Livro traça uma radiografia da tradição anti-igualitária nos EUA
Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais, dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a b...

Jornalista, foi editor de Opinião. É autor de "Pensando Bem…"
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"Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais, dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade". Essas belas palavras estão na Declaração de Independência dos EUA , de 1776. Mas entre o que se escreve e o que se pratica pode haver um abismo. O princípio fortemente igualitário que animou a revolução americana não se aplicava a negros, por exemplo. A escravidão só foi oficialmente banida em 1865.
Em "Country of Lords", a historiadora Kim Phillips-Fein (Columbia) não chega a afirmar que o ideal de igualdade nunca passou de uma balela, mas mostra que, desde o início, ele se fez acompanhar de um discurso e uma tradição política anti-igualitários, que seguem até nossos dias.
A primeira encarnação do anti-igualitarismo aparece já entre os "founding fathers". John Adams, o segundo presidente, liderava a ala dos aristocratas naturais, para os quais havia uma hierarquia social que não poderia ser rompida sem grande perigo. Eles se esforçaram para criar os mecanismos constitucionais que diluíam a participação popular na tomada de decisões.

Aos aristocratas naturais seguiram-se darwinistas sociais, racistas utilitaristas, evangelistas da produção e meritocratas de mercado. A mais recente manifestação de anti-igualitarismo é a que vem de bilionários do Vale do Silício , como Peter Thiel e Elon Musk . Para todos esses grupos, ainda que com nuances, os talentos das pessoas variam, de sorte que a distribuição do poder político também precisa variar. Os mais capazes devem ter mais poder.
É complicado. Até acompanho a ideia de que talentos e aptidões variam. É um dado da realidade. Mas não consigo ver um argumento razoável para sustentar que a loteria cósmica das habilidades justifique tratamento legal diferenciado ou privação do poder político. Já experimentamos isso ao longo da história e não funcionou. Pelo menos não para os amplos contingentes de excluídos.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/colunas/helioschwartsman/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2026/08/livro-traca-uma-radiografia-da-tradicao-anti-igualitaria-nos-eua.shtml.

Ilustração de Annette Schwartsman para a coluna de Hélio Schwartsman - Annette Schwartsman · Annette Schwartsman — Foto: UOL
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