Política

    Leia conversas de Vorcaro com Moraes antes de prisão

    Mensagens reveladas pelo Estadão mostram banqueiro questionando ministro do STF sobre investigação da PF dias antes de ser preso

    Poder360
    1 de setembro de 2026 às 16:56
    Leia conversas de Vorcaro com Moraes antes de prisão
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    Mensagens reveladas pelo Estadão mostram banqueiro questionando ministro do STF sobre investigação da PF dias antes de ser preso

    O banqueiro Daniel Vorcaro perguntou ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes se deveria deixar o Brasil 2 dias antes de ser preso pela PF (Polícia Federal), em novembro de 2025. A conversa foi revelada pelos jornalistas Felipe de Paula, Fausto Macedo e Aguirre Talento, do jornal O Estado de S. Paulo , nesta 3ª feira (1º.set.2026).

    Em 15 de novembro de 2025, Vorcaro perguntou a Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Segundo o jornal, a mensagem fazia referência à possibilidade de deixar o país diante do avanço da operação Compliance Zero.

    O STF retomou nesta 4ª feira (8.abr.2026) o julgamento da ação que questiona a redução de parte do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, para a construção da ferrovia Ferrogrão. A análise da Corte foi suspensa em outubro de 2025, quando o m
    O STF retomou nesta 4ª feira (8.abr.2026) o julgamento da ação que questiona a redução de parte do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, para a construção da ferrovia Ferrogrão. A análise da Corte foi suspensa em outubro de 2025, quando o m — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

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    Dois dias depois, em 17 de novembro, o dono do Banco Master foi preso pela PF no Aeroporto Internacional de São Paulo, quando se preparava para embarcar em um jato particular. O destino inicial era Malta e, posteriormente, Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Na ocasião, investigadores afirmaram haver suspeita de tentativa de fuga.

    Segundo o Estadão , mensagens extraídas do celular de Vorcaro indicam que o banqueiro e Moraes conversaram sobre o avanço das investigações e possíveis medidas contra o dono do Master nos dias anteriores à operação.

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    O jornal afirma, com base na avaliação de investigadores, que os diálogos sugerem que Moraes teria compartilhado informações sensíveis sobre a investigação, incluindo possíveis datas e horários de diligências da PF. As mensagens recuperadas, no entanto, não permitem conhecer todas as respostas do ministro.

    Na véspera da prisão, em 16 de novembro, Vorcaro perguntou: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”

    Naquele momento, a ordem de prisão preventiva ainda não havia sido assinada pelo juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal. A decisão foi assinada às 15h29 de 17 de novembro, horas antes da prisão de Vorcaro.

    As conversas divulgadas mostram que Vorcaro fez sucessivas perguntas a Moraes sobre possíveis medidas relacionadas à investigação.

    Em 15 de novembro, depois de receber uma mensagem do ministro, cujo conteúdo não foi recuperado, o banqueiro respondeu: “Que loucura, bem na semana que estou resolvendo tudo”.

    Naquele período, Vorcaro negociava a venda do Banco Master para um consórcio formado pela Fictor Holding Financeira e investidores dos Emirados Árabes Unidos. A operação não avançou depois da prisão do banqueiro e da liquidação do Master pelo Banco Central em 18 de novembro.

    Na mesma conversa, Vorcaro perguntou: “Aquele mesmo juiz Ricardo? E o (Gabriel) Galípolo (presidente do Banco Central) tá sabendo? Conseguimos fazer algo?”

    Já no dia da prisão, às 17h26, perguntou a Moraes se havia “alguma novidade” e acrescentou: “Conseguiu ter notícia ou bloquear?”

    As conversas sobre a investigação remontam a pelo menos 4 de novembro de 2025. Naquele dia, Vorcaro perguntou ao ministro: “médio a grave seria busca ou quebra de sigilo?”

    Em seguida, insistiu: “Mas pedido deferido por parte deles? Algo que dê pra bloquear?”

    Segundo investigadores e peritos ouvidos pelo Estadão , as mensagens podem indicar que o banqueiro havia recebido informações sobre possíveis medidas cautelares. Vorcaro também escreveu: “Só vai saber qdo ele chamar né”.

