Brasil

    Líder em blindagem, Grupo Carbon pede recuperação extrajudicial com dívida de R$ 371,5 mi

    O Grupo Carbon, que se apresenta como líder em blindagem de veículos civis no mundo, protocolou na Justiça de São Paulo um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 371,5 milhões em dívidas.

    UOL
    10 de outubro de 2026 às 04:00
    Líder em blindagem, Grupo Carbon pede recuperação extrajudicial com dívida de R$ 371,5 mi
    Foto: UOL

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    São Paulo O Grupo Carbon, que se apresenta como líder em blindagem de veículos civis no mundo, protocolou na Justiça de São Paulo um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 371,5 milhões em dívidas.

    Linha de blindagem do grupo Carbon em Barueri (SP) - Rubens Cavallari - 25.mai.23/Folhapress · Rubens Cavallari - 25.mai.23/Folhapress
    Linha de blindagem do grupo Carbon em Barueri (SP) - Rubens Cavallari - 25.mai.23/Folhapress · Rubens Cavallari - 25.mai.23/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O pedido foi apresentado na segunda-feira (5) pela C Blindados e por duas controladas, a Opera Glass, fabricante de vidros blindados, e a Vertco Blindagem.

    De acordo com a empresa, a crise decorre do descompasso entre a dívida contraída para expandir o negócio e o retorno dos investimentos, que foi mais lento do que o esperado.

    Na recuperação extrajudicial, a companhia negocia diretamente com os credores e leva o acordo ao Judiciário. Uma vez homologado, o plano vale também para quem não aderiu. No caso da Carbon, o pedido abrange os credores quirografários (sem garantia real, como fornecedores e bancos sem bens vinculados à dívida).

    Imagem da matéria
    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Segundo a petição, os credores que detêm 47,6% dos créditos já aderiram ao plano de reestruturação. Por lei, o processo pode ser iniciado com o apoio de um terço, desde que a devedora alcance mais da metade dos credores em até 90 dias.

    A Carbon afirma que pretendia chegar à Justiça já com a maioria dos credores, mas antecipou o pedido por causa de três ações de despejo por falta de pagamento. Elas envolvem um galpão em Barueri (SP), onde fica a sede da companhia, a fábrica de vidros em Jarinu (SP) e o showroom na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro —os aluguéis somam R$ 459 mil por mês.

    A companhia pede uma liminar para impedir a desocupação enquanto durar a suspensão das cobranças. Uma das ações, relativa ao imóvel de Barueri, está pronta para julgamento após uma tentativa de conciliação que não deu certo.

    Imagem da matéria
    Foto: UOL · Fonte: UOL

    A documentação apresentada à Justiça revela que o grupo incluiu cerca de 600 credores e 2.700 títulos de dívida, quase tudo da C Blindados. A Opera Glass responde por cerca de R$ 11 milhões e a Vertco, por menos de R$ 1 milhão.

    Bancos e fundos de recebíveis concentram a maior parte da dívida, sendo que o maior credor é o fundo Amadeus, com R$ 95,3 milhões. Em seguida está o Banco Digimais , com R$ 61,4 milhões em debêntures, e o fundo SSG, com R$ 38,4 milhões. Banco do Brasil , Bradesco , Santander e Porto Seguro também estão entre os credores.

    Os fundos Amadeus, SSG e Bradesco estão entre os que aderiram ao plano. Digimais, Banco do Brasil, Santander e Porto Seguro, não.

    Imagem da matéria
    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Nos últimos cinco anos, a companhia diz ter aplicado mais de R$ 180 milhões para produzir internamente vidros e materiais balísticos. A estratégia de verticalização das operações foi adotada a partir de 2021, diante da escassez de fornecedores de matérias-primas capazes de acompanhar o crescimento da demanda.

    Sozinha, a planta de Jarinu consumiu cerca de R$ 80 milhões. Ela deveria começar a operar em maio de 2025, mas só entrou em funcionamento em abril deste ano. Nesse intervalo, o grupo diz ter arcado com duas folhas de pagamento e com os aluguéis das unidades antigas em Mogi das Cruzes e Atibaia, ambas no interior de São Paulo.

    No pedido, o grupo afirma que o custo médio de dívidas é de 22%, e os vencimentos nos próximos 12 meses somam R$ 139 milhões, ante uma geração de caixa de R$ 52 milhões.

    A empresa sustenta que, da forma como está, a operação é viável e que o problema está no endividamento. A receita líquida cresceu 45% em 2025, para R$ 673 milhões, e o Ebitda (lucro antes de juros , impostos, depreciação e amortização) passou de R$ 15 milhões para R$ 41 milhões.

    Fundada em 2015, a Carbon diz responder por cerca de 16% das blindagens de veículos civis do país. O grupo é homologado por montadoras como Volvo, Jaguar Land Rover, Toyota e BYD.

    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://c-level.folha.uol.com.br/negocios/2026/10/lider-em-blindagem-grupo-carbon-pede-recuperacao-extrajudicial-com-divida-de-r-3715-mi.shtml.

    Imagem 1
    1 / 4

    Linha de blindagem do grupo Carbon em Barueri (SP) - Rubens Cavallari - 25.mai.23/Folhapress · Rubens Cavallari - 25.mai.23/Folhapress — Foto: UOL

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)