Brasil

    Lula discute com Bachelet candidatura em crise para secretaria-geral da ONU

    Ex-presidente chilena viaja a Brasília após ida ao México que levantou dúvidas sobre apoio do país à candidata

    UOL
    31 de agosto de 2026 às 23:00
    Lula discute com Bachelet candidatura em crise para secretaria-geral da ONU
    Foto: UOL

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    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu, na tarde desta segunda-feira (31), com a ex-presidente do Chile Michelle Bachelet, num momento em que a postulação da chilena ao cargo de secretária-geral da ONU (Organização das Nações Unidas) enfrenta uma crise após duas rodadas de consultas no Conselho de Segurança, nas quais ela figurou entre as candidaturas com pior desempenho.

    A ex-presidente do Chile e candidata a secretária-geral da ONU, Michelle Bachelet, durante evento na sede da ONU, em Nova York - Eduardo Munoz - 23.jul.26/Reuters · Eduardo Munoz - 23.jul.26/Reuters
    A ex-presidente do Chile e candidata a secretária-geral da ONU, Michelle Bachelet, durante evento na sede da ONU, em Nova York - Eduardo Munoz - 23.jul.26/Reuters · Eduardo Munoz - 23.jul.26/Reuters — Foto: UOL · Fonte: UOL

    De acordo com pessoas que acompanham a candidatura, Bachelet e Lula avaliaram que é preciso esperar uma nova rodada de consultas informais no Conselho de Segurança para avaliar melhor a viabilidade do nome da chilena.

    A expectativa é que a França , que exerce a presidência do colegiado em setembro, convoque mais uma ou duas votações informais no mês.

    Michelle Bachelet é apoiada formalmente pelos governos do Brasil e do México. O endosso de seu país, o Chile, foi retirado depois que o direitista José Antonio Kast chegou ao poder .

    Lula, Trump e Guterres discursam na última Assembleia-Geral da ONU, em 2025
    Lula, Trump e Guterres discursam na última Assembleia-Geral da ONU, em 2025 — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Antes de viajar a Brasília, Bachelet esteve no México para encontrar-se com a presidente Claudia Sheinbaum. A passagem pela Cidade do México levantou questionamentos sobre o comprometimento mexicano com seu nome —ela precisou esperar dois dias para ser recebida por Sheinbaum, e a líder mexicana disse que era preciso ver "as possibilidades" que Bachelet possui na corrida.

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    Além de ter sido presidente do Chile (2006-2010 e 2014-2018), ela foi ministra das pastas de Defesa e Saúde e posteriormente desenvolveu carreira na própria ONU: foi diretora-executiva da ONU Mulheres e comissária de direitos humanos da organização.

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    Brasil e México defendem a importância de ter uma candidata que represente a América Latina —o último da região a ocupar o posto foi o peruano Javier Pérez de Cuéllar, de 1982 a 1991— e que seja uma mulher (só homens chefiaram a ONU desde sua criação, em 1946).

    No final do mês passado, o Conselho de Segurança realizou sua primeira pesquisa secreta para avaliar os nomes dos candidatos. No processo, cada país tem de dizer se encoraja, desencoraja ou fica neutro em relação a cada nome. Por ora, não se sabe se o país votante é um membro permanente ou não.

    Em rodadas futuras, essa informação será revelada, de modo que nomes que receberem uma carta de desencorajamento de membros permanentes tendem a sair da disputa, já que um nome só é aprovado quando não há veto de nenhum dos membros permanentes.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Naquela primeira rodada, Rebeca Grynspan , da Costa Rica, foi a mais bem avaliada. Recebeu 10 votos de incentivo, 1 de desencorajamento e 4 neutros. Em seguida, Carolyn Birkett, da Guiana, recebeu 9 incentivos, 2 desencorajamentos e 4 neutros. Em terceiro, o argentino Rafael Grossi ficou com 7 incentivos, 2 desencorajamentos e 6 neutros. Então veio Bachelet, a quarta colocada, com 6 incentivos, 5 desencorajamentos e 4 neutros.

    Numa segunda consulta secreta, realizada semanas depois, Bachelet recebeu apenas 2 encorajamentos, 6 votos negativos e 7 neutros. Birkett, da Guiana, foi a que melhor se saiu, com 8 sinalizações positivas, 3 negativas e 4 neutras.

    O argumento de pessoas no governo brasileiro que apoiam Bachelet é que todos os candidatos perderam votos entre uma rodada e outra e que o cenário só ficará claro quando o processo começar a revelar quais dos votantes são membros permanentes —com poder de veto— e quais não são.

    Como a Folha mostrou, o principal obstáculo para a candidatura de Bachelet são os Estados Unidos de Donald Trump .

    Apesar de um pedido do Brasil, Trump não respondeu à solicitação da diplomacia brasileira para receber Bachelet.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/lula-discute-com-bachelet-candidatura-em-crise-para-secretaria-geral-da-onu.shtml.

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    A ex-presidente do Chile e candidata a secretária-geral da ONU, Michelle Bachelet, durante evento na sede da ONU, em Nova York - Eduardo Munoz - 23.jul.26/Reuters · Eduardo Munoz - 23.jul.26/Reuters — Foto: UOL

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