Lula disputa empresariado com Flávio e tenta reduzir resistência à reeleição
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O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva fala durante um comício de campanha de reeleição no Estádio Moca Bonita, no Rio de Janeiro, Brasil, 22 de agosto de 2026. REUTERS/Ricardo Moraes
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebe nesta segunda-feira (31) um grupo de banqueiros e empresários no Palácio da Alvorada. O jantar ocorre em um momento em que a campanha petista tenta reduzir resistências no setor privado e acompanha os movimentos de Flávio Bolsonaro (PL) para avançar sobre esse eleitorado.
A aproximação coloca a economia no centro da disputa presidencial. Lula pretende apresentar compromissos para um eventual novo mandato justamente a um grupo que tem cobrado maior controle das despesas e medidas capazes de estabilizar a dívida pública.

Entre os convidados estão Joesley e Wesley Batista, da J&F; Rubens Ometto, da Cosan; José Seripieri Júnior, da Amil; Luiz Carlos Trabuco, presidente do Conselho de Administração do Bradesco; André Esteves, sócio sênior do BTG Pactual; e Milton Maluhy, do Itaú. Cerca de 20 pessoas devem participar.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, também são esperados.
A campanha pretende apresentar propostas como redução dos supersalários no serviço público, revisão do volume de emendas parlamentares e uma eventual reforma administrativa. Lula também deve defender maior participação privada em setores considerados estratégicos, como minerais críticos e inteligência artificial.

O movimento procura responder às dúvidas sobre como um eventual próximo governo administraria o crescimento das despesas obrigatórias e a trajetória da dívida.
Na entrevista concedida à TV Globo na quinta-feira (27), Lula evitou detalhar quais gastos obrigatórios poderia cortar. O presidente defendeu o crescimento econômico como principal instrumento para melhorar a relação entre dívida e PIB e voltou a reivindicar para seus governos um histórico de responsabilidade fiscal.
O discurso levado ao empresariado, portanto, terá de avançar sobre um ponto que permanece em aberto na campanha: quais medidas concretas acompanhariam essa estratégia a partir de 2027.

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A movimentação ocorre quatro dias depois de Flávio se reunir em São Paulo com empresários, banqueiros e executivos do mercado financeiro para apresentar sua plataforma econômica.
A campanha de Lula afirma que o jantar desta segunda-feira começou a ser organizado antes do encontro do adversário. A ofensiva de Flávio, porém, aumentou a importância política da aproximação.

O empresariado tornou-se um campo relevante da disputa porque parte desse grupo mantém ressalvas ao atual governo, principalmente na área fiscal. Ao mesmo tempo, Flávio tenta consolidar uma interlocução econômica própria e ampliar sua presença para além do eleitorado bolsonarista.
O encontro ocorre ainda na mesma semana em que o Congresso deve avançar sobre uma pauta sensível para o setor produtivo.
Na quarta-feira (2), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado deve analisar a PEC que reduz gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e estabelece dois dias de descanso, sem redução salarial.

O relator Omar Aziz (PSD-AM) apresentou parecer favorável e manteve o texto aprovado pela Câmara. A proposta está entre as prioridades negociadas por Lula com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Caso passe pela CCJ, a PEC ainda terá de ser aprovada em dois turnos no plenário do Senado, com pelo menos 49 votos.
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Foto: InfoMoney
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