Lula deve defender não interferência estrangeira em seu último discurso do mandato na ONU
Às vésperas do primeiro turno das eleições , o presidente Lula (PT) deve fazer uma defesa da não interferência estrangeira em assuntos domésticos de outros países durante seu discurso na 81ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, na próxima terça-feira (22). Leia mais (09/16/2026 - 18h33)

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Às vésperas do primeiro turno das eleições , o presidente Lula (PT) deve fazer uma defesa da não interferência estrangeira em assuntos domésticos de outros países durante seu discurso na 81ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, na próxima terça-feira (22).

A fala pode ser lida como um recado ao presidente Donald Trump em um momento em que o governo brasileiro teme que os Estados Unidos atuem para beneficiar o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), provável adversário do petista em um segundo turno.
Lula já defendeu o sistema eleitoral brasileiro durante uma conversa, por telefone, com o republicano no fim de agosto. Na última semana, Trump não citou seu homólogo ao afirmar que mantém uma "boa relação" com o Brasil e disse ter ajudado a eleger líderes na América Latina diante do avanço da direita.
Caso Lula não seja reeleito em outubro, essa deve ser a última vez que o presidente de 80 anos falará no evento da ONU , realizado todo ano em Nova York (EUA). O Brasil tradicionalmente abre o evento.

Segundo o secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do Itamaraty , embaixador Carlos Márcio Bicalho Cozendey, a expectativa é também que o petista faça uma forte defesa do multilateralismo, "em função do momento do governo" e diante do cenário de escalada de conflitos internacionais.
"[O presidente deve] Defender, como ele tem defendido, negociações de paz nas diversas esferas, o direito internacional humanitário e, sem dúvida, da não interferência em ações internas de outros países", completou o embaixador.
Ele destacou que o discurso de Lula é definido pela Presidência e pode mudar "até o último momento". As informações foram dadas durante briefing à imprensa no Palácio Itamaraty, em Brasília.

Lula chegará em Nova York no domingo (20) e vai embora na terça (22). A segunda (21) deve ser reservada a reuniões bilaterais, com a possibilidade de um encontro a pedido do prefeito de Nova York , Zohran Mamdani, um dos principais nomes de oposição a Trump. A Folha apurou que a parte brasileira avalia prós e contras do compromisso.
O embaixador afirmou que não há expectativa de um encontro entre Lula e Trump. Ele disse não ter conhecimento de um pedido do governo brasileiro ou do americano para um encontro nesse sentido.
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Cozendey declarou que os dois podem se encontrar de forma breve nos bastidores do evento, como já ocorreu no último ano. Na ocasião, o líder americano declarou que os dois tinham tido uma "excelente química" . A relação entre os chefes se deteriorou quase um ano depois.
Há um tarifaço dos EUA sobre produtos nacionais, chamado de "infundado" por Lula , que chega a 37,5% desde julho. São duas as taxas aplicadas: a primeira, de 25%, por supostas práticas comerciais desleais. E uma segunda, de 12,5%, por supostas falhas no combate à importação de produtos produzidos com trabalho forçado –esta última substituiu a tarifa global de 10%.
Somado a isso, a Casa Branca passou a classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho como organizações terroristas . Lula discorda da decisão, que tem apoio e foi comemorada por Flávio Bolsonaro. A segurança pública é um dos temas que causa mais desgaste para a popularidade do presidente, e a gestão petista tenta imprimir uma marca na área.
Além disso, o petista disse que só vai analisar o nome de Daniel Perez para ocupar a embaixada dos EUA no Brasil depois da eleição, após o governo americano subverter a praxe diplomática e fazer o anúncio antes de haver o aceite do Brasil, procedimento conhecido como agrément.
Segundo o secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do Itamaraty, o tema das facções deve estar presente no discurso de Lula na assembleia como parte de um esforço para mostrar que o que o Brasil tem feito nessa seara, apesar das críticas americanas.
"Nesses últimos anos, foi assinada uma série de acordos bilaterais para ampliar a cooperação nessa área. Operações foram feitas em conjunto com vizinhos e, com o próprio EUA, temos uma cooperação de troca de informações e para permitir a responsabilização dessas entidades criminosas de maneira bastante constante", disse.
O embaixador também declarou que Lula deve fazer referências a iniciativas apoiadas pelo Brasil a nível internacional, como a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, criada durante a presidência do país no G20.
Em Nova York, o presidente terá um encontro com o secretário-geral da ONU, António Guterres. Os dois devem falar sobre a Iniciativa ONU80, o plano de reforma da organização, e o Conselho de Segurança. Outras bilaterais ainda são negociadas e não há confirmação pelo Itamaraty.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/lula-deve-defender-nao-interferencia-estrangeira-em-seu-ultimo-discurso-do-mandato-na-onu.shtml.

Lula discursa na Assembleia-Geral da ONU em 2025 - Ricardo Stuckert - 23.set.25/Presidência da República · Ricardo Stuckert - 23.set.25/Presidência da República — Foto: Folha de S.Paulo
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