Brasil

    Lula quer Trump como aliado improvável na briga com Rubio, diz jornal

    Para o Financial Times, o Brasil aposta na relação direta entre os chefes de Estado para tentar contornar a pressão diplomática e econômica

    Metrópoles
    22 de agosto de 2026 às 13:34
    Lula quer Trump como aliado improvável na briga com Rubio, diz jornal
    Foto: Metrópoles

    A disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio , atingiu tal nível de tensão que levou o líder brasileiro a buscar interlocução diretamente com um “aliado improvável”: o presidente Donald Trump.

    A relação entre o petista e o líder maior dos republicanos é destaque de reportagem do jornal norte-americano Financial Times publicada neste sábado (22/8), um dia após uma conversa, por telefone, entre os dois presidentes . Segundo o jornal, a estratégia do governo brasileiro aposta na relação direta entre os chefes de Estado para tentar contornar a pressão diplomática exercida por Washington sobre o Brasil, alvo de tarifaço dos EUA de 37,5% .

    Em meio ao cenário de preparação para as eleições no Brasil, Lula e Rubio têm trocado declarações duras. O diplomata norte-americano acusou o presidente brasileiro de colocar o próprio ego acima dos interesses do país , enquanto Lula rebateu chamando Rubio de “ latino-americano frustrado “.

    Reprodução/ Ricardo Stuckert/ PR
    Reprodução/ Ricardo Stuckert/ PR — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    “Para mitigar os desgastes e o impasse institucional, o presidente brasileiro buscou contato direto com Trump. Em conversa telefônica mantida entre ambos, os líderes classificaram o diálogo como cordial e focaram no fortalecimento dos laços comerciais entre as duas nações”, ressalta o jornal.

    Enquanto setores em Washington interpretam a postura de Lula como uma estratégia para mobilizar o eleitorado contra a interferência externa, o governo brasileiro sustenta que o Departamento de Estado norte-americano passou a atuar com viés abertamente ideológico na América Latina. A diplomacia brasileira aponta a existência de uma articulação direta entre grupos da oposição no Brasil e setores do governo dos EUA. O alinhamento ficaria evidente em tentativas de ingerência no debate político e eleitoral do país, com o intuito de beneficiar a a cndidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presideência.

    Diante desse cenário, ainda de acordo com o Financial Times. Brasília passou a enxergar a figura de Trump como um canal de interlocução mais pragmático em comparação à ala ideológica do Departamento de Estado. O próprio Lula ressaltou em declarações recentes que prefere tratar das pautas bilaterais diretamente com o presidente norte-americano.

    Lula quer Trump como aliado improvável na briga com Rubio, diz jornal
    Lula quer Trump como aliado improvável na briga com Rubio, diz jornal — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    As fricções entre os dois países vêm se acumulando devido a controvérsias comerciais e diplomáticas, como a imposição prévia de tarifas sobre produtos brasileiros e episódios de restrição de vistos a autoridades e funcionários norte-americanos.

    Quando os EUA impuseram uma nova rodada de tarifas de 25% sobre o país em julho, Rubio divulgou um comunicado afirmando que as políticas de Lula “são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros”.

    No mês passado, a entrada de outros dois funcionários do Departamento de Estado foi negada depois que o Brasil alegou que eles pretendiam lançar dúvidas sobre a integridade do sistema de votação eletrônica — ecoando alegações infundadas difundidas pelos Bolsonaro.

    “Isso coincide com as declarações dos irmãos [Bolsonaro], sugerindo uma coordenação para disseminar desinformação”, disse uma autoridade brasileira. “Apesar da escalada do tom diplomático, o posicionamento oficial emitido pelo Departamento de Estado afirma que os EUA respeitarão o resultado soberano das urnas brasileiras e manterão a cooperação contínua com qualquer administração eleita pelo povo”, reporta o Financial Times.

    Analistas de política externa apontam que a mudança no fluxo do comércio internacional — no qual o Brasil ampliou significativamente suas trocas com a China — redefiniu o peso da influência de Washington sobre Brasília, sem, contudo, anular a relevância estratégica da relação entre as duas potências.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/mundo/lula-quer-trump-como-aliado-improvavel-na-briga-com-rubio-diz-jornal.

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