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    Lula prova do próprio veneno no incentivo ao antagonismo político

    Ganhar a eleição já no primeiro turno é a meta de todos os candidatos. Sonho quase impossível, considerando que, das últimas nove disputas presidenciais, só duas foram decididas na etapa inicial. Leia mais (09/22/2026 - 11h01)

    Folha de S.Paulo
    22 de setembro de 2026 às 14:01
    Lula prova do próprio veneno no incentivo ao antagonismo político
    Homem idoso de cabelos brancos e barba grisalha veste paletó escuro e gravata, ajustando um pequeno objeto vermelho no bolso do paletó. Ao fundo, bandeira com brasão colorido, sugerindo ambiente oficial. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Ganhar a eleição já no primeiro turno é a meta de todos os candidatos. Sonho quase impossível, considerando que, das últimas nove disputas presidenciais, só duas foram decididas na etapa inicial.

    O presidente Lula nna cerimônia em que anunciou o reajuste no Bolsa Família, em Brasília - Adriano Machado - 17.set.26/Reuters
    O presidente Lula nna cerimônia em que anunciou o reajuste no Bolsa Família, em Brasília - Adriano Machado - 17.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    E isso porque, em 1994 e 1998, as vitórias de Fernando Henrique Cardoso ( PSDB ) foram pautadas pelo ocasional fator da unidade nacional em torno do combate à inflação e da estabilidade econômica.

    A eleição de Luiz Inácio da Silva (PT), em 2002, introduziu na cena o antagonismo materializado no conceito do "nós contra eles", cuja continuidade se traduziu na reação do "eles contra nós" e tornou o debate político refém de duas forças políticas conduzidas pela afeição ou rejeição da maioria dos brasileiros.

    Essa dinâmica reduziu a possibilidade de construção de consensos mínimos e minou a probabilidade de as eleições presidenciais serem resolvidas na primeira etapa. Lula não conseguiu liquidar logo a fatura, mesmo quando estava nos píncaros da popularidade. É de se imaginar que tenha sido vítima do próprio veneno ao jogar na divisão, apostando na hipótese de a maioria se perfilar ao lado dele. Os índices de mais de 80% de aprovação ao fim do segundo mandato não se traduziram em apoio suficiente para repetir o feito de FHC, que apostou num projeto coletivo de economia estável enquanto Lula se apoiou no culto à própria personalidade. Insistiu nessa toada no terceiro mandato, a despeito das evidências de fadiga dessa matéria-prima, subestimou a oposição aos seus planos de continuidade eterna, dentro e fora do universo político. Agora, apresenta-se ao presidente um dilema. Ele que se vê como grande líder não lidera uma saída para a crise institucional, arrisca-se a encerrar a carreira com uma derrota vexaminosa para o herdeiro do golpista condenado. E, se ganhar, não está apto a oferecer ao Brasil nada além da promessa de "fazer mais" do mesmo. Em qualquer dos cenários, o que se vê adiante é estrada escura e um caminho deserto.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/dora-kramer/2026/09/lula-prova-do-proprio-veneno-no-incentivo-ao-antagonismo-politico.shtml.

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    O presidente Lula nna cerimônia em que anunciou o reajuste no Bolsa Família, em Brasília - Adriano Machado - 17.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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