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    Lucro do confinamento cai 13,6% no Centro-Oeste apesar de ração mais barata

    ICAP aponta queda de 9,38% no custo alimentar em agosto, mas maior tempo de cocho e menor produção por animal pressionaram a margem

    CNN Brasil
    11 de setembro de 2026 às 19:28
    Lucro do confinamento cai 13,6% no Centro-Oeste apesar de ração mais barata
    Foto: CNN Brasil

    A queda no custo da alimentação não foi suficiente para melhorar a rentabilidade do confinamento de bovinos no Centro-Oeste em agosto. Segundo o ICAP (Índice de Custo Alimentar Ponta), o custo alimentar recuou 9,38% no mês, para R$ 11,89 por cabeça ao dia, mas o lucro por animal caiu 13,63%, para R$ 983,18.

    O resultado mostra que a margem do confinamento não depende apenas do preço dos ingredientes utilizados na dieta. No período, os animais permaneceram mais tempo no cocho e produziram menos arrobas. O tempo médio de cocho passou de 99 para 107 dias, enquanto a produção caiu de 8,08 para 7,81 arrobas por cabeça.

    Com isso, o custo da arroba produzida no Centro-Oeste aumentou 11,07%, para R$ 200,61. O ICAP é calculado a partir de dados reais coletados por tecnologias de gestão de confinamento da Ponta, com uma base que, segundo a empresa, representa mais de 57% das cabeças confinadas no país.

    Animais permaneceram mais tempo no cocho e produziram menos arrobas • IMAC · • IMAC
    Animais permaneceram mais tempo no cocho e produziram menos arrobas • IMAC · • IMAC — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A redução do custo alimentar foi puxada principalmente pela dieta de terminação. No Centro-Oeste, o custo recuou 8,45% em agosto, para R$ 1.022,62 por tonelada de matéria seca, o maior alívio mensal registrado pela região em 2026.

    Os ingredientes proteicos tiveram queda de 24,85% na ponderação, enquanto o DDG (Dried Distillers Grains, em português são grãos secos de destilaria) atingiu o menor preço do ano. Com isso, pela primeira vez desde fevereiro, a dieta de terminação do Centro-Oeste ficou mais barata que a do Sudeste, onde o custo chegou a R$ 1.046,27 por tonelada de matéria seca, com queda de 1,96%.

    Na comparação com a média do trimestre de maio a julho, o custo da dieta do Centro-Oeste terminou agosto 9,77% menor. Os ingredientes energéticos recuaram 4,99%, enquanto os proteicos tiveram queda de 25,40%. Já os volumosos seguiram na direção contrária, com alta de 19,45%.

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    Confinamento avança em 2026 mesmo com leve alta nos custos de produção — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Entre os componentes da dieta, o milho em grão seco estava 11,9% abaixo da média trimestral, apesar da reação de preços registrada em agosto. O farelo de algodão apresentava queda de 36,7% na comparação com a média do trimestre, enquanto a maior participação do WDG, uma fonte proteica de menor custo, também ajudou a reduzir as despesas.

    Apesar da redução expressiva do ICAP , o custo da nutrição por arroba produzida no Centro-Oeste aumentou apenas 1,33%, de R$ 160,75 para R$ 162,90. Isso significa que a maior parte da elevação do custo total da arroba veio de outros componentes da produção e, principalmente, do perfil dos animais abatidos no período.

    O maior tempo de permanência no cocho, combinado à menor quantidade de arrobas produzidas por cabeça, acabou anulando parte do benefício obtido com a alimentação mais barata.

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    Abiec projeta aumento nos preços da carne no mercado interno em dois meses — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O movimento foi diferente no Sudeste. Mesmo com três dias adicionais de cocho, a produção aumentou de 7,59 para 7,92 arrobas por cabeça. O custo da arroba produzida ficou praticamente estável, em R$ 194,05, enquanto a lucratividade subiu 1,59%, para R$ 1.163,88 por animal.

    A diferença de rentabilidade entre as duas regiões aumentou em agosto. O Sudeste registrou lucro de R$ 1.163,88 por cabeça , contra R$ 983,18 no Centro-Oeste, uma vantagem de R$ 180,70 por animal.

    No mercado de boi físico , a cotação utilizada pelo indicador ficou em R$ 341 por arroba no Sudeste, contra R$ 326,50 no Centro-Oeste. A combinação entre uma cotação mais elevada e um menor custo da arroba produzida ajudou a região a ampliar a liderança na lucratividade.

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    Cota da China deve mudar dinâmica de comercialização da pecuária em 2026 — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A diferença também aparece quando considerada a referência do boi destinado à China. Nesse caso, a vantagem de rentabilidade do Sudeste chegou a R$ 1.235,16 por cabeça, contra R$ 1.026,13 no Centro-Oeste.

    O levantamento reforça, portanto, que a redução do custo da dieta é apenas uma parte da equação econômica do confinamento. Em agosto, o Centro-Oeste conseguiu baratear a alimentação, mas não transformou esse ganho em margem porque os animais ficaram mais tempo no cocho e entregaram menos arrobas por cabeça. No Sudeste, por outro lado, o aumento da produção por animal ajudou a preservar e ampliar a rentabilidade.

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    Confinamento avança em 2026 mesmo com leve alta nos custos de produção — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
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    Abiec projeta aumento nos preços da carne no mercado interno em dois meses — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
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    Cota da China deve mudar dinâmica de comercialização da pecuária em 2026 — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/agro/lucro-do-confinamento-cai-136-no-centro-oeste-apesar-de-racao-mais-barata/.

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