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    Livro sobre a Mostra de São Paulo narra saga de perrengues e sucessos

    "Antes que Eu Me Esqueça" não é um almanaque sobre a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo , embora traga informações e bastidores para agradar muito aos cinéfilos. Acima disso, o livro é um relato carinhoso e uma declaração de amor. Leia mais (10/13/2026 - 10h00)

    Folha de S.Paulo
    13 de outubro de 2026 às 13:00
    Livro sobre a Mostra de São Paulo narra saga de perrengues e sucessos
    Três pessoas vestindo roupas escuras e óculos escuros caminham lado a lado na calçada de uma avenida movimentada com prédios altos ao fundo. A pessoa à esquerda usa calça clara e segura um chapéu, a do meio veste jaqueta preta e calça verme — Foto: Folha de S.Paulo

    Contextualiza um acontecimento e aprofunda a compreensão de seus diversos ângulos

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    Marisa Paredes, Pedro Almodóvar e Rossy de Palma em visita a São Paulo durante a Mostra de Cinema de São Paulo de 1995 - Acervo da Mostra de Cinema de SP/Divulgação · Acervo da Mostra de Cinema de SP/Divulgação
    Marisa Paredes, Pedro Almodóvar e Rossy de Palma em visita a São Paulo durante a Mostra de Cinema de São Paulo de 1995 - Acervo da Mostra de Cinema de SP/Divulgação · Acervo da Mostra de Cinema de SP/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    É jornalista especializado em música, cinema, literatura e TV

    "Antes que Eu Me Esqueça" não é um almanaque sobre a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo , embora traga informações e bastidores para agradar muito aos cinéfilos. Acima disso, o livro é um relato carinhoso e uma declaração de amor.

    A Mostra está entrelaçada à vida de Renata de Almeida . Ela trabalhou na organização desde a 13ª edição, em 1989, e em seguida iniciou um relacionamento com Leon Cakoff , criador e diretor do evento.

    Veja fotos históricas da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo
    Veja fotos históricas da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A narrativa do livro, com um capítulo dedicado a cada edição desde então, deixa evidente como o evento conduziu a jornada pessoal da autora, que passou a dividir a direção com o marido. O nascimento de seus dois filhos e a morte de Cakoff em 2011, de câncer, aos 63 anos, são relatos emotivos, que ela relaciona com a dedicação ao trabalho.

    Um entusiasmo aparentemente inesgotável acompanha sua tarefa de garimpar os melhores filmes do mundo e recrutar seus realizadores para viajar até São Paulo. Ela não arrefece nem diante de perrengues, que não foram poucos.

    Financiamento para a cultura já é difícil de obter, mas a Mostra teve problemas agravantes, como Plano Collor , dificuldades de liberar filmes na alfândega, cancelamentos de convidados em cima da hora e, claro, a pandemia .

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Tudo parece valer a pena com a consolidação de meio século de história, diante de um público fiel. E, para Almeida, ficam as amizades construídas com dezenas de grandes cineastas.

    Nos dias do evento, passou a ser comum encontrar diretores e atores na região da avenida Paulista. Fortuitamente, o jornalista que escreveu este texto ajudou o diretor iraniano Abbas Kiarostami a pedir café e pão de queijo na rua Augusta.

    Nesses 50 anos, muitos cineastas retornaram a São Paulo. Como Kiarostami, Manoel de Oliveira e Jia Zhangke . Emir Kusturica veio, trouxe filmes ao evento e, depois, retornou para um show de sua banda de pop cigano, Kusturica & The No-Smoking Orchestra.

    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor
    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Wim Wenders demorou para vir, mas em 2008 tomou conta. Selecionou 14 títulos para a programação, conversou com o público, distribuiu bom humor e trouxe seu filme mais recente à época, "Palermo Shooting". Assim, uma "família Mostra" foi se formando.

    E é desse contato que nascem muitas histórias saborosas que recheiam o livro. Como a vinda de Quentin Tarantino , em 1992, com "Cães de Aluguel". Pouco conhecido aqui, passou muitos dias em São Paulo e assistiu a uma maratona de filmes. Emendava uma sessão na outra, e seus vizinhos de poltrona não podiam prever o futuro do cinéfilo sentado ao lado.

    Outra boa história se deu na saída de um grande jantar, num restaurante paulistano. O ano era 1995, e o local ficou cheio de táxis, com os convidados estrangeiros perdidos, sem saber como lidar com os motoristas.

    Então a atriz francesa Anne Parillaud quis saber quem era o esforçado funcionário da Mostra que corria para todos os lados, ajudando os convidados a entrarem nos táxis, traduzindo as conversas. Era Walter Salles . Naquele ano, ele fazia parte do júri. E é dele o prefácio de "Antes que Eu Me Esqueça".

    Essas histórias que a autora enumera já valem a leitura de suas memórias. Mas há um outro lado no livro que pode atrair bastante quem mexe com mercado cultural, até além do cinema . O leitor vai acompanhar a evolução dos métodos e ferramentas usados para construir um evento tão grande.

    Nos capítulos iniciais, os mecanismos para acertar a agenda dos convidados e a chegada das cópias dos filmes ao Brasil eram tarefas trabalhosas. Almeida relata coisas que não devem ser muito simples para o entendimento das gerações mais novas.

    Sem internet, sem celular, a Mostra começou numa época em que essas negociações dependiam de telex, até o festejado surgimento do fax . Falar com produtores orientais significa trocar telefonemas caros e de difícil conexão às quatro horas da madrugada!

    Almeida e Cakoff precisavam ir pessoalmente aos grandes festivais de cinema do mundo para negociar a vinda dos filmes que os interessavam. Claro que, para quem está incumbido da missão, é um prazer enorme fazer uma viagem dessas. Mas, falando estritamente de negócios e prazos, hoje isso se resolve facilmente em conferências de vídeo.

    Ao longo dos anos, o cinema, o mundo e as pessoas mudaram. Hoje, uma investigação digital de poucos minutos pode fornecer todas as informações possíveis a respeito de um novo filme.

    A autora conta que, durante muito tempo, eles só conseguiram imprimir o catálogo já durante o evento em curso. Assim, frequentadores às vezes entravam na sala sabendo apenas se tratar de um filme polonês ou húngaro, nada mais do que isso.

    Na Mostra "raiz", pelo menos em seus primeiros 20 ou 30 anos, entrar na sala para ver um filme chegava a ser uma aposta no escuro. E nada pode ser melhor para um cinéfilo do que descobrir um favorito pessoal ou até mesmo uma obra-prima quando ele menos espera.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/10/livro-sobre-a-mostra-de-sao-paulo-narra-saga-de-perrengues-e-sucessos.shtml.

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    Marisa Paredes, Pedro Almodóvar e Rossy de Palma em visita a São Paulo durante a Mostra de Cinema de São Paulo de 1995 - Acervo da Mostra de Cinema de SP/Divulgação · Acervo da Mostra de Cinema de SP/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo

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