Livro conta a carreira de Pedro Martinelli, ícone do fotojornalismo brasileiro
Pedro Martinelli quase morreu na guerrilha da Nicarágua , fotografou os funestos voos da morte no incêndio do Joelma e clicou João Paulo 2º na rua dias antes de sua improvável nomeação como papa. Leia mais (08/28/2026 - 13h00)

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Foto do contato com os índigenas Panará durante expedição com os irmãos Villas-Boas em 1973 - Pedro Martinelli / Divulgação
Pedro Martinelli quase morreu na guerrilha da Nicarágua , fotografou os funestos voos da morte no incêndio do Joelma e clicou João Paulo 2º na rua dias antes de sua improvável nomeação como papa.
Momentos como esses recheiam "Olho no Mundo", livro que conta a trajetória de Martinelli, um dos ícones do fotojornalismo brasileiro.

Escrita por Carlos Maranhão, a obra é repleta de histórias saborosas. Não por coincidência, Maranhão organizou a biografia a partir de conversas temperadas pela culinária de Martinelli, craque também com as panelas.
Não é exagero dizer que a jornada se confunde com a própria história do fotojornalismo moderno no Brasil, já que coincide com um dos períodos mais prolíficos da mídia escrita.
Martinelli atuou intensamente na imprensa durante as décadas de 1970 a 2000 —época de estruturação profissional das grandes redações e da modernização do design gráfico. Nesse período, fotografou desde guerras e Copas do Mundo até ensaios para a revista Playboy .

O livro não omite os insucessos de Martinelli. Ao narrar infortúnios sem constrangimentos, o biografado escancara seu processo e deixa claro que um fotógrafo se faz de tentativas e erros.
Um deles ocorreu em seu primeiro grande trabalho. Em 1972, com apenas 22 anos, Martinelli foi enviado pelo jornal O Globo para documentar o inédito contato com os indígenas Panará, chamados à época de "índios gigantes".
A operação foi liderada pelos irmãos Villas-Bôas , em virtude da construção da BR-163, já que a estrada passaria pelo território dos Panará. Depois de quase dois anos acompanhando Orlando e Cláudio, um incidente inusitado marcou o final da empreitada.

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Após alguns cliques certeiros, Pedro caiu de uma canoa. Todo seu material foi literalmente por água abaixo. Indígenas do Xingu , que participavam da missão, mergulharam no rio e resgataram os filmes e as câmeras do fotógrafo.
Desesperado, Martinelli pensou naquele momento em largar o ofício. Era o fim de sua mal iniciada carreira. Mesmo assim, os filmes foram enviados à sede da redação do Globo.

No Rio de Janeiro, o lendário fotógrafo e editor Erno Schneider conseguiu recuperar as fotos, que estamparam a primeira página do diário carioca. Felizmente, Pedro não deixou o fotojornalismo.
Martinelli lembra como era o cotidiano da revista Veja entre os anos 1970 e 1980. Narra algumas peripécias, como quando "roubou" uma foto do radialista Zé Béttio, o maior nome do rádio à época, mas até então uma figura desconhecida do grande público.
Recorda perrengues para conseguir credenciais para os Jogos Olímpicos de Los Angeles , em 1984, e de Seul, quatro anos depois. Descreve como foi sua saída da Veja e a migração para o estúdio e a fotografia de moda.

Martinelli também é um caçador —característica que se confunde com o fotojornalismo. Durante a infância em Santo André, no ABC Paulista, saía com o pai em expedições pela Serra do Mar.
Por isso, foi mais do que natural a decisão de documentar a amazônia ao largar o fotojornalismo das grandes redações. Investiu em um trabalho de longa duração, fotografando aspectos da vida de caboclos, ribeirinhos e indígenas, que rendeu vários livros e exposições.
"Olho no Mundo" é mais do que uma biografia, um livro de fotografia ou jornalismo . Navegando pelas memórias pessoais e pelo acervo de Pedro Martinelli, a obra é um pedaço da história do Brasil.

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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/08/livro-conta-a-carreira-de-pedro-martinelli-icone-do-fotojornalismo-brasileiro.shtml.

Foto do contato com os índigenas Panará durante expedição com os irmãos Villas-Boas em 1973 - Pedro Martinelli / Divulgação · Pedro Martinelli / — Foto: Folha de S.Paulo
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