Lençóis Maranhenses: entenda por que o parque parece um deserto, mas não é
Lençóis Maranhenses visto do espaço Reprodução/NASA A imagem divulgada pela Nasa, agência espacial dos Estados Unidos, que mostra o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses visto do espaço, chamou atenção pela extensão das dunas brancas cercadas por lagoas de águas azuladas e esverdeadas. O contraste entre areia e água levou a agência a definir o local como um “deserto feito de água”. Apesar da aparência semelhante à de um deserto, os Lençóis Maranhenses não são classificados dessa forma. A principal diferença está na presença de água e no regime de chuvas da região. 📲 Clique aqui e se inscrev
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Lençóis Maranhenses visto do espaço — Foto: Reprodução/NASA
A imagem divulgada pela Nasa, agência espacial dos Estados Unidos, que mostra o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses visto do espaço, chamou atenção pela extensão das dunas brancas cercadas por lagoas de águas azuladas e esverdeadas. O contraste entre areia e água levou a agência a definir o local como um “deserto feito de água”.
Apesar da aparência semelhante à de um deserto, os Lençóis Maranhenses não são classificados dessa forma. A principal diferença está na presença de água e no regime de chuvas da região.

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A própria Nasa destacou que, apesar de a imensa área de dunas brancas dos Lençóis Maranhenses lembrar um deserto, a comparação engana. O parque recebe cerca de 125 centímetros de chuva por ano, volume ligeiramente superior ao registrado em Seattle, nos Estados Unidos, e aproximadamente o dobro do observado em Londres, na Inglaterra.
Um estudo divulgado pela Revista Pesquisa Fapesp também aponta o alto volume de precipitação na região. Em alguns períodos, o parque pode receber até 2 mil milímetros de chuva por ano, quantidade considerada elevada para ambientes desérticos. Nos desertos, a baixa ocorrência de chuvas é uma das principais características. Já nos Lençóis Maranhenses, a água tem papel fundamental na formação e na transformação da paisagem.
Entenda como se formam as dunas e as lagoas nos Lençóis Maranhenses
O campo de dunas brancas no litoral do Maranhão é resultado da combinação entre areia, vento e chuva. Em entrevista ao g1 , o oceanógrafo Denilson Bezerra, professor do Departamento de Oceanografia e Limnologia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e doutor em Ciência do Sistema Terrestre pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), explicou que a formação das dunas depende da interação entre esses três elementos.
“As dunas se formam basicamente pela combinação da dinâmica de ventos do local, precipitação (chuva) e também o lençol freático. A chuva bate na areia, infiltra e enche o lençol freático. Então, essas três condições , precipitação, lençol freático e dinâmica de ventos, condicionam a formação de dunas de uma forma constante lá, bem dinâmica, no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses”, explicou o pesquisador.
A expressão usada pela Nasa, “deserto feito de água”, faz referência ao aspecto visual do parque: grandes extensões de areia branca que lembram regiões desérticas, mas que abrigam milhares de lagoas formadas pelo ciclo de chuvas.
Mais de 90% das chuvas na região dos Lençóis Maranhenses ocorrem entre janeiro e julho, segundo a pesquisa apresentada pela Fapesp. Nesse período, a água infiltra-se na areia e eleva o nível do lençol freático, formando lagoas temporárias entre as dunas.
Durante a estação seca, essas lagoas diminuem ou desaparecem, enquanto os ventos passam a atuar com maior intensidade sobre a areia. Esse equilíbrio entre períodos de chuva e estiagem é fundamental para a manutenção da paisagem.
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Publicado originalmente por G1. Leia a matéria completa em https://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2026/08/21/lencois-maranhenses-entenda-por-que-o-parque-parece-um-deserto-mas-nao-e.ghtml.

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