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    Livro infantojuvenil resgata história e negritude do maestro Carlos Gomes

    Antônio Carlos Gomes nasceu em 1836 e, como muitas crianças, adorava acompanhar seu pai no trabalho. Maneco Músico, como diz seu nome, era músico, vivia afinando instrumentos musicais e cantarolando pela casa. Ele dava aulas de música na cidade de Campinas . Leia mais (08/21/2026 - 08h00)

    Folha de S.Paulo
    21 de agosto de 2026 às 11:00
    Livro infantojuvenil resgata história e negritude do maestro Carlos Gomes
    Foto: Folha de S.Paulo

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    Antônio Carlos Gomes nasceu em 1836 e, como muitas crianças, adorava acompanhar seu pai no trabalho. Maneco Músico, como diz seu nome, era músico, vivia afinando instrumentos musicais e cantarolando pela casa. Ele dava aulas de música na cidade de Campinas .

    Livro infanto-juvenil sobre a vida e história do maetro Carlos Gomes sob piano - Divulgação · Divulgação
    Livro infanto-juvenil sobre a vida e história do maetro Carlos Gomes sob piano - Divulgação · Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Maneco tentou convencer Carlos a arrumar uma profissão que desse mais dinheiro, já que a família vivia no aperto, mas a música falou mais alto e ele acabou se tornando um dos maiores compositores do Brasil, tanto que virou nome de escola e até de praça em sua cidade natal.

    Foi o interesse pela música clássica e a curiosidade sobre quem foi esse homem que motivou os jornalistas Francisco Lima Neto, repórter da Folha , e Fabiano Ormaneze a escreverem o livro "Carlos Gomes: O Maestro do Brasil".

    "Ele era uma figura distante, muitas pessoas não sabem quem foi ele", diz Lima Neto.

    Veja imagens e ilustrações do livro Carlos Gomes: o maestro do Brasil
    Veja imagens e ilustrações do livro Carlos Gomes: o maestro do Brasil — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A música clássica, estilo que Carlos Gomes tocava, também não é muito ouvida pelas pessoas. Por isso, contar a história deste personagem pode fazer com que mais gente se interesse por esse tipo de composição, que parece uma coisa chata, mas que pode ser muito legal.

    E Carlos Gomes gostava muito mesmo desse gênero desde pequeno. Aos 14 anos, ele já ensinava piano e canto para filhos de fazendeiros da região e, aos 18, compôs uma de suas primeiras obras, chamada "Missa de São Sebastião". Ele acabou se mudando para São Paulo e, depois, para o Rio de Janeiro , onde mostrou sua primeira ópera, chamada "A Noite do Castelo".

    Além de seu pai e seu irmão, o imperador dom Pedro 2º também estava na plateia. E ele gostou tanto de ver Carlos Gomes tocar que o ajudou a estudar na Itália , onde morou por 30 anos. Ele só voltou para o Brasil aos 60 anos.

    Garoto observa a estátua em homenagem ao maestro Carlos Gomes - Divulgação · Divulgação
    Garoto observa a estátua em homenagem ao maestro Carlos Gomes - Divulgação · Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Talvez você conheça alguma música de Carlos Gomes e nem saiba. Ele escreveu uma ópera bem famosa chamada "O Guarani", inspirada em um livro que tem o mesmo nome, do escritor José de Alencar. Tem um trecho dessa música que toca no comecinho do programa Voz do Brasil, que passa toda noite no rádio.

    "Aquela música só surgiu porque tem aquela pessoa que foi uma criança, um adolescente e depois um adulto que enfrentou uma série de dificuldades", diz Ormaneze. Assim como todas as pessoas, Carlos Gomes enfrentou alguns desafios durante a sua vida, como a morte de sua mãe quando ele tinha apenas oito anos e a falta de dinheiro da família. Ele também precisou enfrentar um problema muito sério: o racismo.

    Quando o maestro nasceu, o Brasil ainda era um país escravocrata . A avó paterna dele tinha sido escravizada e seu pai era um homem negro. Já sua mãe tinha origens indígenas . Por causa disso, ele enfrentou muito preconceito tanto no Brasil quanto na Itália.

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    O músico era retratado nos jornais da Europa um selvagem, com o cabelo todo desgrenhado nas caricaturas e um bigode estranho, usando roupas que pareciam de homens das cavernas. Além de ser negro, ele era brasileiro, o que os europeus consideravam como exótico.

    No Brasil, ao longo do tempo, ele passou por um processo chamado de embranquecimento, que é quando uma pessoa negra é retratada como se fosse branca. "Depois da abolição, as pessoas negras ficaram à margem da sociedade, então mesmo quando elas se destacavam muito em alguma coisa, ninguém queria admitir que elas eram negras", diz Lima Neto.

    Fotografias do maestro eram tiradas em luzes que faziam a pele dele parecer mais clara e, quando ele saía nos jornais ou mesmo em livros, pinturas e caricaturas dele o retratavam como branco. Isso também aconteceu com outras figuras da nossa história, como o escritor Machado de Assis . Mas, ao longo de sua vida, Carlos Gomes se reconhecia como uma pessoa negra e lutou pela liberdade dos escravizados no Brasil.

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    Nas últimas décadas, muitas pessoas têm trabalhado para resgatar as verdadeiras raízes desses brasileiros que fizeram coisas muito importantes.

    "Eu cresci sem referências de pessoas da minha cor da pele e da minha condição social que conseguiram fazer trabalhos legais e deixar um legado para o país, então saber que ele era negro melhora muito a autoestima das crianças negras", diz Lima Neto.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/folhinha/2026/08/livro-infantojuvenil-resgata-historia-e-negritude-do-maestro-carlos-gomes.shtml.

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