Leve sua casca de banana embora, fazendo o favor!
Uma regra básica que todo trilheiro e montanhista raiz invoca sempre é que da natureza nada se leva e, nela, nada se deixa. Isso vale para aquela muda de planta que você achou tão legal para presentear sua titia. E vale para a casca de banana recém-comida, a embalagem da barrinha de cereal e, claro, para o seu cocozinho que "ninguém vai ver, logo se desmancha e vira adubo". Pois é, não vira. Leia mais (10/14/2026 - 23h00)

Para quem gosta de caminhar, trilhar, escalaminhar e bater perna por aí. Por Luiza Pastor
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Uma regra básica que todo trilheiro e montanhista raiz invoca sempre é que da natureza nada se leva e, nela, nada se deixa. Isso vale para aquela muda de planta que você achou tão legal para presentear sua titia. E vale para a casca de banana recém-comida, a embalagem da barrinha de cereal e, claro, para o seu cocozinho que "ninguém vai ver, logo se desmancha e vira adubo". Pois é, não vira.
Já é adotada na maioria dos parques nacionais, estaduais e municipais do país a exigência de que, se no trajeto a percorrer, não houver banheiros disponíveis, o visitante precisa levar um shit tube . Que é simplesmente um tubo ou saco vedado no qual a pessoa deposita seu número 2, joga um pouco de cal ou cinza por cima, e carrega para fora da unidade para o correto descarte.
Entretanto, apesar de todos os avisos, ainda é frequente encontrar garrafas plásticas, embalagens e outros dejetos que enfeiam a vista e, pior, comprometem o próprio bioma. Porque a casca de banana jogada onde não deveriam crescer bananeiras até se decompõe, mas insere um elemento estranho na flora local. E não custa imaginar o impacto de um resto de chocolate derretido no organismo daquele macaquinho tão simpático. Você não vai querer estar debaixo da árvore dele quando a guloseima fizer efeito, certo?

Para evitar esses e tantos outros problemas que impactam a natureza, um grupo vem se mobilizando há anos para divulgar as melhores práticas a serem adotadas em toda unidade de conservação. É a Leave No Trace , organização não governamental americana que, desde 1994, desenvolveu toda uma metodologia para educar o público que busca contatos com a natureza. No Brasil, ela é representada pela Gear Tips, empresa voltada à educação em atividades ao ar livre e à sustentabilidade.
Para divulgar ainda mais as práticas já adotadas e promover troca de figurinhas que as leve ao maior número possível de unidades, será realizada, nos dias 31 de outubro e 1º de novembro, a 1ª Conferência Leave No Trace no Brasil. O encontro será em Lídice, no distrito de Rio Claro (RJ). Não por acaso, a cidade que recentemente inaugurou a trilha Volta das Águas de Rio Claro, considerada a maior de longo curso dentro de um mesmo município brasileiro, com mais de 310 quilômetros de extensão.
O objetivo principal do evento é buscar a construção de uma agenda nacional de educação para o mínimo impacto ambiental, tendo em vista o crescimento das atividades ao ar livre, que demanda novas formas de pensar a educação dos visitantes, a gestão das áreas naturais e a construção de uma cultura nacional de mínimo impacto.

"Nosso objetivo é discutir como fortalecer uma cultura de visitação responsável e ampliar o diálogo entre instituições, gestores, organizações da sociedade civil, redes colaborativas, empresas, operadoras, guias e condutores envolvidos com atividades em ambientes naturais", diz Pedro Lacaz Amaral , CEO da Gear Tips, responsável pela organização do evento.
A programação será estruturada em quatro painéis que abordarão diferentes dimensões do crescimento das atividades ao ar livre e seus impactos sobre a conservação e a gestão dos ambientes naturais. Além da troca de experiências, serão discutidos temas como a forma de transformar essa visão do mínimo impacto em realidade (algo como a melhor maneira de convencer aquele domingueiro desatento de que lugar de seu lixo é na lixeira), e o papel de gestores, guias, operadores e clubes na disseminação dos princípios do mínimo impacto.
Serão abordados também o novo perfil do visitante e o crescimento das trilhas de longo curso, que representam um desafio inédito no país para a logística e a política de descartes, também será analisado. Além, claro, dos prós e contras da influência das redes sociais (que levam pessoas totalmente inexperientes a riscos desnecessários em nome da produção de conteúdos), dos eventos esportivos e do planejamento do uso dos destinos naturais. O foco transversal a tudo isso será a adoção de regras de mínimo impacto na natureza.

O encontro, que será parte da Jornada Cultural e Científica de Montanhismo, tem inscrições abertas que podem ser feitas pelo link https://jornadademontanhismo.com.br/conferencia-leave-no-trace-2026/
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/blogs/e-logo-ali/2026/10/leve-sua-casca-de-banana-embora-fazendo-o-favor.shtml.

Pacote de salgadinho abandonado no Big Room do Parque Nacional Carlsbad Caverns, no Novo México (EUA), que foi consumido por animais da região, alterando o ecossistema - National Park Service/Divulgação/Rede social · National Park Service/D — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

