Política

    Lula diz a religiosos que não faz política dentro de igrejas

    Buscando apoio, presidente amplia diálogo com segmento durante a campanha e recebe fiéis no Palácio do Planalto

    Poder360
    16 de setembro de 2026 às 18:18
    Lula diz a religiosos que não faz política dentro de igrejas
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    Buscando apoio, presidente amplia diálogo com segmento durante a campanha e recebe fiéis no Palácio do Planalto

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta 4ª feira (16.set.2026) a pastores brasileiros e norte-americanos que não participa de comícios em igrejas por considerar esses espaços dedicados à fé. O encontro foi realizado no Palácio do Planalto com integrantes da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito e convidados dos Estados Unidos e de Cuba.

    “Se eu quiser fazer política e comício, eu faço na rua, mas na igreja eu não faço. Em nenhuma igreja” , afirmou Lula. Segundo o presidente, a religião é “uma coisa sagrada” e cada pessoa deve ter seu momento de paz para conversar com Deus.

    Na foto acima, Lula (esq.) recebe benção do frei franciscano David Raimundo dos Santos (dir.) durante encontro em São Paulo, em outubro de 2022
    Na foto acima, Lula (esq.) recebe benção do frei franciscano David Raimundo dos Santos (dir.) durante encontro em São Paulo, em outubro de 2022 — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

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    O encontro faz parte da estratégia de aproximação com o eleitorado evangélico, segmento no qual o PT enfrenta resistência. Levantamento PoderData/Aya realizado de 9 a 12 de agosto de 2026, mostrou que 62% dos evangélicos desaprovam Lula.

    A declaração foi feita durante uma fala de cerca de 25 minutos, em que Lula tratou principalmente de desigualdade, guerras e do papel das religiões. O evento não teve participação de jornalistas nem transmissão ao vivo. A Secom distribuiu posteriormente aos repórteres as falas do presidente.

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    O presidente também disse que pretende criar, no próximo ano, uma política de cuidado para idosos e que precisará da atuação das igrejas. Segundo Lula, a proposta será voltada a pessoas que vivem isoladas. Ele citou idosos que passam os dias sozinhos em casa e disse que a política deverá criar oportunidades de convivência, lazer e atividades sociais.

    Lula também falou sobre guerras e criticou a atuação de grandes potências. Citou os conflitos entre Rússia e Ucrânia e no Oriente Médio e disse que os países deveriam direcionar recursos de armamentos para áreas como saúde, educação e alimentação. O presidente afirmou ainda que pretende defender essa posição em discurso na Assembleia Geral da ONU, em 23 de setembro.

    O advogado-geral da União, Jorge Messias, também participou do encontro. Ao falar sobre a relação entre fé e política, afirmou que o púlpito é um espaço sagrado e que não deve ser usado para disputa política.

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    “A mensagem de Cristo não é a tomada de um reino político. A mensagem de Cristo não é a tomada de um governo. A mensagem de Cristo é a mensagem do amor, da compaixão, de suportar o irmão, de apoiar o irmão” , disse Messias.

    O ministro afirmou ainda que os cristãos defendem valores como liberdade, não discriminação e solidariedade. Segundo ele, a fé não deve ser tratada como um embate político ou ideológico.

    A Frente declarou apoio à reeleição de Lula em agosto. Em carta, o movimento afirmou que a permanência do presidente no Planalto está alinhada a valores cristãos e fez críticas à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).

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    Um pastor ligado à Frente disse a Lula que os evangélicos são um grupo diverso e que não há uma liderança única capaz de falar em nome de todo o segmento. Afirmou ainda que o presidente tem “amigos entre os evangélicos” e que pode contar com o grupo.

    O encontro também teve a participação do reverendo Bronson L.A. Woods, da Igreja Batista Ebenezer, de Atlanta, nos Estados Unidos. Ele afirmou que a delegação norte-americana foi ao Brasil para aprofundar relações com igrejas brasileiras e citou a atuação de Martin Luther King Jr. na defesa dos direitos civis.

    O governo tem ampliado a agenda com lideranças religiosas. Em 26 de fevereiro, Lula já se reuniu com mórmons e tentou se reaproximar de religiosos . Em 1º de setembro, Lula reuniu representantes de igrejas , bancos, empresas, entidades de saúde, defesa do consumidor e trabalho para discutir as apostas on-line.

    Em agosto, Lula fez acenos a mulheres e evangélicos durante o lançamento da campanha à reeleição, em São Bernardo do Campo (SP).

    O PT também tenta reforçar a ideia de que não existe uma posição única entre os cristãos. Em junho, o partido fez o 4º Encontro Nacional de Evangélicos e Evangélicas . No encerramento, houve a apresentação de uma carta política do encontro. Leia a íntegra (PDF – 704 kB).

    Durante a campanha, o partido também lançou o Comitê Nacional Evangélicos com Lula e projetou a criação de mais de 1.000 comitês populares dedicados ao segmento em todo o país. Também promoveu aproximações simbólicas, como jingles evangélicos e homenagens a pastores-cantores em atos de campanha.

    Em atos de campanha, a primeira-dama, Janja Lula da Silva, tem cantado o jingle “ Tapete Vermelho”, que gravou com o cantor e pastor Kleber Lucas.

    Vídeo: Poder360 · Fonte: Poder360

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-governo/lula-diz-a-religiosos-que-nao-faz-politica-dentro-de-igrejas/.

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