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    Lindbergh pede bloqueio de bens de Flávio por valores ligados a Vorcaro

    Pedido feito ao STF cita mais de R$ 70 milhões em repasses investigados e aponta possível conexão com emendas destinados ao filme Dark Horse

    Metrópoles
    13 de setembro de 2026 às 14:35
    Lindbergh pede bloqueio de bens de Flávio por valores ligados a Vorcaro
    Foto: Metrópoles

    O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determine o bloqueio de bens e valores do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como forma de garantir uma eventual reparação de recursos que estão no centro de investigações envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

    A solicitação foi apresentada em uma representação encaminhada a Dino e tem como referência valores que, segundo as investigações citadas no documento, ultrapassam R$ 70 milhões em repasses atribuídos a Vorcaro no contexto do financiamento do filme “Dark Horse”.

    Na ação, Lindbergh explicou o direcionamento do pedido a Flávio Dino:

    VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
    VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    “A PET 16.669/DF tem por objeto precisamente o desvio de recursos públicos, na modalidade de direcionamento de emendas parlamentares federais, com imputação, em tese, de peculato, fraude em contratos e lavagem de dinheiro”.

    O documento explica por que o pedido não foi remetido ao ministro André Mendonça: “A terceira razão é de ordem prática. A investigação conduzida sob a outra relatoria encontra-se parcialmente sob sigilo, e os requerentes não dispõem de acesso a seus autos”.

    A representação também menciona a investigação aberta no âmbito do Inquérito 5.026, sob relatoria do ministro André Mendonça. Segundo o documento, Flávio Bolsonaro é investigado, em tese, por crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção relacionados à movimentação financeira envolvendo o Banco Master e a produção cinematográfica.

    Deputado federal Lindbergh Farias PT-RJ debate o projeto de anistia aos bolsonaristas no Estúdio Metrópoles
    Deputado federal Lindbergh Farias PT-RJ debate o projeto de anistia aos bolsonaristas no Estúdio Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Um dos pontos destacados por Lindbergh é um repasse de US$ 1,666 milhão, identificado em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), feito em setembro de 2025 ao Havengate Development Fund, um fundo americano que administrava o dinheiro para Dark Horse e encaminhava os recursos para a Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme. A representação afirma que, com essa operação, o total de valores atribuídos a Vorcaro destinados à produção teria passado de aproximadamente US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões.

    O documento relaciona ainda a data desse pagamento a uma mensagem na qual Flávio Bolsonaro teria cobrado do banqueiro parcelas que estavam atrasadas. A representação afirma que a proximidade entre os dois episódios deve ser esclarecida pela investigação. O texto também aponta uma divergência entre a data do repasse e uma declaração pública do senador de que o último pagamento teria ocorrido em maio de 2025.

    Além dos recursos relacionados ao Banco Master, Lindbergh cita a Operação Make Up, autorizada por Flávio Dino, que investiga uma possível estrutura envolvendo dinheiro de emendas parlamentares e a produção do filme Dark Horse.

    De acordo com o pedido, a decisão que autorizou a operação aponta R$ 2 milhões em recursos federais de emendas destinados a entidades presididas por um sócio da produtora responsável pelo filme. Os R$ 2 milhões correspondem a duas emendas de R$ 1 milhão cada indicadas pelo deputado federal Mario Frias ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama, ligada à produção de Dark Horse.

    O documento também menciona outros R$ 1,15 milhão direcionados a uma segunda entidade ligada à mesma pessoa e um repasse de R$ 645,4 mil, feito diretamente da conta de um parlamentar para a produtora durante as filmagens.

    A tese apresentada ao STF é de que os dois fluxos financeiros: os recursos relacionados ao Banco Master e aqueles provenientes de emendas, precisam ser analisados em conjunto porque teriam como ponto de convergência a mesma produção cinematográfica.

    Na representação, Lindbergh argumenta que existe risco de os recursos ou outros bens serem transferidos ou ocultados antes da conclusão das investigações. Por isso, o pedido não se restringe a dinheiro depositado em contas bancárias. A medida poderia alcançar participações em empresas, fundos de investimento, ativos digitais, direitos creditórios e bens registrados em nome de empresas.

    A representação afirma que eventual patrimônio bloqueado deverá ficar vinculado à reparação dos prejuízos caso as suspeitas sejam confirmadas. Entre os possíveis destinatários dos recursos recuperados estão a massa de liquidação do Banco Master, o Banco de Brasília (BRB), o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), a Advocacia-Geral da União (AGU) e regimes próprios de previdência afetados pelas operações investigadas.

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    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/colunas/neila-guimaraes/lindbergh-pede-bloqueio-de-bens-de-flavio-por-valores-ligados-a-vorcaro.

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    VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto — Foto: Metrópoles

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