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    Lula diz que não protegerá filho em meio a investigações da PF: "Se for culpado, pagará o preço"

    Fábio Luís Lula da Silva é citado em três inquéritos que investigam suspeitas de tráfico de influência dentro do governo federal

    UOL
    28 de agosto de 2026 às 02:00
    Lula diz que não protegerá filho em meio a investigações da PF: "Se for culpado, pagará o preço"
    Foto: UOL

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) , candidato ao quarto mandato à Presidência da República, afirmou nesta quinta-feira (27), durante sabatina no "Jornal Nacional", que não fará qualquer movimento para proteger o filho Fábio Luís Lula da Silva , o Lulinha, caso sejam comprovadas irregularidades nas investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF).

    Questionado por César Tralli sobre os três inquéritos que investigam suspeitas de tráfico de influência envolvendo o filho do presidente e negócios de empresas privadas com órgãos do governo federal, Lula afirmou que as apurações devem seguir sem interferência do Palácio do Planalto.

    "Se o Fábio cometeu qualquer ilícito, ele terá que pagar como qualquer cidadão brasileiro. Eu não vou afastar delegado da Polícia Federal, não vou fazer qualquer movimento para que meu filho seja acobertado se tiver algum erro, como outros já fizeram", declarou.

    Lula também contestou a existência, até o momento, de uma acusação formal contra o filho e classificou parte das informações divulgadas como "ilações tiradas de telefonemas".

    "Eu não sou do Ministério Público, não sou delegado, não sou juiz. Eu sou presidente da República e pai do Fábio", afirmou.

    O presidente disse ainda estar tranquilo diante das investigações e garantiu que os órgãos responsáveis terão liberdade para conduzir as apurações.

    "Tudo que for preciso fazer no âmbito da política e da Justiça para apurar será dada toda e qualquer garantia. Esse é o comportamento do presidente da República. Não é do pai do Fábio, é do presidente da República, que tem que olhar para 215 milhões de brasileiros", acrescentou.

    "Ele não será protegido por ser meu filho"

    Durante a sabatina, Tralli também questionou Lula sobre mensagens obtidas pela PF no celular da lobista Roberta Luchsinger, investigada por suspeita de atuar ao lado de Lulinha em favor de empresas interessadas em negócios com o governo.

    Em uma das conversas mencionadas pelo jornalista, Roberta teria afirmado que Lulinha "entra em campo quando precisa" e que os dois seriam "uma coisa só". Em outra mensagem, teria escrito: "Eu sou o Fábio".

    Ao responder, Lula comparou a situação enfrentada pelo filho às investigações das quais ele próprio foi alvo durante a Operação Lava Jato e voltou a dizer que Lulinha terá de responder caso tenha cometido alguma irregularidade.

    "Com o meu filho vai acontecer a mesma coisa. Só ele sabe a verdade. Se ele fez erro, ele pagará, não existe outro jeito. Ele não será protegido por ser meu filho", afirmou.

    Lula também declarou acreditar na inocência de Fábio, mas defendeu que as investigações prossigam.

    "Ele tem que provar a inocência dele, e eu tenho certeza que ele vai ser inocente. Vamos esperar o tempo. Não haverá, da parte da Presidência da República, um milímetro de movimento para proteger o meu filho", disse.

    "A acusação está feita, a Polícia Federal está investigando e vazando as coisas para a imprensa, e eu espero que aconteça o julgamento. Se tiver que prestar depoimento, ele vai prestar depoimento, vai participar dos inquéritos. Se ele for culpado, pagará o preço; se não for, ele será inocentado", completou.

    Fábio Luís Lula da Silva, de 51 anos, é citado em três inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). As investigações apuram suspeitas de tráfico de influência em órgãos do governo federal em benefício de empresas privadas.

    O primeiro inquérito foi aberto em 30 de julho, sob relatoria do ministro André Mendonça, para investigar uma possível atuação de Lulinha em favor de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", em negócios relacionados ao Ministério da Saúde.

    Uma das linhas de investigação envolve a World Cannabis, empresa de medicamentos à base de canabidiol. A PF apura se Lulinha teria atuado para favorecer interesses ligados à companhia dentro do Ministério da Saúde.

    O filho do presidente admitiu, em documento apresentado ao STF, ter viajado a Portugal com despesas pagas por Camilo Antunes para prospectar um negócio relacionado à cannabis medicinal. A viagem teria sido intermediada por Roberta Luchsinger.

    As investigações também mencionam tentativas de viabilizar negócios envolvendo medicamentos à base de cannabis, testes de diagnóstico para dengue e outras arboviroses e parcerias produtivas. As tratativas não avançaram.

    O nome de Lulinha também chegou a aparecer nas investigações sobre as fraudes no INSS devido à relação com Camilo Antunes. A PF, porém, descartou o envolvimento do filho do presidente naquele esquema e pediu a abertura de um inquérito separado para investigar outras suspeitas.

    Um segundo inquérito, aberto em 31 de julho, investiga uma possível atuação de Lulinha na Dataprev. A suspeita é de que ele tenha tentado favorecer um empresário interessado em negociar com a estatal de tecnologia e outros órgãos federais.

    Já em 4 de agosto, o STF autorizou a abertura de um terceiro inquérito para investigar outra suspeita de tráfico de influência dentro do governo em benefício de empresas que teriam relações com o filho do presidente.

    Dois dos casos estão sob relatoria de André Mendonça. O terceiro é relatado pelo ministro Flávio Dino.

    Em 21 de agosto, Mendonça também determinou que a PF investigasse o vazamento de informações sigilosas relacionadas a um dos inquéritos. A decisão ocorreu após pedido da defesa de Lulinha e estabeleceu que a apuração deve buscar eventuais responsáveis pela divulgação indevida do material, sem investigar os jornalistas que publicaram as informações.

    A defesa de Lulinha nega as acusações e afirma que as investigações estariam sendo exploradas politicamente durante o período eleitoral.

    Em julho, o advogado Marco Aurélio de Carvalho classificou a atuação da PF contra seu cliente como uma "busca predatória" e comparou a condução das apurações a práticas adotadas durante a Operação Lava Jato.

    As investigações sobre Lulinha também passaram a ser exploradas por adversários de Lula na disputa presidencial. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que aparece entre os principais concorrentes do petista nas pesquisas de intenção de voto, é um dos que têm mencionado os casos durante a campanha.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www.redetv.uol.com.br/jornalismo/politica/lula-diz-que-nao-protegera-filho-em-meio-a-investigacoes-da-pf-se-for-culpa.

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