Política

    Lucro da Alibaba cai 75% com gastos em inteligência artificial

    Gigante chinesa lucrou US$ 1,5 bilhão no 2º trimestre; receita cresceu 9% na comparação anual

    Poder360
    24 de agosto de 2026 às 14:22
    Lucro da Alibaba cai 75% com gastos em inteligência artificial
    Foto: Poder360

    Gigante chinesa lucrou US$ 1,5 bilhão no 2º trimestre; receita cresceu 9% na comparação anual

    A Alibaba registrou lucro líquido de 10,4 bilhões de yuans (US$ 1,5 bilhão) no 2º trimestre de 2026, queda de 75% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado foi pressionado pela retração do comércio eletrônico e pelo aumento dos investimentos em inteligência artificial.

    A receita do grupo somou 269 bilhões de yuans no período de abril a junho, alta de 9% na comparação anual, segundo o balanço financeiro da companhia.

    Sede da Alibaba; gigante chinesa registrou queda de 75% no lucro líquido no 2º trimestre de 2026
    Sede da Alibaba; gigante chinesa registrou queda de 75% no lucro líquido no 2º trimestre de 2026 — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD . Inscreva-se Inscreva-se

    O diretor financeiro da Alibaba, Toby Xu, afirmou que o crescimento da receita foi impulsionado principalmente pelos negócios de computação em nuvem e de entregas rápidas. Já a redução do lucro decorreu sobretudo do aumento dos investimentos em tecnologia.

    Os gastos de capital da companhia somaram 67,7 bilhões de yuans no trimestre, avanço de 75% em relação ao mesmo período de 2025. Segundo a Alibaba, o aumento se deve, entre outros fatores, à expansão da capacidade computacional para atender à crescente adoção de agentes de IA e ao encarecimento de componentes de chips.

    Os investimentos em infraestrutura de nuvem também pressionaram a geração de caixa. O fluxo de caixa livre ficou negativo em 44,7 bilhões de yuans, ante saída de 18,8 bilhões de yuans um ano antes. Foi o 2º trimestre consecutivo de fluxo negativo e o 11º seguido de queda na comparação anual.

    O principal negócio da Alibaba registrou retração tanto na China quanto no mercado internacional.

    A receita do comércio eletrônico chinês foi de 110,9 bilhões de yuans no trimestre encerrado em 30 de junho, queda de 8% em 1 ano. A receita de gestão de clientes, indicador que inclui serviços de marketing e publicidade cobrados dos comerciantes, caiu 7%.

    Analistas do banco japonês Nomura atribuíram o desempenho à fraqueza do consumo e a uma base elevada de comparação.

    No exterior, a receita do e-commerce caiu 1%, para 27,8 bilhões de yuans. Foi a 1ª retração anual desse segmento desde 2019.

    Jiang Fan, presidente do Alibaba E-commerce Group, afirmou que as operações internacionais enfrentaram pressões de curto prazo provocadas por fatores geopolíticos e políticas tributárias. Segundo ele, porém, houve melhora na rentabilidade. O AliExpress registrou lucro operacional, enquanto a Lazada apresentou ganhos de eficiência.

    Considerando também operações como comércio rápido, atacado global e logística, a receita total do Alibaba E-commerce Group cresceu 4%, para 205,9 bilhões de yuans. O segmento respondeu por 76,5% da receita total do conglomerado.

    Enquanto o e-commerce perdeu força, os negócios relacionados à inteligência artificial e à computação em nuvem avançaram.

    A receita de serviços de nuvem e capacidade computacional para IA chegou a 48,4 bilhões de yuans, alta de 45% em relação ao mesmo trimestre de 2025.

    Só os produtos relacionados à IA geraram receita de 12,4 bilhões de yuans. Foi o 12º trimestre consecutivo em que essa receita cresceu mais de 100% na comparação anual.

    O CEO da Alibaba, Eddie Wu, reiterou a meta de alcançar US$ 100 bilhões em receita anual com os negócios de nuvem e inteligência artificial em até 5 anos. Segundo o executivo, o segmento poderá alcançar margem de lucro superior a 20%.

    Wu também defendeu a forte expansão dos investimentos. Disse esperar que a escassez de capacidade computacional para IA persista até 2030 e afirmou que, considerando as atuais margens brutas dos produtos da companhia, os investimentos poderão ser recuperados em até 3 anos.

    A Alibaba informou ainda que seu processador de IA Zhenwu M890, desenvolvido internamente, já é usado comercialmente por mais de 650 clientes. A empresa espera concluir a etapa de tape-out –quando o projeto de um chip é enviado para fabricação– da 2ª geração do processador no 2º semestre de 2026.

    O segmento de laboratórios e aplicações de IA, responsável pelos modelos Qwen, registrou receita de 3,3 bilhões de yuans, alta de 16%.

    A divisão, porém, teve Ebitda ajustado negativo de 13,9 bilhões de yuans. No mesmo período de 2025, a perda havia sido de 3,2 bilhões de yuans. Segundo a Alibaba, a piora se deve ao aumento dos investimentos em recursos de IA e aos maiores custos de inferência associados ao aplicativo Qwen.

    Wu afirmou que a receita recorrente anualizada dos serviços de modelos e aplicações de IA ultrapassou 16 bilhões de yuans em agosto. A expectativa da companhia é alcançar 30 bilhões de yuans até o fim de 2026.

    Este texto foi originalmente publicado pela Caixin Global, em 21 de agosto de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360 .

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-internacional/lucro-da-alibaba-cai-75-com-gastos-em-inteligencia-artificial/.

    Imagem 1

    Sede da Alibaba; gigante chinesa registrou queda de 75% no lucro líquido no 2º trimestre de 2026 — Foto: Poder360

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)