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    Lixão de cacarecos em órbita

    Começou em outubro de 1957, quando a URSS botou no espaço o Sputnik , o primeiro satélite artificial. Dava 15 voltas por dia ao redor da Terra e, quando passava sobre os EUA, seu "bip-bip" -o único som que emitia- era captado pelos radioamadores e aterrorizava os ingênuos americanos. Um mês depois, em novembro, antes que os EUA pudessem respirar, a URSS mandou outro, o Sputnik 2, tendo a bordo uma infeliz cachorrinha vira-lata, Laika, que não sobreviveu para contar. Os EUA, já com 2 a 0 contra, lançaram o deles em janeiro de 1958, o Explorer, e logo depois equilibraram o jogo. Começava a guerr

    Folha de S.Paulo
    15 de agosto de 2026 às 11:00
    Lixão de cacarecos em órbita
    Lixo espacial — Foto: Folha de S.Paulo

    Jornalista e escritor, autor das biografias de Carmen Miranda, Garrincha e Nelson Rodrigues, é membro da Academia Brasileira de Letras

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    Imagem gerada pela Agência Espacial Europeia (ESA) mostra a Terra cercada por milhares de pontos que representam o lixo espacial - Divulgação/ESA · Divulgação/ESA
    Imagem gerada pela Agência Espacial Europeia (ESA) mostra a Terra cercada por milhares de pontos que representam o lixo espacial - Divulgação/ESA · Divulgação/ESA — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Começou em outubro de 1957, quando a URSS botou no espaço o Sputnik , o primeiro satélite artificial. Dava 15 voltas por dia ao redor da Terra e, quando passava sobre os EUA, seu "bip-bip" —o único som que emitia— era captado pelos radioamadores e aterrorizava os ingênuos americanos. Um mês depois, em novembro, antes que os EUA pudessem respirar, a URSS mandou outro, o Sputnik 2, tendo a bordo uma infeliz cachorrinha vira-lata, Laika, que não sobreviveu para contar. Os EUA, já com 2 a 0 contra, lançaram o deles em janeiro de 1958, o Explorer, e logo depois equilibraram o jogo. Começava a guerra nas estrelas, com um infernal disparo de satélites.

    Em 1959, um deles caiu no galinheiro de Oscarito, no filme "O Homem do Sputnik", dirigido por Carlos Manga , talvez a melhor chanchada da Atlântida. No Carnaval de 1961, em "A Lua é dos Namorados", marchinha de Klecius Caldas e Armando Cavalcanti, Ângela Maria protestou com "Lua, ó Lua/ Querem te passar pra trás/ Lua, ó Lua/ Querem te tirar a paz".

    Em 1965, Pery Ribeiro e Leny Andrade intitularam "Gemini V", missão tripulada da Nasa que ficou uma semana no espaço, um dos shows mais vibrantes da chamada Space Age. E, em 1967, Gilberto Gil fez coro à angústia de "A Lua é dos Namorados" com a marcha bossa nova "Lunik 9", sonda soviética que pousara na Lua e enviava fotos para a Terra.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O problema é que tudo que se manda para o espaço, exceto os humanos, fica por lá e, nesses quase 70 anos, o cinturão de cacarecos em órbita chegou a níveis dramáticos. Estima-se que haja hoje 1 milhão de objetos de até 10 cm em órbita, voando a 28 mil quilômetros por hora, e dezenas de milhares maiores do que isso. Só que o choque de uma arruela de 2 cm contra uma nave pode furar o revestimento desta e provocar despressurização. Colisões geram mais detritos e estes, ainda mais poluição.

    O homem não se contenta em emporcalhar as terras, os mares e a atmosfera. Manda sua sujeira até para o espaço e periga fazer de nós o galinheiro do Oscarito.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2026/08/lixao-de-cacarecos-em-orbita.shtml.

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