Brasil

    Lendário Trem da Morte volta a operar na Bolívia

    Ligação ferroviária conecta cidade boliviana na fronteira com o Brasil a Santa Cruz de la Sierra

    UOL
    30 de agosto de 2026 às 04:00
    Lendário Trem da Morte volta a operar na Bolívia
    Foto: UOL

    Marcelo Toledo escreve sobre passado, presente e futuro das ferrovias

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    Estação de trem da cidade de Puerto Quijarro, na Bolívia, que dá início à viagem do Trem da Morte até Santa Cruz de la Sierra - Eduardo Anizelli-9.dez.20/Folhapress · Eduardo Anizelli-9.dez.20/Folhapress
    Estação de trem da cidade de Puerto Quijarro, na Bolívia, que dá início à viagem do Trem da Morte até Santa Cruz de la Sierra - Eduardo Anizelli-9.dez.20/Folhapress · Eduardo Anizelli-9.dez.20/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O icônico Trem da Morte , que liga a boliviana Puerto Quijarro , na fronteira com o Brasil, a Santa Cruz de la Sierra, voltou a operar após um hiato de seis anos, provocado pela pandemia de Covid-19.

    Operado pela Ferroviaria Oriental, o trem recebeu este nome no passado devido ao número de acidentes, como descarrilamentos, e também por ter sido rota para o transporte de pacientes com doenças como febre amarela.

    A partir de Puerto Quijarro, o trem inicia as viagens aos domingos às 13h, e tem paradas em El Carmen, Roboré e San José, antes de chegar a Santa Cruz, maior cidade boliviana, com 1,6 milhão de habitantes, segundo o INE (Instituto Nacional de Estadística), o equivalente no país ao IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No sentido oposto, as viagens ocorrem às sextas-feiras, às 13h.

    Estação ferroviária de Puerto Quijarro
    Estação ferroviária de Puerto Quijarro — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A estação ferroviária no município fronteiriço tem um saguão que se assemelha aos de rodoviárias no interior do Brasil, com poucos guichês para a venda de passagens e cadeiras espalhadas pelo espaço para que os passageiros aguardem o horário de saída do trem.

    No total, 618 quilômetros separam Puerto Quijarro de Santa Cruz de la Sierra, mas a viagem chega a demorar até 20 horas, dependendo das condições encontradas. As passagens custam em média o equivalente a R$ 160 e podem ser compradas na estação de Puerto Quijarro ou pela internet.

    Um trem brasileiro, que ligava Bauru , no interior paulista, a Corumbá (MS) , também ganhou a alcunha de Trem da Morte, especialmente a partir dos anos 60, quando houve a desaceleração gradual de investimentos nas estradas de ferro, resultando em aumento no total de acidentes.

    Estações do Trem da Morte viram sucata entre SP e MS
    Estações do Trem da Morte viram sucata entre SP e MS — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Puerto Quijarro é um pequeno município de 17.974 habitantes, que faz fronteira terrestre com Corumbá, o que significa que bastava o passageiro desembarcar na cidade sul-matogrossense, passar pela fronteira e embarcar em "outro" Trem da Morte.

    A rota, frequente para mochileiros brasileiros, passa pela Chiquitania, região boliviana com belas paisagens naturais e não tem mais os riscos do passado –poltronas com boa inclinação, TV e ar condicionado fazem parte do trem. As composições simples e inseguras deram lugar a locomotivas e vagões mais modernos, assim como os trilhos. Eles, porém, ainda chacolham bastante, relataram passageiros.

    A Ferroviaria Oriental administra 1.244 quilômetros de trilhos na Bolívia, que se conectam com os sistemas ferroviários de Argentina e Brasil.

    A extensão é semelhante aos 1.272 quilômetros operados pela Estrada de Ferro Noroeste do Brasil entre Bauru e Corumbá.

    A Noroeste do Brasil, que começou a ser construída em 1905, passou a fazer parte da RFFSA (Rede Ferroviária Federal S.A.) em 1957, onde ficou até a concessão à Novoeste em 1996. Foi a morte dos trens de passageiros, já que o contrato com o governo federal não estabelecia a obrigatoriedade de manter esse tipo de transporte

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    Da empresa, em parceria com a Ferroban e a Ferronorte surgiu a Brasil Ferrovias, que depois passou a ser Nova Novoeste, até ser incorporada à ALL (América Latina Logística). Esta, por sua vez, foi absorvida pela Rumo Logística, atual detentora da concessão da ferrovia, mas o contrato inclui apenas algumas estações. A maior parte delas está sob responsabilidade do governo federal.

    Das 122 estações erguidas entre Bauru e Corumbá, ao menos 80 foram demolidas ou estão em processo avançado de deterioração, abandonadas ou fechadas, sem uso algum. Essa história foi contada aqui .

    Para os turistas brasileiros interessados em viajar no histórico trem, não é necessário visto para entrar na Bolívia. É preciso, porém, que os estrangeiros passem pelo controle imigratório no posto localizado entre Corumbá e Puerto Quijarro. Além de passaporte, é preciso que os brasileiros apresentem à imigração comprovante de vacinação contra a febre amarela.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/blogs/sobre-trilhos/2026/08/lendario-trem-da-morte-volta-a-operar-na-bolivia.shtml.

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    Estação de trem da cidade de Puerto Quijarro, na Bolívia, que dá início à viagem do Trem da Morte até Santa Cruz de la Sierra - Eduardo Anizelli-9.dez.20/Folhapress · Eduardo Anizelli-9.dez.20/Folhapress — Foto: UOL

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