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    Livro defende diálogo como saída para mal-estar da vida acelerada

    O avanço tecnológico, o excesso de informação e a hiperaceleração da vida moderna nos bombardeiam com estímulos a todo instante. O crescimento das metrópoles, a insegurança nos grandes centros urbanos e a cultura da individualidade afastaram as pessoas umas das outras. Leia mais (10/13/2026 - 14h00)

    Folha de S.Paulo
    13 de outubro de 2026 às 17:00
    Livro defende diálogo como saída para mal-estar da vida acelerada
    Homem de meia-idade com cabelos grisalhos e óculos está em pé com as mãos atrás das costas em área externa de prédio moderno com colunas vermelhas e estrutura metálica ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo

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    O avanço tecnológico, o excesso de informação e a hiperaceleração da vida moderna nos bombardeiam com estímulos a todo instante. O crescimento das metrópoles, a insegurança nos grandes centros urbanos e a cultura da individualidade afastaram as pessoas umas das outras.

    Marco Aurélio Nogueira, cientista político e autor do livro 'Como melhorar a vida que vivemos: pensar, agir, dialogar' - Simon Plestenjak - 8.jun.18/Folhapress · Simon Plestenjak - 8.jun.18/Folhapress
    Marco Aurélio Nogueira, cientista político e autor do livro 'Como melhorar a vida que vivemos: pensar, agir, dialogar' - Simon Plestenjak - 8.jun.18/Folhapress · Simon Plestenjak - 8.jun.18/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Soma-se ainda a intensa polarização política , reforçada durante o período eleitoral, e a descrença em instituições que apresentavam verdades compartilhadas —como a justiça, a ciência e a imprensa. Essas características geram um mal-estar generalizado que afeta a saúde mental sem que nos demos conta.

    Para responder a esse cenário de sobrecarga informacional, desatenção e polarização, o cientista político Marco Aurélio Nogueira defende recuperar o diálogo e as mediações entre as pessoas e as instituições.

    A tese está em "Como melhorar a vida que vivemos: pensar, agir, dialogar", ensaio da editora Ateliê de Humanidades que já pode ser encomendado pelos leitores .

    Estresse crônico é estopim para transtornos mentais
    Estresse crônico é estopim para transtornos mentais — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O livro tem cinco partes, cada uma com seis pequenos ensaios, que podem ser lidos fora de ordem. Os temas abordam o consumo e a relação com as máquinas inteligentes, as cidades, as divisões políticas e geracionais, a mediação e a educação.

    Nogueira usa o termo "hipermodernidade" para descrever a forma como estrutura capitalista e tecnológica, marcada pela inteligência artificial e pela interação nas plataformas, organiza o período em que vivemos.

    "Nós recebemos muita informação e não temos condições de processar tudo isso com facilidade, nenhum de nós. E, por outro lado, perdemos com muita facilidade o foco", diz.

    Capa do livro 'Como melhorar a vida que vivemos: pensar, agir, dialogar', de Marco Aurélio Nogueira - Divulgação Ateliê de Humanidades · Divulgação Ateliê de Humanidades
    Capa do livro 'Como melhorar a vida que vivemos: pensar, agir, dialogar', de Marco Aurélio Nogueira - Divulgação Ateliê de Humanidades · Divulgação Ateliê de Humanidades — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O resultado é o que o livro chama de mal-estar "sutil e capcioso", que se renova continuamente. É sutil, explica o autor, porque as pessoas não têm plena consciência dele.

    "É como se esse mal-estar estivesse adormecido na sociedade, mas se materializando a todo momento. Isso cria uma espécie de ambiente em que se perde confiança, se perde segurança, se perde capacidade de diálogo, e se ganha muito sofrimento", explica.

    Um dos exemplos desse mal-estar é o consumismo compulsivo. Segundo o autor, as pessoas já não consomem o que necessitam, mas o que as mídias digitais as induzem, movidas por um desejo artificial.

    Capa do livro com título em preto sobre fundo branco: 'Como melhorar a vida que vivemos - Pensar, agir, dialogar', autor Marco Aurélio Nogueira. Ilustração abstrata em aquarela mostra pessoas caminhando em ambiente urbano com cores suaves e
    Capa do livro com título em preto sobre fundo branco: 'Como melhorar a vida que vivemos - Pensar, agir, dialogar', autor Marco Aurélio Nogueira. Ilustração abstrata em aquarela mostra pessoas caminhando em ambiente urbano com cores suaves e — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Isso acontece tanto com bens materiais quanto com sugestões em plataformas de streaming, que moldam também as escolhas dos filmes que assistimos e das músicas que ouvimos, por exemplo.

    As cidades, tema da segunda parte, são outro foco de desgaste. Criadas como abrigo e oferta de trabalho e cultura, as metrópoles passaram a ser vividas, na avaliação de Nogueira, como lugar de medo e insegurança. Ele cita o trânsito de São Paulo e lembra de trabalhadores que passam até quatro horas por dia em deslocamento.

    É aí que entra o diálogo, que o autor defende como um método coletivo para lidar com esse mal-estar. Não se trata de chegar a consenso, mas de manter uma interação inteligente com quem pensa diferente. "A capacidade de interagir com as pessoas que não pensam igual a mim é o principal trunfo que nós todos temos."

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A proposta passa por recuperar as mediações que organizavam o debate público. Na avaliação do autor, partidos, Legislativo, Supremo, escola e imprensa filtravam e davam sentido ao que circulava. Sem esse papel, o cidadão ficou sozinho diante de mais informação do que é possível processar com facilidade.

    Na polarização, o diálogo evita que o outro vire inimigo. Segundo o autor, estigmatizar fecha a chance de convencer. "Quando você estigmatiza demais, você perde a chance da persuasão", diz.

    Para ele, o diálogo também protege a democracia: impede que só a voz dos mais fortes seja ouvida e estimula o pensamento crítico, o que ajuda a separar informação de desinformação.

    Nogueira admite o limite da proposta: ampliar os diálogos não basta, mas sem eles nenhuma ação transformadora se sustenta. Apesar do diagnóstico, ele diz na apresentação do livro que evita o pessimismo. "Não entramos num beco sem saída. Sou um otimista cauteloso."

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2026/10/livro-defende-dialogo-como-saida-para-mal-estar-da-vida-acelerada.shtml.

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    Marco Aurélio Nogueira, cientista político e autor do livro 'Como melhorar a vida que vivemos: pensar, agir, dialogar' - Simon Plestenjak - 8.jun.18/Folhapress · Simon Plestenjak - 8.jun.18/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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