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    Livro de Marcelo Duarte usa suspense para falar de bets e trabalho infantil

    Você sabe o que é necroturismo ? O nome é esquisito, mas essa é uma atividade até que bastante popular: são passeios por cemitérios das cidades em que as pessoas aprendem mais sobre quem está enterrado ali. Leia mais (08/28/2026 - 08h00)

    Folha de S.Paulo
    28 de agosto de 2026 às 11:00
    Livro de Marcelo Duarte usa suspense para falar de bets e trabalho infantil
    Ilustração mostra duas crianças e um cachorro em cemitério à noite, com um fantasma brilhante ao fundo entre árvores. Criança à frente segura lanterna, expressão de surpresa. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Você sabe o que é necroturismo ? O nome é esquisito, mas essa é uma atividade até que bastante popular: são passeios por cemitérios das cidades em que as pessoas aprendem mais sobre quem está enterrado ali.

    Capa do livro 'O Fantasma Milionário' - Divulgação · Divulgação
    Capa do livro 'O Fantasma Milionário' - Divulgação · Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Foi num desses tours que Marcelo Duarte, autor de "O Guia dos Curiosos" , teve a inspiração para o seu novo livro, "O Fantasma Milionário". Ele havia se inscrito na visita guiada ao Cemitério da Consolação, em São Paulo, conduzida pelo guia Thiago de Souza, criador do projeto ‘’O que te Assombra’’.

    "Achei que estaria sozinho, mas de repente tinha cem pessoas em um cemitério todo escuro", diz o escritor. "Vendo o Tiago apresentar a história, e aquele monte de barata , percebi que ali tinha um tremendo personagem."

    O guia foi a inspiração para que Duarte criasse Thaíde, o protagonista da obra, que conduz essas visitas pelos túmulos. Eis que numa sexta-feira à noite, o personagem percebe que está sendo observado —acaba descobrindo que é uma criança, a menininha Zen.

    Imagens de Thiago de Souza, organizador do passeio no cemitério e criador do OQTA
    Imagens de Thiago de Souza, organizador do passeio no cemitério e criador do OQTA — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ela trabalha limpando túmulos com o irmão, Cid. Eles contam a Thaíde a respeito de um fantasma que ronda por ali, chamado Arlindo Peixoto.

    Ao longo da trama, o guia tentará descobrir a identidade dessa alma penada e tirar as crianças daquela situação.

    Mas, pera aí, como assim crianças trabalhando em cemitérios? Pois é, essa história parece absurda, mas foi inspirada em relatos que Duarte leu em "Meninos Malabares", de Bruna Ribeiro —que denuncia o trabalho infantil.

    Crianças falam como é o dia a dia do trabalho infantil
    Crianças falam como é o dia a dia do trabalho infantil — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Todo dia, a gente nota crianças nos semáforos pedindo dinheiro, fazendo malabares, trabalhando nas feiras livres e vendendo bebidas em eventos de rua. Esses são trabalhos mais visíveis", diz o autor. Hoje, segundo dados mais recentes, quase 2 milhões de pessoas entre 5 e 17 anos realizam trabalho infantil no Brasil.

    Além da pobreza, Zen e Cid ainda enfrentam um outro problema, que afeta cada vez mais famílias: o vício em apostas online . Na obra, o padrasto dos irmãos desistiu de trabalhar para virar apostador profissional e usa a maior parte do pouco dinheiro que família tem para apostar, se endividando até com familiares e vizinhos.

    "Há uns dois anos, dando carona para o meu filho caçula e os amigos dele, na faixa dos 18 anos , ouvi uma conversa sobre bets. Eram meninos, nenhum deles trabalhava, mas diziam entrar nessa onda e olhavam para isso como dinheiro fácil", conta Duarte. "Depois de um tempo, soube de uma amiga do meu filho cujo pai teve problemas com apostas. Então concluí que isso também era um assunto que deveria entrar na minha história."

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O vício em apostas tem nome: chama-se ludopatia. Ele acaba afetando mais as famílias pobres, já que a promessa de ganhar muito dinheiro pode parecer a única saída para quebrar o ciclo de necessidades.

    " Famílias pobres ficam cada vez mais pobres por causa das apostas. E, de repente, as crianças acabam no trabalho infantil", afirma Duarte. "Concluí que esse era um tema que devia ser tratado com as crianças, inclusive em sala de aula." O autor conta que, para professores, é disponibilizado material extra para ajudar a abordar o tema.

    Para ele, o suspense e o toque de terror —elementos que chamam a atenção das crianças— ajudam a fazer com que elas entendam o prejuízo que as apostas podem trazer para a família.

    Em "O Fantasma Milionário", o clima de mistério se mantém até o fim, unindo os vários temas que aparecem na obra até terminar em um final que não deixa nenhum curioso sem respostas.

    Duarte também apresenta outro livro , "2064 - A Revanche da Inteligência Artificial", continuação da obra de mesmo título, publicado no ano passado. A história se passa no ano que dá nome ao título, em uma realidade na qual as pessoas são proibidas de pensar, controladas pelo computador Grande Inteligência. Até que três garotas —Bia, Lia e Mia— resolvem questionar essas regras e mudam todo o jogo.

    Nesse segundo volume, que se passa às vésperas do Natal de 2064, o vilão Paulo Ignácio Maia, que programou o computador Grande Inteligência para ser perverso, reaparece para controlar os pensamentos e as ações de toda a população mais uma vez.

    Tanto "O Fantasma Milionário" quanto "2064 - A Revanche da Inteligência Artificial" já estão à venda online. O lançamento presencial de ambas as obras acontece neste sábado (29), das 11h às 13h, na Livraria da Tarde (r. Cônego Eugênio Leite, 956, Pinheiros), em São Paulo.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/folhinha/2026/08/livro-de-marcelo-duarte-usa-suspense-para-falar-de-bets-e-trabalho-infantil.shtml.

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    Capa do livro 'O Fantasma Milionário' - Divulgação · Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo

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