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    Luiz Paulo Simas, autor do 'plim plim' da Globo, mudou a música com sintetizadores

    No começo dos anos 1970, o músico carioca Luiz Paulo Simas era um dos poucos brasileiros a ter um sintetizador analógico -tecnologia que começou a chegar na música popular nas décadas anteriores. Com o instrumento, Simas tocou nas bandas de rock progressivo e psicodélico Módulo 1000 e Vímana e gravou o som da "mosca" na clássica faixa "Mosca na Sopa", de Raul Seixas . Mas ele ficou mais conhecido por ser o autor do famoso "plim, plim" dos comerciais da TV Globo . Leia mais (09/23/2026 - 10h00)

    Folha de S.Paulo
    23 de setembro de 2026 às 13:00
    Luiz Paulo Simas, autor do 'plim plim' da Globo, mudou a música com sintetizadores
    Foto: Folha de S.Paulo

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    No começo dos anos 1970, o músico carioca Luiz Paulo Simas era um dos poucos brasileiros a ter um sintetizador analógico —tecnologia que começou a chegar na música popular nas décadas anteriores. Com o instrumento, Simas tocou nas bandas de rock progressivo e psicodélico Módulo 1000 e Vímana e gravou o som da "mosca" na clássica faixa "Mosca na Sopa", de Raul Seixas . Mas ele ficou mais conhecido por ser o autor do famoso "plim, plim" dos comerciais da TV Globo .

    Imagem de arquivo do músico Luiz Paulo Simas - Divulgação · Divulgação
    Imagem de arquivo do músico Luiz Paulo Simas - Divulgação · Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A carreira de Simas, contudo, foi muito além do uso pioneiro do instrumento, começando no grupo de bossa nova Agora-4, nos anos 1960, e se estendendo por décadas de composição para músicos como Ana Caram e Ritchie . Desde 1989, ele atua como pianista solista nos Estados Unidos, onde se estabeleceu. Nesta quinta, o músico se apresenta na sua terra natal, o Rio de Janeiro, pela primeira vez com uma formação de banda desde que se mudou do Brasil.

    O show foca as últimas décadas da carreira de Simas, que será acompanhado pelo baterista Di Stéffano e pelo baixista Rodrigo Villa , com quem nunca trabalhou antes. Colaborações recentes do músico, como uma composição feita em parceria com Roberto Menescal e outra com Carlos Malta, serão estreadas na apresentação, que acontece no Manouche, no Jardim Botânico.

    "Vai ser engraçado se um pessoal for ao show esperando que eu toque Módulo 1000. Eu não vou tocar, infelizmente, porque não vai caber. Mas minha música tem influência de tudo isso. Não sou bossa-novista, não sou roqueiro; sou tudo isso misturado", diz o músico.

    Conheça Jocy de Oliveira, pioneira da música eletrônica
    Conheça Jocy de Oliveira, pioneira da música eletrônica — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Simas cresceu em Copacabana, onde começou a fazer aula de piano aos quatro anos. Já na adolescência, passou a tocar órgão em bandas de baile e se lembra de frequentar reuniões de músicos influentes em Ipanema, como o saxofonista Victor Assis Brasil. Pelo talento no órgão, Simas foi convidado a integrar a Agora-4 —que chegou a ser contratada pela Philips, mas nunca finalizou um LP— e, depois, a Módulo 1000.

    "No início, éramos uma banda de baile, mas acabamos virando um grupo de músicas autorais. Eu dei força para cantarmos em português. Compunha desde os seis anos, mas foi a primeira vez que gravei um disco", diz Simas sobre "Não Fale com As Paredes", álbum lançado em 1970 pela gravadora Top Tape.

    Foi mais ou menos nesta época, quando Simas já havia sido atraído pelo universo do rock progressivo, que ele ouviu um álbum da banda americana de jazz fusion Blood Sweat & Tears e se perguntou de onde vinham alguns dos efeitos sonoros que não conseguia identificar como timbres de instrumentos acústicos. Ele descobriu, lendo o encarte, que os ruídos eram feitos com sintetizadores analógicos.

    Veja imagens do show no Carnegie Hall em celebração à bossa nova
    Veja imagens do show no Carnegie Hall em celebração à bossa nova — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Com a ajuda de seu irmão, que viajou para Londres, Simas adquiriu um sintetizador analógico portátil da marca inglesa EMS. O instrumento fez parte de seus shows com a Módulo 1000 e, mais tarde, com a dissolução da banda, com o grupo Vímana, que formou com Lulu Santos , Ritchie, Lobão e Fernando Gama .

    "Quando passei para a Vímana, eu já estava todo envolvido em teclados, sintetizadores, tinha um monte. Tinha um órgão, um piano com captador, um Minimoog [primeiro sintetizador analógico e portátil]", diz.

    Foi com esse arsenal que Simas gravou "Banda Elétrica", primeiro LP brasileiro a ser feito completamente com sons de sintetizadores analógicos. Com um tom "cômico", nas palavras do artista, o disco era uma coleção com algumas composições inéditas de Simas e várias reinterpretações de clássicos da música brasileira e internacional, como o chorinho "Tico Tico no Fubá" e "Penny Lane", dos Beatles .

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    A proposta lembrava o clássico "Switched-On Bach" de Wendy Carlos, que cinco anos antes havia transposto Bach para o sintetizador Moog.

    O objetivo, diz Simas, era ter um tipo de portfólio dos sons que os sintetizadores eram capazes de produzir para oferecer a uma indústria cada vez mais impressionada com os efeitos sonoros da nova tecnologia. Foi assim que ele virou o autor do famoso "plim, plim" da Globo, depois de seu efeito ter sido escolhido "entre dezenas de opções", como conta Boni em seu livro.

    Após uma breve pausa depois do fim da Vímana, Simas retomou seu trabalho como compositor já nos Estados Unidos, onde passou a se apresentar como pianista solo. Tocando em lugares de renome, como o Carnegie Hall em Nova York, ele explora um repertório clássico de música brasileira, que vai da bossa nova ao chorinho.

    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor
    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Nos Estados Unidos, o interesse é principalmente em bossa nova, em Tom Jobim . Poucos conhecem o que veio depois", afirma Simas. "Para mim é interessante, mas eu me interesso em fazer coisas que vão além disso. Tocar no Brasil tem essa vantagem —as pessoas me entendem aqui."

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/09/luiz-paulo-simas-autor-do-plim-plim-da-globo-mudou-a-musica-com-sintetizadores.shtml.

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    Imagem de arquivo do músico Luiz Paulo Simas - Divulgação · Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo

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