Lula flerta com o fracasso porque nada aprendeu de 2022
Na política, a capacidade de extrair lições das derrotas e também das vitórias distingue os bons competidores dos comuns. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) nada aprendeu com o triunfo de 2022. Leia mais (10/10/2026 - 22h48)

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Na política, a capacidade de extrair lições das derrotas e também das vitórias distingue os bons competidores dos comuns. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) nada aprendeu com o triunfo de 2022.
Se o mandato do petista eleito era exatamente igual, no papel, aos outros dois que conquistara no início do século, na realidade era muito diferente. Lula sobrepujou o incumbente, Jair Bolsonaro ( PL ), por um fiapo correspondente a 1,8% dos votos.
Sem o apoio de lideranças e eleitores de centro, que em outros pleitos e no primeiro turno de 2022 eram críticos ao PT, Lula não teria passado os últimos quatro anos no Palácio do Planalto.

A sociedade brasileira também estava modificada duas décadas depois da primeira posse do petista. Era patente a intolerância com as aventuras do intervencionismo estatal após a catástrofe recessiva perpetrada pela administração Dilma Rousseff (PT).
Ascendeu uma classe que aspira a construir o seu próprio caminho para a prosperidade, valoriza as relações familiares e a vida religiosa, deplora a insegurança pública e não se curva às tutelas das elites universitárias com suas batalhas vernaculares e culturais.
Mas Lula e o PT não atentaram aos alertas. Ainda na transição de governo, o presidente começou a atacar a autonomia do Banco Central , que depois o salvaria de uma crise inflacionária, mas ao preço elevado de uma escalada sem precedentes do juro real.

Antes mesmo de tomar posse, patrocinou uma emenda constitucional de R$ 170 bilhões na despesa federal. Alienou a boa vontade que angariou na eleição de alguns dos melhores e mais tarimbados economistas, que teriam composto a sua equipe de governo se fossem convidados.
O isolamento no reino das ideias ultrapassadas do petismo permeou outras áreas. A mentalidade sindicalista dos anos 1980 fracassou na tentativa de lidar com a realidade da economia dos aplicativos , e o dirigismo esquerdista soçobrou na missão de dialogar com o movimento evangélico.
A qualidade dos auxiliares com acesso ao presidente despencou. Rodeado de bajuladores incapazes de confrontar o chefe com os erros clamorosos de sua gestão, Lula encastelou-se na convicção de que tudo corria bem, e o eleitorado reconheceria por gravidade o seu mérito nas eleições .
As dificuldades que o candidato à recondução enfrentará no próximo dia 25 não são fruto episódico de algum equívoco de campanha ou da má comunicação. Decorrem do déficit de compreensão do terreno em que o terceiro mandato se desenvolveria.
Cobrará o seu preço a soberba do líder petista de julgar-se o senhor da razão, de isolar-se de segmentos que poderiam lhe render melhores políticas e mais votos, de negar-se a compartilhar poder e de trancar-se em ignorâncias.
Lula, provavelmente melhor do que o bolsonarismo apresentou até aqui em tudo o que não diz respeito à condução da economia, flerta agora com o fracasso.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/10/lula-flerta-com-o-fracasso-porque-nada-aprendeu-de-2022.shtml.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - Evaristo Sá - 5.ago.26/AFP · Evaristo Sá - 5.ago.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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