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    Lula promete proteção ambiental ao defender petróleo na Foz do Amazonas

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu nesta segunda-feira (17) cuidado ambiental ao defender a exploração de petróleo na costa do Amapá. Leia mais (08/17/2026 - 20h49)

    Folha de S.Paulo
    17 de agosto de 2026 às 23:49
    Lula promete proteção ambiental ao defender petróleo na Foz do Amazonas
    Homem de barba branca veste macacão laranja com faixas refletivas e crachá escrito 'LULA'. Ele segura microfone e fala em palanque com fundo verde e amarelo. — Foto: Folha de S.Paulo

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    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu nesta segunda-feira (17) cuidado ambiental ao defender a exploração de petróleo na costa do Amapá.

    Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em visita ao navio-sonda da Petrobras que realiza pesquisas na Margem Equatorial, em Oiapoque, no extremo norte do Amapá - Lula no X · Lula no X
    Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em visita ao navio-sonda da Petrobras que realiza pesquisas na Margem Equatorial, em Oiapoque, no extremo norte do Amapá - Lula no X · Lula no X — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Durante visita ao navio-sonda da Petrobras que perfura o poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, Lula chamou de "chique" o petróleo encontrado e disse que a descoberta pode representar uma nova fonte de riqueza para o país.

    "Vamos continuar cuidando do meio ambiente , 87% deste estado [do Amapá] é reserva e 90% deste território está com floresta praticamente intocada. Eu sujei a mão com o pré-sal e agora com este, este parecia que já estava refinado", afirmou.

    Lula classificou a descoberta como "passaporte para o futuro", em referência ao discurso usado por governos petistas na descoberta do pré-sal. Mas disse que isso não significa abandonar a defesa da transição energética. "E, quando falo isso, não estou negando a minha luta para que um dia a gente não precise utilizar combustível."

    Encruzo, na Terra Indígena Uaçá, no Amapá: área na região da foz do rio Oiapoque é uma das mais próximas, em terra, do bloco 59 - Lalo de Almeida/Folhapress · Lalo de Almeida/Folhapress
    Encruzo, na Terra Indígena Uaçá, no Amapá: área na região da foz do rio Oiapoque é uma das mais próximas, em terra, do bloco 59 - Lalo de Almeida/Folhapress · Lalo de Almeida/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A exploração da Margem Equatorial, porém, ainda enfrenta questionamentos ambientais. O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) não autorizou a perfuração de outros três poços que a Petrobras pretende abrir na região, que inclui os blocos Manga, Crotalus e PAD Morpho, e pediu informações complementares à estatal.

    A Petrobras considera os novos poços necessários para avaliar o potencial da área e verificar se a descoberta tem viabilidade comercial. A presidente da empresa, Magda Chambriard, afirmou que ainda não é possível estimar quanto petróleo existe no local.

    "Tem petróleo e descoberta, a gente ainda não sabe quanto, mas estamos extremamente otimistas com o que estamos encontrando aqui", disse.

    Confluência de dois rios em meio à densa floresta tropical. O rio da esquerda tem água barrenta e o da direita água mais escura. Céu carregado com nuvens escuras anuncia chuva.
    Confluência de dois rios em meio à densa floresta tropical. O rio da esquerda tem água barrenta e o da direita água mais escura. Céu carregado com nuvens escuras anuncia chuva. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Segundo Magda, a perfuração do Morpho deve ser concluída nos próximos 15 a 20 dias. A Petrobras prevê ainda três poços na área e outros cinco em regiões adjacentes para dimensionar o potencial da reserva.

    O licenciamento do Morpho foi marcado por controvérsias. A licença para a exploração foi concedida pelo Ibama em outubro de 2025, depois de pressão do governo federal e de políticos do Amapá. Em janeiro deste ano, um vazamento de fluido interrompeu a prospecção por cerca de um mês. A Petrobras foi multada em R$ 2,5 milhões pelo órgão ambiental, e as atividades foram retomadas em fevereiro.

    Para o cálculo da compensação ambiental, o Ibama classificou em 0,5%, o grau máximo previsto, o impacto do empreendimento pela magnitude da atividade e pelos riscos à biodiversidade e a áreas ainda pouco conhecidas.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A região também reúne ambientes sensíveis , como manguezais, e territórios onde vivem cerca de 12 mil indígenas de quatro etnias, que dependem dos recursos naturais para atividades como pesca, caça e agricultura.

    Ao defender a exploração, Lula voltou a tratar o petróleo como uma questão de soberania nacional e afirmou que o Brasil não deve abrir mão de suas reservas enquanto houver demanda mundial por combustíveis fósseis.

    "Isso aqui significa soberania nacional. Um país que tem um petróleo dessa qualidade não vai permitir que ninguém meta o dedo nele", disse.

    Mudanças climáticas poderão levar à predominância de espécies generalistas e não lenhosas nas comunidades de plantas da Caatinga
    Mudanças climáticas poderão levar à predominância de espécies generalistas e não lenhosas nas comunidades de plantas da Caatinga — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O presidente também afirmou que contrariou pressões para evitar o anúncio da licença antes da COP30, realizada em Belém no ano passado. Segundo Lula, havia preocupação de que países europeus reagissem negativamente à decisão.

    "Quando aconteceu a COP no ano passado, muita gente queria que eu não declarasse que tinha conquistado a licença, diziam que os europeus iam ficar chateados", disse. Segundo Lula, ele decidiu manter a defesa da pesquisa porque estavam em jogo os interesses do país e da Petrobras.

    A exploração da região, porém, mantém o dilema entre a expansão da produção de petróleo e os compromissos climáticos assumidos pelo Brasil. Lula tem defendido a redução do uso de combustíveis fósseis, mas o governo também considera necessário ampliar reservas para garantir a oferta de petróleo nas próximas décadas.

    A Petrobras estima que o pré-sal, responsável atualmente por cerca de 80% da produção brasileira, atinja o pico entre 2034 e 2035. A estatal argumenta que será necessário encontrar novas reservas para evitar queda na produção do país.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/08/lula-promete-protecao-ambiental-ao-defender-petroleo-na-foz-do-amazonas.shtml.

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    Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em visita ao navio-sonda da Petrobras que realiza pesquisas na Margem Equatorial, em Oiapoque, no extremo norte do Amapá - Lula no X · Lula no X — Foto: Folha de S.Paulo

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