Lula 4 pode virar um novo Dilma 2, diz advogado
Leonardo Alves Canuto afirma em entrevista ao PoderDataCast que medidas fiscais do governo têm viés eleitoral e podem ampliar a dependência do Estado

Leonardo Alves Canuto afirma em entrevista ao PoderDataCast que medidas fiscais do governo têm viés eleitoral e podem ampliar a dependência do Estado
O advogado especialista em direito tributário Leonardo Alves Canuto afirmou que o Brasil corre o risco de repetir os erros que levaram ao cenário fiscal do 2º governo de Dilma Rousseff . Em entrevista ao PoderDataCast , na 5ª feira (20.ago.2026), Canuto afirmou que as medidas econômicas adotadas pelo governo em 2026 têm caráter híbrido, com iniciativas tecnicamente justificáveis e outras com viés eleitoral.
Segundo ao advogado, a manutenção ou expansão dessas despesas, sem uma estratégia para reduzir a dependência dos benefícios, pode produzir um deficit crescente. “ Eu acredito que nós estamos preparados para viver um outro Dilma, sem dúvida nenhuma. Até porque a matemática não aceita certas extravagâncias ”, disse.

O advogado afirmou que a ausência de um planejamento de longo prazo pode criar problemas para as contas públicas. Segundo ele, a redução ou criação de receitas não pode ser analisada só pelo efeito imediato, porque o governo precisará compensar posteriormente os recursos que deixarão de entrar no caixa.
“ Todo benefício que é desenhado nesse momento vai ter que ser recomposto por uma outra tarifação, por uma outra injeção de capital, porque o governo não consegue viver de outra forma e de receita que não seja a tributação ”, declarou.
Questionado sobre a Reforma Tributária , Canuto criticou a condução do processo e afirmou que as mudanças causam insegurança para cidadãos, empresários e investidores.

“ Eu acho que essa reforma tributária é uma catástrofe. É mais um dos despreparos dos legisladores que atropelam tudo ”, disse.
Segundo o advogado, parte da população ainda não sabe quais serão os efeitos das mudanças. Ele afirmou que alterações e adiamentos durante o processo aumentam a insegurança e desviam a atenção do governo de outras prioridades.
Canuto também declarou que a maior parte das medidas não beneficia diretamente a população de menor renda. Para ele, o excesso de burocracia e a presença do Estado dificultam a produção de riqueza pelo setor privado.

“ Eu acho que são mais medidas que vão viciando ainda mais esse ciclo eterno de dependência governamental, porque a população não consegue criar suas condições de produzir receita” , afirmou.
O diretor de Pesquisa do Instituto Locomotiva , João Paulo Resende da Cunha, que também participou do programa, afirmou que o eleitor brasileiro se tornou mais crítico em relação às políticas econômicas.
Segundo ele, existe uma percepção de que governos costumam anunciar benefícios em anos eleitorais. A população, porém, tende a avaliar positivamente algumas medidas mesmo quando reconhece que elas podem ter motivação eleitoral.

Resende citou como exemplo a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 . Segundo ele, a medida é bem avaliada porque transmite uma percepção de justiça, independentemente de o eleitor ser diretamente beneficiado.
Já a chamada “taxa das blusinhas” enfrenta maior resistência porque passou por mudanças e recuos. Para o pesquisador, isso contribui para uma percepção de falta de convicção na política adotada.
Resende afirmou que a percepção sobre a economia está entre os principais fatores considerados pelo eleitor na hora de votar. Custo de vida, renda e perspectivas para o mercado de trabalho estão entre os aspectos que influenciam essa avaliação.

Segundo ele, o brasileiro não está satisfeito com a situação econômica do país. Dependendo da pesquisa, menos de 1/3 da população afirma que a economia melhorou no último ano.
O pesquisador também afirmou que existe um descolamento entre indicadores econômicos, como crescimento do PIB e inflação, e a percepção da população sobre a situação do país.
Para Resende, o eleitorado de menor renda também mudou suas expectativas. Depois de um período de ampliação do acesso ao consumo e a serviços, a demanda passou a ser por maior qualidade de vida.
“ O nível de exigência para o passo seguinte começa a ser, por exemplo, qualidade de vida. Não é simplesmente o tênis, não é simplesmente eu consegui ter um nível de renda através de programas de transferência que me permitam comprar comida. O meu próximo nível de exigência passa a ser o nível da qualidade e não mais o nível do acesso .”
O episódio faz parte da nova temporada do PoderDataCast , podcast do Poder360 voltado ao debate de pesquisas eleitorais e de opinião pública. O programa, comandado pelo editor de Pesquisas, Jonathan Karter , é transmitido ao vivo todas as quintas-feiras, às 18h30, no canal do Poder360 no YouTube.
Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poderdata/lula-4-pode-virar-um-novo-dilma-2-diz-advogado/.

O programa é apresentado por Jonathan Karter, editor de Pesquisas do Poder360; na imagem, trecho do programa transmitido no canal do jornal digital no YouTube, na 5ª feira (20.ago.2026) — Foto: Poder360
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