Lollapalooza 2027 mira público esquerdomacho ao destacar veteranos do indie
Não vai ser no Lollapalooza de 2027 que o público brasileiro vai conhecer Olivia Dean ao vivo. Headliner da edição de Chicago , a britânica fez uma das apresentações mais celebradas do fim de semana, uma das favoritas até de Marcelo Beraldo, diretor artístico da versão brasileira do festival, como ele contou à reportagem. Leia mais (10/14/2026 - 16h21)

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Não vai ser no Lollapalooza de 2027 que o público brasileiro vai conhecer Olivia Dean ao vivo. Headliner da edição de Chicago , a britânica fez uma das apresentações mais celebradas do fim de semana, uma das favoritas até de Marcelo Beraldo, diretor artístico da versão brasileira do festival, como ele contou à reportagem.
Dois anos antes, Dean tinha tocado no mesmo Grant Park para pouco mais de 1.500 pessoas. Voltou como dona do Grammy de artista revelação e como a primeira artista solo mulher a emplacar quatro músicas ao mesmo tempo no top 10 britânico. Foram 90 minutos de set num sábado em que a chuva atrasou a abertura dos portões em quatro horas, com direito a Sam Fender no palco para cantar "Rein Me In".
No outro palco principal, quase no mesmo horário, Jennie fazia uma estreia histórica, mas para uma plateia mais nichada: foi a primeira solista feminina de K- pop a liderar um palco do Lolla americano. Nenhuma das duas está escalada para Interlagos.

O consolo do público brasileiro é Charli XCX , atração principal do domingo, dia 21. Foi em Chicago que a britânica estreou o primeiro set completo da era "Music, Fashion, Film". O repertório costura os hits de "Brat" às faixas novas e a duas canções da trilha que ela compôs para "O Morro dos Ventos Uivantes" , "House" e "Dying for You", tocadas ao vivo pela primeira vez. Enquanto a performance de "Brat" se sustentava no electropop e na sensação de balada, a nova empreitada deixa Charli mais diva. Há trocas de figurino, um palco enorme e dançarinas desfilando em formação.
Os dois cartazes também têm em comum o jovem Sombr , que toca na sexta (19), e o nem tão jovem assim The Neighbourhood, que divide o domingo com Charli. A banda californiana passou pelo Lolla brasileiro em 2018 e voltou no ano seguinte com turnê própria, com datas esgotadas em São Paulo e no Rio. Agora chega com "(((((ultraSOUND)))))", primeiro disco em cinco anos.
Em Chicago, a banda foi vítima da companhia aérea. Boa parte dos equipamentos não embarcou no voo para o festival. A saída foi Jesse Rutherford cantar sobre bases pré-gravadas, enquanto os colegas ficavam sentados num cenário que lembrava uma casinha californiana. A banda pediu desculpas, mas preferiu entregar uma versão remendada a não aparecer. Mesmo assim, reuniu uma multidão que gritou cada verso.

Alguns nomes menores de Chicago seriam muito bem-vindos por aqui. Um deles é a melancolia gótica de Ethel Cain. Outros vêm da leva irlandesa que tomou a quinta-feira de abertura, com o folk do trio Amble e o country tragicômico de CMAT.
Julia Wolf aparece em letras miúdas nos dois line-ups, mas foi quem mais tirou os americanos da normalidade de assistir ao show parados e em silêncio. Escalada para o sábado (20), e com fãs se multiplicando nas redes e no Spotify, a cantora pode pousar no Brasil maior do que foi anunciada. O mesmo vale para o Geese, que lotou o palco Allianz no sábado enlameado de Chicago e também toca no fim de semana em Interlagos.
Se a edição brasileira de 2026 foi pensada para a geração Z, e para a parte mais nova dela, saindo da escola ou começando a vida adulta, a de 2027 conversa com quem já ia a festivais antes de os gen Z terem idade para isso.

The Killers, que já foi headliner aqui em 2018, The Prodigy, Queens of the Stone Age e até Rodrigo Amarante dão a sensação de um cartaz montado para os esquerdomachos. O apelido circula nas redes para descrever o homem de discurso progressista, cujo estereótipo inclui barba, ecobag e um disco do Los Hermanos, a banda de Amarante, na estante. É um contraste e tanto com a onda de garotas que foram ver Sabrina Carpenter e Chappell Roan em março.
Já os garotos devem se concentrar na sexta, dia de Travis Scott. O rapper chegou a ser anunciado como headliner do Lolla de 2020, cancelado pela pandemia, e desde então virou figura quase anual no país. A última passagem foi no primeiro dia do The Town, em 2025, quando fez seu show de punk e rap para adolescentes brancos que pulavam extasiados.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/folhateen/2026/10/lollapalooza-2027-mira-publico-esquerdomacho-ao-destacar-veteranos-do-indie.shtml.

Lollapalooza 2026 no Brasil - Bruno Santos/Folhapress · Bruno Santos/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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