundo representam até R$ 7 bilhões nesses dois instrumentos.

    A lei também amplia o acesso do setor mineral a instrumentos já utilizados em projetos de infraestrutura.

    Empreendimentos considerados prioritários poderão emitir debêntures incentivadas ligadas a atividades de beneficiamento, transformação e mineração urbana.

    Projetos de pesquisa mineral, desenvolvimento de minas e lavra também poderão ser enquadrados quando estiverem associados a um empreendimento de beneficiamento ou transformação elegível.

    A política também inclui projetos de minerais críticos e estratégicos entre as atividades que poderão acessar o Reidi (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura), que suspende a cobrança de determinados tributos durante a implantação de projetos.

    Ao mesmo tempo em que cria incentivos, a lei estabelece novas obrigações para as mineradoras.

    Durante os seis primeiros anos após a regulamentação, empresas que atuem com pesquisa, lavra, beneficiamento ou transformação de minerais críticos e estratégicos deverão destinar ao menos 0,3% da receita operacional bruta relacionada a essas atividades para pesquisa, desenvolvimento e inovação.

    Outros 0,2% deverão ser destinados à integralização de cotas do FGAM.

    Depois desse período, a obrigação destinada a pesquisa, desenvolvimento e inovação sobe para 0,5%.

    O dispositivo busca criar uma fonte permanente de financiamento tecnológico para o setor mineral, mas também representa um novo custo obrigatório para as empresas.

    As regras de aplicação dos recursos, fiscalização e eventuais sanções ainda precisarão ser detalhadas pelo governo.

    A legislação determina ainda que projetos considerados prioritários dentro da política recebam tratamento diferenciado na administração pública.

    MME (Ministério de Minas e Energia), ANM (Agência Nacional de Mineração) e outros órgãos deverão priorizar a análise desses empreendimentos.

    A lei também prevê prioridade no licenciamento ambiental, sem eliminar as exigências legais existentes.

    Será criado ainda um cadastro nacional de projetos de minerais críticos e estratégicos, que servirá como uma das bases para acompanhamento da política e seleção de empreendimentos prioritários.

    A sanção desta quarta-feira cria a estrutura jurídica da nova política, mas não encerra o desenho do novo marco.

    Alguns dos pontos com maior impacto sobre as empresas permanecem em aberto.

    O governo ainda terá de definir os critérios usados para decidir quais operações serão submetidas ao CIMCE, o tamanho ou relevância necessários para que um negócio seja considerado estratégico e em quais situações o conselho poderá negar sua homologação.

    Também faltam as regras que determinarão como poderão ser aplicadas condicionantes às exportações, qual grau de processamento poderá ser exigido para diferentes minerais e como serão tratadas cadeias que ainda não possuem capacidade industrial instalada no Brasil.

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/infra/lula-sanciona-nova-lei-dos-minerais-criticos-hoje-entenda-o-que-muda/.

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