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    Lula errou em 2023

    Em 2022, quando derrotou Jair Bolsonaro por uma margem pequena de votos , Lula leu mal o resultado. O que era uma vitória apertada vinda de um arco democrático, o PT e Lula tomaram como uma consagração. Leia mais (09/26/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    27 de setembro de 2026 às 02:00
    Lula errou em 2023
    Homem de cabelos brancos e barba grisalha, vestido com terno cinza e gravata, gesticula com as mãos abertas à frente enquanto outra pessoa tira foto com celular. Ao fundo, quatro homens em trajes formais observam a cena em ambiente interno. — Foto: Folha de S.Paulo

    Jornalista, autor de cinco volumes sobre a história do regime militar, entre eles "A Ditadura Encurralada"

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    Encontro de Lula com empresários em evento do Esfera - Rubens Cavallari - 25.nov.2026/Folhapress · Rubens Cavallari - 25.nov.2026/Folhapress
    Encontro de Lula com empresários em evento do Esfera - Rubens Cavallari - 25.nov.2026/Folhapress · Rubens Cavallari - 25.nov.2026/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em 2022, quando derrotou Jair Bolsonaro por uma margem pequena de votos , Lula leu mal o resultado. O que era uma vitória apertada vinda de um arco democrático, o PT e Lula tomaram como uma consagração.

    Consagração foi, afinal o sujeito passou quase dois anos na cadeia acusado de corrupção e se elegeu presidente pela terceira vez. É vitória para ninguém botar defeito, mas não é suficiente. Lula 3.0 não cultivou o arco democrático que o elegeu. A diferença entre o arco democrático e a coligação governista pode ser testada pelo lugar onde fica o ex-ministro Pedro Malan . Ele pertence ao arco, mas não pertence ao bloco que poderia ser chamado de governista.

    O PT desperdiçou a oportunidade de governar com uma coligação mais inteligente e criativa do que a pobre polarização em que se caiu.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Faltando dez dias para o primeiro turno, ele acordou. O eleitor também acordou. Se não é ele, é Bolsonaro . O antipetismo que elegeu o ex-capitão em 2018 encolheu em 2026, até porque surgiram fatos que alimentam um antibolsonarismo. No início de outubro de 2018, Bolsonaro tinha 32% das preferências, segundo o Datafolha. O petista Fernando Haddad tinha 21%. Aquele Brasil bolsonarista desmanchou-se, mas não acabou.

    Lula vive um paradoxo, é o candidato que vai melhor nas pesquisas, mas seu governo é mal avaliado por 40% contra e 34% a favor , segundo o último Datafolha.

    Lula revelou um certo cansaço com a campanha. Não era fadiga física, era cansaço do modo campanha. Um sinal desse cansaço é o bordão desafiador: "É esse país que vocês querem?". O eleitor sabe que é ele quem manda, não é preciso ser desafiado.

    De certa maneira, Lula foi capturado pela polarização bolsonarista. Podendo ampliar sua base, estreitou-a ou engordou-a, recorrendo ao centrão.

    Faltou criatividade ao petismo, mas ele teve a sorte de ganhar um adversário incapaz de formular uma ideia nova ou de buscar um novo aliado.

    Uma eventual vitória do governador Tarcísio de Freitas no primeiro turno pode atrapalhar a vida de Flávio Bolsonaro no segundo turno. Sobretudo se, no dia 25 de outubro, der praia.

    As casas de apostas que compraram outorgas ao governo por R$ 2,5 bilhões vão brigar na Justiça para recuperar a franquia ou receber o dinheiro de volta.

    Os deuses do jogo maltrataram as casas de apostas. Jogaram no colo da justiça a proteção às casas de tavolagem.

    Era tudo o que a magistratura não precisava.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/eliogaspari/2026/09/lula-errou-em-2023.shtml.

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    Encontro de Lula com empresários em evento do Esfera - Rubens Cavallari - 25.nov.2026/Folhapress · Rubens Cavallari - 25.nov.2026/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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