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    Lula mistura papéis de estadista e candidato na ONU

    Ao longo da história, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas serviu tanto como palco para reflexões sobre a geopolítica quanto para demonstrações de líderes periféricos dando recados domésticos sob holofotes globais. Leia mais (09/22/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    23 de setembro de 2026 às 01:00
    Lula mistura papéis de estadista e candidato na ONU
    Homem de terno escuro e gravata listrada fala em púlpito com símbolo da ONU em fundo de mármore verde. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursa na abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova York (EUA) - Kylie Cooper - 22.set.26/Reuters · Kylie Cooper - 22.set.26/Reuters
    Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursa na abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova York (EUA) - Kylie Cooper - 22.set.26/Reuters · Kylie Cooper - 22.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ao longo da história, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas serviu tanto como palco para reflexões sobre a geopolítica quanto para demonstrações de líderes periféricos dando recados domésticos sob holofotes globais.

    Em sua intervenção na abertura da 81ª edição do evento , nesta terça (22), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) almejou um amálgama dos dois papéis. Mas o candidato à reeleição suplantou o projeto de estadista do mandatário.

    O púlpito da ONU serviu a assuntos variados e privativos do eleitor brasileiro, incluindo até o prometido fim da escala de trabalho 6x1, algo digno de estranheza —ainda que não comparável à merecida pelas alucinações proferidas por Jair Bolsonaro ( PL ) durante suas passagens por lá.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Sem recusar integralmente o apoio do Itamaraty , Lula começou bem sua fala. Fez um correto diagnóstico da derrocada do sistema multilateral, que seria evidenciada pelo de fato relevante orador seguinte, Donald Trump .

    O discurso escorregou ao tentar negar a máxima de Carl von Clausewitz, segundo a qual a guerra é a continuação da política por outros meios. Alguém com conhecimento do vernáculo alemão poderia lembrar Lula de que a "Politik" do general prussiano ia além de objetivos imediatistas.

    Queixou-se de um mundo em guerra, o que está longe de ser exagero, mas sem apresentar mais que platitudes sobre o tema. No mais, fustigou Israel , o embargo a Cuba e outras ações associadas a Trump.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O republicano nunca foi nominado, talvez para não piorar uma relação já esgarçada. Mas sua obra estava lá para ser criticada: guerra tarifária, militarismo, inteligência artificial desabrida e a retomada da doutrina segundo a qual o Hemisfério Ocidental é área de influência exclusiva de Washington.

    Trump não lhe deu ouvidos, tanto que o Brasil nem sequer foi citado no discurso do americano.

    Na seara da disputa com Flávio Bolsonaro (PL), Lula deteve-se sobre o tema da segurança. Além de elencar itens como o Pix ou a lei trabalhista, foi mais diretamente ao ponto ao rejeitar ingerência "interna ou externa" no pleito deste ano. A referência, novamente implícita, era a Trump e sua relação com o bolsonarismo.

    O petista usou o trunfo da soberania — "o Brasil não cabe no quintal de ninguém" . Não se trata de preocupação implausível, dada a Estratégia de Segurança Nacional e o ímpeto intervencionista de Trump —além de ser uma estocada no bolsonarismo devotado ao republicano.

    Todavia as vantagens desse discurso não são tão visíveis agora como no tarifaço de 2025. A ofensiva da Casa Branca contra o crime organizado, por populista que seja, avança sobre um tema delicado para a campanha petista.

    A poucos dias da eleição, não se materializou, até aqui, o temor de uma interferência externa direta —como o próprio Lula atestou na conversa com o senador esquerdista Bernie Sanders.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/lula-mistura-papeis-de-estadista-e-candidato-na-onu.shtml.

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    Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursa na abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova York (EUA) - Kylie Cooper - 22.set.26/Reuters · Kylie Cooper - 22.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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