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    Líder da ultradireita supera candidato 'cara de lata de lixo' em eleição no Reino Unido

    Nigel Farage recupera assento no Parlamento britânico e supera desafio de Count Binface

    UOL
    14 de agosto de 2026 às 06:00
    Líder da ultradireita supera candidato 'cara de lata de lixo' em eleição no Reino Unido
    Homem de cabelos grisalhos veste paletó azul escuro e gravata branca, segurando taça transparente em ambiente externo com plantas e bandeiras da Inglaterra penduradas acima. — Foto: UOL

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    O líder do Reform UK, Nigel Farage , reconquistou sua cadeira no Parlamento nesta sexta-feira (14), em uma eleição que ele próprio provocou para reforçar sua posição diante de acusações de irregularidades financeiras —estratégia que acabou enfraquecida quando seu principal adversário, um comediante fantasiado de lata de lixo, conquistou mais de um quarto dos votos.

    Após anunciar que renunciou ao cargo de parlamentar, Nigel Farage posa para os fotógrafos em um pub de Great Bentley - Jack Taylor/8.jul.26/Reuters · Jack Taylor/8.jul.26/Reuters
    Após anunciar que renunciou ao cargo de parlamentar, Nigel Farage posa para os fotógrafos em um pub de Great Bentley - Jack Taylor/8.jul.26/Reuters · Jack Taylor/8.jul.26/Reuters — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Farage, um dos principais defensores do Brexit no Reino Unido , tomou a atitude incomum de não comparecer à apuração no balneário de Clacton, no sul da Inglaterra, porque, segundo ele, a polícia o havia alertado sobre uma campanha para tumultuar o anúncio do resultado.

    "Não vou de jeito nenhum subir a um palco, depois de obter uma vitória acachapante, para ser rebaixado e humilhado por um bando de desconhecidos", disse Farage a apoiadores durante uma festa, antes do anúncio do resultado.

    A eleição foi convocada depois que Farage renunciou ao mandato parlamentar no mês passado para buscar uma nova confirmação dos eleitores, no que descreveu como uma guerra contra um establishment empenhado em desacreditá-lo por ter recebido presentes não declarados de doadores.

    Count Binface posa com o Parlamento ao fundo em 2024, quando concorreu contra o então primeiro-ministro, Rishi Sunak - Toby Melville/4.jul.24/Reuters · Toby Melville/4.jul.24/Reuters
    Count Binface posa com o Parlamento ao fundo em 2024, quando concorreu contra o então primeiro-ministro, Rishi Sunak - Toby Melville/4.jul.24/Reuters · Toby Melville/4.jul.24/Reuters — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Depois que os principais partidos britânicos desistiram da disputa, classificando-a como uma encenação em benefício próprio, o principal adversário de Farage acabou sendo Count Binface, personagem criado pelo comediante Jonathan Harvey que se tornou presença cativa e bem-humorada nas eleições britânicas.

    Uma newsletter sobre geopolítica e economia global, editada pelo jornalista João Caminoto, de Paris

    Enquanto Farage obteve 62,8% dos votos, Count Binface —cujas propostas incluíam limitar o preço das casquinhas de sorvete e recrutar compulsoriamente qualquer pessoa que usasse o viva-voz no transporte público— conquistou 26,7%.

    Indivíduo vestido com traje prateado e capa preta faz sinal de paz com as mãos em área gramada. Ao fundo, torre gótica de pedra com detalhes arquitetônicos e bandeira no topo, cercada por árvores e céu nublado.
    Indivíduo vestido com traje prateado e capa preta faz sinal de paz com as mãos em área gramada. Ao fundo, torre gótica de pedra com detalhes arquitetônicos e bandeira no topo, cercada por árvores e céu nublado. — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Depois de manter uma longa vantagem nas pesquisas de opinião, o Reform viu sua popularidade diminuir, em parte devido às acusações sobre o financiamento de Farage, que é investigado pelo Parlamento para determinar se deveria ter declarado um presente de 5 milhões de libras (US$ 6,75 milhões) recebido de um investidor bilionário do setor de criptomoedas.

    Após classificarem a decisão de Farage de convocar a eleição em Clacton como pouco mais que uma manobra para desviar a atenção dessas acusações, os demais partidos britânicos abandonaram a disputa, levando até mesmo alguns de seus mais fervorosos apoiadores a questionar se o veterano político não havia sido passado para trás.

    Laura Richards-Gray, professora de política da Universidade Birkbeck, em Londres , afirmou que a ausência de adversários dos principais partidos prejudicou sua tentativa de transformar a votação no que chamou de uma disputa entre "o povo e o establishment".

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    "Isso teve o efeito contrário, sobretudo em âmbito nacional, pois Farage perdeu o controle da narrativa", disse ela, acrescentando que alguns eleitores viram a eleição como "um desperdício de tempo e dinheiro".

    A posição de Farage também não foi favorecida pelo crescimento do apoio ao Partido Trabalhista, atualmente no governo.

    Desde que Andy Burnham se tornou primeiro-ministro no mês passado, o Partido Trabalhista vem registrando uma alta nas pesquisas, liderando sobre o Reform por 28% a 25%.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Burnham dominou o noticiário e as redes sociais em suas primeiras semanas no cargo e, embora a próxima eleição nacional seja esperada para daqui a três anos, ele parece estar consolidando em torno do Partido Trabalhista um bloco de inclinação à esquerda.

    O Reform, por outro lado, disputa um eleitorado de direita dividido com o Partido Conservador e com o partido anti-imigração Restore Britain, que vêm ganhando apoio.

    Apesar de ter vencido esta votação, o órgão fiscalizador do Parlamento deve prosseguir com a investigação sobre suas declarações financeiras quando ele retornar à Casa.

    No centro da investigação está a questão de saber se Farage deveria ter declarado, antes da eleição nacional de 2024, o presente recebido de um bilionário radicado na Tailândia . De acordo com as regras parlamentares, os membros do Parlamento devem declarar, no prazo de um mês após assumir o cargo, todas as doações recebidas no ano anterior a uma eleição.

    Farage admitiu ter recebido o dinheiro, mas não tê-lo declarado, alegando não ter feito nada de errado porque se tratava de um presente pessoal.

    Se as autoridades parlamentares responsáveis pela investigação concluírem que Farage violou as regras de declaração, ele poderá ser suspenso do Parlamento e enfrentar outra votação para manter sua cadeira, na qual os principais partidos provavelmente apresentariam candidatos.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/lider-da-ultradireita-supera-candidato-cara-de-lata-de-lixo-em-eleicao-no-reino-unido.shtml.

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    Após anunciar que renunciou ao cargo de parlamentar, Nigel Farage posa para os fotógrafos em um pub de Great Bentley - Jack Taylor/8.jul.26/Reuters · Jack Taylor/8.jul.26/Reuters — Foto: UOL

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