Brasil

    Lula diz que pode usar Lei da Reciprocidade contra EUA se não houver acordo sobre tarifas

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (21) que o Brasil poderá aplicar a Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos caso os dois países não cheguem a um acordo sobre as tarifas impostas pelo governo Donald Trump a produtos brasileiros. Leia mais (09/21/2026 - 17h25)

    Folha de S.Paulo
    21 de setembro de 2026 às 20:25
    Lula diz que pode usar Lei da Reciprocidade contra EUA se não houver acordo sobre tarifas
    Dois homens vestidos com ternos escuros se abraçam próximo a uma parede de tijolos. O homem mais velho, de cabelos brancos e barba, sorri enquanto o homem mais jovem inclina a cabeça para o lado dele, em gesto de cumprimento próximo. — Foto: Folha de S.Paulo

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    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (21) que o Brasil poderá aplicar a Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos caso os dois países não cheguem a um acordo sobre as tarifas impostas pelo governo Donald Trump a produtos brasileiros.

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em encontro com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, nesta segunda (21) - Adam Gray/AFP · Adam Gray/AFP
    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em encontro com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, nesta segunda (21) - Adam Gray/AFP · Adam Gray/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Lula disse, porém, que pretende aguardar o avanço das negociações antes de adotar uma resposta comercial. Segundo ele, a retomada do diálogo com Washington após uma conversa por telefone com Trump no mês passado justifica, por enquanto, uma postura de cautela.

    "Enquanto estamos na mesa de negociação, eu não tenho que aplicar a Lei da Reciprocidade. Tenho que ser mais paciente", afirmou, em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN. "Mas é importante saber que, se não tiver um acordo, teremos que aplicar a Lei da Reciprocidade."

    O Brasil voltou a ser alvo de tarifas adicionais em julho deste ano. Em duas medidas distintas, o governo americano impôs uma tarifa de 25% no âmbito de uma investigação da Seção 301 sobre práticas brasileiras consideradas prejudiciais ao comércio dos Estados Unidos —entre elas questões relacionadas ao Pix, corrupção, etanol e desmatamento— e outra de 12,5% pela ausência, segundo Washington, de uma proibição efetiva à importação de produtos feitos com trabalho forçado.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Com isso, determinados produtos brasileiros passaram a estar sujeitos a sobretaxas adicionais que somam 37,5%.

    Após a sanção, Lula e Trump conversaram por telefone no fim de agosto, no primeiro contato entre os dois desde a imposição do tarifaço. A ligação marcou a retomada das negociações entre Brasil e Estados Unidos.

    Logo depois da conversa entre os presidentes, Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos, entrou em contato com Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Os dois participaram de uma reunião virtual para discutir a agenda comercial entre os países.

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na próxima semana, Elias Rosa viajará ao lado do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para Milwaukee, em Wisconsin, onde participará de uma reunião do G20. Durante a viagem, os dois ministros devem se encontrar presencialmente com Greer para dar continuidade às negociações. Na entrevista, o petista também voltou a criticar a maneira como Trump conduz a política externa e comercial dos Estados Unidos. Lula afirmou que o republicano "age como um imperador" e disse discordar da lógica de que o país mais poderoso possa impor suas decisões aos demais.

    "É um jeito de governar com o qual eu não concordo. É um jeito de dizer: ‘Eu sou o mais forte, posso fazer tudo e os outros têm que obedecer’. Eu não concordo com isso", afirmou. O presidente brasileiro está em Nova York para participar da Assembleia-Geral da ONU .

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    Lula também contestou os argumentos usados por Washington para justificar as tarifas sobre produtos brasileiros. Segundo ele, as medidas são "baseadas em mentiras" e desconsideram a relação comercial entre os dois países.

    O presidente afirmou ainda que, diante das barreiras impostas pelos Estados Unidos, o Brasil tem buscado ampliar o comércio com outros mercados.

    Segundo Lula, após a adoção das tarifas, as exportações brasileiras para os EUA recuaram 9%, enquanto as importações de produtos americanos pelo Brasil caíram 8%.

    "Eu não vou chorar pelo leite derramado. Vou procurar outros para comprar e vender", disse. "É o que eu faço na política também."

    A declaração ocorre em meio às negociações entre Brasília e Washington para tentar reduzir as sobretaxas atualmente impostas a parte dos produtos brasileiros. O governo brasileiro também mantém aberta a possibilidade de recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica, mecanismo que permite ao país adotar contramedidas contra ações comerciais consideradas prejudiciais aos interesses brasileiros.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/lula-diz-que-pode-usar-lei-da-reciprocidade-contra-eua-se-nao-houver-acordo.shtml.

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    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em encontro com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, nesta segunda (21) - Adam Gray/AFP · Adam Gray/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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