Lula e Flávio dão tapa na cara do eleitor
O primeiro debate presidencial da eleição de 2026 ficou marcado antes pelas faltas do que pelas presenças. Com três candidatos no palco, o evento registrou o menor número de participantes em um confronto inaugural desde 1989 , quando o país retomou o voto direto para o Executivo federal. Leia mais (08/24/2026 - 22h00)

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O primeiro debate presidencial da eleição de 2026 ficou marcado antes pelas faltas do que pelas presenças. Com três candidatos no palco, o evento registrou o menor número de participantes em um confronto inaugural desde 1989 , quando o país retomou o voto direto para o Executivo federal.
O baixo número de postulantes não é um problema em si. A experiência acumulada ao longo das décadas atesta que a multiplicidade de nomes sem expressão pouco contribui para o propósito do encontro —isso quando não o transforma em um campeonato de bufonaria e vulgaridades.
Ocorre que, desta vez, entre os ausentes estavam os dois líderes das pesquisas de intenção de voto: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ), que chegou a 39% das preferências na mais recente rodada do Datafolha , e o senador Flávio Bolsonaro ( PL -RJ), com 33% no mesmo levantamento.

Com a decisão de não comparecer ao evento promovido pelo Grupo Bandeirantes, pelo jornal O Estado de S. Paulo, pela TV Cultura, pela Gazeta e pela Jovem Pan, tanto Lula quanto Flávio deixaram claro que põem as estratégias de campanha acima de rituais básicos em uma democracia.
Debates cumprem uma função importante no contexto eleitoral: estimulam o confronto direto entre as ideias dos principais candidatos a um determinado cargo público. Permitem, dessa forma, que as pessoas analisem as propostas sob a perspectiva privilegiada do contraditório.
Verdade que o resultado nem sempre é satisfatório. Regras rígidas impostas pelas próprias campanhas não raro esterilizam o confronto, permitindo que os postulantes lancem mão de muitas evasivas e prestem poucos esclarecimentos acerca do que pretendem fazer caso sejam eleitos.

Ainda assim, são um momento único no pleito. Palanques, propagandas e vídeos nas redes sociais constituem o domínio do marketing, enquanto entrevistas não se prestam ao cotejamento de diversas candidaturas.
Quando Lula e Flávio dão as costas ao debate —para nada dizer do nanico Romeu Zema (Novo), que também faltou ao evento—, eles estão afirmando que não pretendem discutir o país longe de suas zonas de conforto.
Com a ausência dos três, Ronaldo Caiado ( PSD ), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury ( Avante ) não conseguiram empolgar quem assistiu ao encontro. Mais do que isso, desperdiçaram boa parte do tempo com ataques a Lula e Flávio , em vez de aproveitarem para expor suas propostas.
Renan, em particular, pareceu se espelhar no péssimo exemplo de Pablo Marçal ( PRTB ), que, em 2024, comportou-se como arruaceiro juvenil na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Na época, José Luiz Datena , nome do PSDB , interrompeu as ofensas com uma abominável agressão física.
No domingo (23), não houve nada parecido com isso. Mas, quando decidiram faltar ao debate, Lula e Flávio deram um simbólico tapa na cara dos eleitores.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/lula-e-flavio-dao-tapa-na-cara-do-eleitor.shtml.

Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (PRTB) durante debate eleitoral, em São Paulo (SP) - Bruno Santos - 23.ago.26/Folhapress · Bruno Santos - 23.ago.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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