    Outros diálogos encontrados no celular de Vorcaro e publicados pelo Estadão mostram que Walfrido Warde, advogado do banqueiro à época, manteve contato telefônico com o juiz horas antes da prisão. “Estamos infernizando o cara” , disse Warde a Vorcaro.

    Ainda naquele dia, o banqueiro disse que uma eventual medida contra ele poderia comprometer seus negócios: “conseguem medida contra agora, vai tudo por água abaixo” . Depois afirmou: “Essa minha maior preocupação”.

    Às 19h09, escreveu: “Vou ficar acordado então aqui pra te aguardar.”

    Cerca de 1 hora e meia depois, Vorcaro voltou a procurar Moraes:

    “Pelo amor de Deus, veja se você consegue bloquear toda maldade. Como eu disse não temos nada, nem o Banco Central abriu sequer um processo administrativo, e eles me auditam todos os dias. Estou pronto pra ir em qualquer um explicar qualquer coisa, mas uma medida drástica agora literalmente quebra o banco de modo irreversível. Se puder me deixe uma mensagem após falar com ele” , escreveu.

    Depois acrescentou: “Se fosse possível saber o que é, entramos imediatamente”.

    Em 6 de novembro, Vorcaro enviou uma série de perguntas a Moraes: “Como estamos aí? Conseguiu bloquear a maldade? Isso é Brasília? Sabe o tema? Está seguro ou tem que entrar agora urgente?”

    O banqueiro também mencionou uma iniciativa de seu então advogado, o criminalista Pierpaolo Cruz Bottini, para tentar levar o caso a determinada vara.

    “Ele disse que teria que justificar pq estaria pedindo tá. Eu falei pra fazer de toda forma” , escreveu.

    Depois, acrescentou: “O Píer acha que se entrar do nada pode acelerar algo, sem justificativa. Ele fez pedido macro, e acredita que vão jogar pra essa vara. O que acha?”

    Bottini foi procurado pelo Estadão e não se manifestou.

    Em 7 de novembro, Vorcaro afirmou não ter “qualquer preocupação para tratar da parte técnica” da investigação. Disse, porém, que o “problema de tudo só é se sair algo mesmo” . Também escreveu: “Amanhã vamos ver se conseguimos puxar do lado de cá”.

    Na manhã de 17 de novembro, Vorcaro informou a Moraes que “estava tentando antecipar investidores” para concluir parte da negociação envolvendo o Banco Master.

    Também disse ter recebido informações de que o caso poderia estar vazando:

    “De outro lado, acho que o tema que falamos começou a dar uma vazada, obviamente sem qualquer detalhes. Mas a turma do brb me disse que tá tendo um movimento de sacanagem do caso. E que a mesma jornalista de antes estava fazendo perguntas lá. Se vazar algo será péssimo mas pode ser um gancho pra entrar no circuito do processo.”

    A menos de 24 horas de ser preso, escreveu: “Se tiver alguma novidade vamos falar”.

    O material obtido pelos investigadores não permite reconstruir integralmente os diálogos entre Vorcaro e Moraes.

    Segundo o Estadão , os 2 utilizavam mensagens em modo de visualização única. Vorcaro fazia capturas de textos escritos no aplicativo de notas e as enviava ao ministro. Por causa desse método, a extração do celular recuperou mensagens enviadas pelo banqueiro, mas não necessariamente as respostas de Moraes.

    A investigação sobre o Banco Master tramitava inicialmente na 1ª Instância e foi enviada ao STF em dezembro de 2025 por determinação do ministro Dias Toffoli, depois da identificação de transações imobiliárias envolvendo Vorcaro e o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), que tem foro privilegiado. Posteriormente, Toffoli deixou a relatoria, assumida pelo ministro André Mendonça.

    Vorcaro voltou a ser preso em 4 de março de 2026. Antes disso, havia sido solto em 29 de novembro de 2025 por decisão da Justiça Federal.

    O Poder360 procurou Alexandre de Moraes e a defesa de Daniel Vorcaro para comentar as mensagens. O espaço permanece aberto para manifestação.

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-justica/leia-conversas-de-vorcaro-com-moraes-antes-de-prisao/.

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