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    Lula, Flávio, dívidas impagáveis e o ciclone econômico previsto para 2027

    O Banco Central não tem lá muito o que fazer de relevante nos próximos meses, a não ser que tomasse atitude tresloucada (não vai tomar) ou na hipótese improvável de recessão súbita neste ano ou caso tivesse de enfrentar crise financeira importada dos EUA, que talvez fique para fins de 2027. Leia mais (09/16/2026 - 21h00)

    Folha de S.Paulo
    17 de setembro de 2026 às 00:00
    Lula, Flávio, dívidas impagáveis e o ciclone econômico previsto para 2027
    Homem idoso com cabelo branco e barba grisalha, vestindo terno cinza, camisa branca e gravata azul, toca a cabeça com a mão direita em gesto pensativo. Fundo azul desfocado. — Foto: Folha de S.Paulo

    Jornalista, foi secretário de Redação da Folha. É mestre em administração pública pela Universidade Harvard (EUA)

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    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília - Adriano Machado - 14.set.26/Reuters · Adriano Machado - 14.set.26/Reuters
    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília - Adriano Machado - 14.set.26/Reuters · Adriano Machado - 14.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O Banco Central não tem lá muito o que fazer de relevante nos próximos meses, a não ser que tomasse atitude tresloucada (não vai tomar) ou na hipótese improvável de recessão súbita neste ano ou caso tivesse de enfrentar crise financeira importada dos EUA, que talvez fique para fins de 2027.

    O BC não tem lá muito o que fazer desde fins de 2024, na verdade, a não ser aumentar a Selic e deixá-la ao menos em nível de arrocho, "restritivo". Em meados de 2024, morreu a expectativa de que se contivesse parte da alta de gastos de Lula 3. Depois, vieram repiques de inflação , o pânico financeiro da virada para 2025, a guerra contra o Irã etc.

    Nesta quarta (16), o Banco Central diminuiu a Selic de 14% ao ano para 13,75% . Pode ser que corte mais o mesmo tanto na próxima reunião para tratar da taxa básica, no começo de novembro, quando coisa muito mais grave já pode ter acontecido com o país —depois da eleição.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Selic baixando a 13,5% também não importa muito, até porque, no início do ano, a projeção dos economistas de "o mercado" era de uma taxa ainda horrível de 12% no final deste 2026, para lembrar um aspecto mais simples desse problema.

    Além do mais, estão em níveis horrorosos as taxas de juros para prazos mais longos, que definem parte do custo da dívida do governo e de financiamentos diversos no mercado.

    A taxa de juros que a média das leitoras paga para financiar compras ou renegociar dívidas vai mudar muito pouco até bem entrado o ano de 2027 —com sorte.

    As taxas de juros que o governo paga para financiar seu déficit, para financiar os juros que não têm dinheiro para pagar e para rolar a dívida que vence vão mudar também muito pouco, no que diz exclusivamente respeito ao BC.

    Isso quer dizer que levará tempo para pessoas e empresas purgarem suas dívidas altas —porque são altas, por causa de juros caindo devagar e pelo nível de preços ainda alto. Com sorte, levaria um par de anos para algum alívio. Mas esse alívio vai ficar mais difícil porque, mui provavelmente, o salário médio vai crescer mais devagar no ano que vem, se crescer, assim como o número de pessoas empregadas (são hipóteses otimistas). A economia desacelera agora um pouco mais rápido.

    Nessa situação, em tese inflação e expectativas de inflação baixariam também. O BC poderia então tomar uma atitude mais incisiva quanto à taxa de curtíssimo prazo (a Selic).

    Pode não ser assim. Muitíssimo vai depender do programa econômico do próximo presidente da República, afora desastres (crise financeira nos EUA, El Niño do fim do mundo, colapso de preço de commodities, revolta dos robôs assassinos etc.).

    Não é impossível que tenhamos uma economia passando a crescer 1% ao ano ou menos e inflação esperada ainda muito fora da meta, com Selic alta e também taxas de prazo mais longo perto das alturas em que estão hoje, asfixiantes.

    Ainda que o próximo governo, seja ele qual for, tome medida paliativa de maior impacto ou até proponha reforma maior, é possível que, de imediato, o efeito de contenção de gastos seja recessivo. Não dá para saber.

    O que dá para saber é que, cruzando os braços ou dobrando uma aposta errada, é enorme o risco de uma espiral negativa, de um efeito bola de neve suja, com problemas sem solução agravando outros, em cadeia. Nem é bem risco, na verdade. Nesse caso, vai dar errado. Com política em ruínas, ainda pior.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/viniciustorres/2026/09/lula-flavio-dividas-impagaveis-e-o-ciclone-economico-previsto-para-2027.shtml.

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    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília - Adriano Machado - 14.set.26/Reuters · Adriano Machado - 14.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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