Leia conversas de Vorcaro com Moraes antes de prisão
Mensagens reveladas pelo Estadão mostram banqueiro questionando ministro do STF sobre investigação da PF dias antes de ser preso

Mensagens reveladas pelo Estadão mostram banqueiro questionando ministro do STF sobre investigação da PF dias antes de ser preso
O banqueiro Daniel Vorcaro perguntou ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes se deveria deixar o Brasil 2 dias antes de ser preso pela PF (Polícia Federal), em novembro de 2025. A conversa foi revelada pelos jornalistas Felipe de Paula, Fausto Macedo e Aguirre Talento, do jornal O Estado de S. Paulo , nesta 3ª feira (1º.set.2026).
Em 15 de novembro de 2025, Vorcaro perguntou a Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Segundo o jornal, a mensagem fazia referência à possibilidade de deixar o país diante do avanço da operação Compliance Zero.

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Dois dias depois, em 17 de novembro, o dono do Banco Master foi preso pela PF no Aeroporto Internacional de São Paulo, quando se preparava para embarcar em um jato particular. O destino inicial era Malta e, posteriormente, Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Na ocasião, investigadores afirmaram haver suspeita de tentativa de fuga.
Segundo o Estadão , mensagens extraídas do celular de Vorcaro indicam que o banqueiro e Moraes conversaram sobre o avanço das investigações e possíveis medidas contra o dono do Master nos dias anteriores à operação.

O jornal afirma, com base na avaliação de investigadores, que os diálogos sugerem que Moraes teria compartilhado informações sensíveis sobre a investigação, incluindo possíveis datas e horários de diligências da PF. As mensagens recuperadas, no entanto, não permitem conhecer todas as respostas do ministro.
Na véspera da prisão, em 16 de novembro, Vorcaro perguntou: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”
Naquele momento, a ordem de prisão preventiva ainda não havia sido assinada pelo juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal. A decisão foi assinada às 15h29 de 17 de novembro, horas antes da prisão de Vorcaro.
As conversas divulgadas mostram que Vorcaro fez sucessivas perguntas a Moraes sobre possíveis medidas relacionadas à investigação.
Em 15 de novembro, depois de receber uma mensagem do ministro, cujo conteúdo não foi recuperado, o banqueiro respondeu: “Que loucura, bem na semana que estou resolvendo tudo”.
Naquele período, Vorcaro negociava a venda do Banco Master para um consórcio formado pela Fictor Holding Financeira e investidores dos Emirados Árabes Unidos. A operação não avançou depois da prisão do banqueiro e da liquidação do Master pelo Banco Central em 18 de novembro.
Na mesma conversa, Vorcaro perguntou: “Aquele mesmo juiz Ricardo? E o (Gabriel) Galípolo (presidente do Banco Central) tá sabendo? Conseguimos fazer algo?”
Já no dia da prisão, às 17h26, perguntou a Moraes se havia “alguma novidade” e acrescentou: “Conseguiu ter notícia ou bloquear?”
As conversas sobre a investigação remontam a pelo menos 4 de novembro de 2025. Naquele dia, Vorcaro perguntou ao ministro: “médio a grave seria busca ou quebra de sigilo?”
Em seguida, insistiu: “Mas pedido deferido por parte deles? Algo que dê pra bloquear?”
Segundo investigadores e peritos ouvidos pelo Estadão , as mensagens podem indicar que o banqueiro havia recebido informações sobre possíveis medidas cautelares. Vorcaro também escreveu: “Só vai saber qdo ele chamar né”.
Outros diálogos encontrados no celular de Vorcaro e publicados pelo Estadão mostram que Walfrido Warde, advogado do banqueiro à época, manteve contato telefônico com o juiz horas antes da prisão. “Estamos infernizando o cara” , disse Warde a Vorcaro.
Ainda naquele dia, o banqueiro disse que uma eventual medida contra ele poderia comprometer seus negócios: “conseguem medida contra agora, vai tudo por água abaixo” . Depois afirmou: “Essa minha maior preocupação”.
Às 19h09, escreveu: “Vou ficar acordado então aqui pra te aguardar.”
Cerca de 1 hora e meia depois, Vorcaro voltou a procurar Moraes:
“Pelo amor de Deus, veja se você consegue bloquear toda maldade. Como eu disse não temos nada, nem o Banco Central abriu sequer um processo administrativo, e eles me auditam todos os dias. Estou pronto pra ir em qualquer um explicar qualquer coisa, mas uma medida drástica agora literalmente quebra o banco de modo irreversível. Se puder me deixe uma mensagem após falar com ele” , escreveu.
Depois acrescentou: “Se fosse possível saber o que é, entramos imediatamente”.
Em 6 de novembro, Vorcaro enviou uma série de perguntas a Moraes: “Como estamos aí? Conseguiu bloquear a maldade? Isso é Brasília? Sabe o tema? Está seguro ou tem que entrar agora urgente?”
O banqueiro também mencionou uma iniciativa de seu então advogado, o criminalista Pierpaolo Cruz Bottini, para tentar levar o caso a determinada vara.
“Ele disse que teria que justificar pq estaria pedindo tá. Eu falei pra fazer de toda forma” , escreveu.
Depois, acrescentou: “O Píer acha que se entrar do nada pode acelerar algo, sem justificativa. Ele fez pedido macro, e acredita que vão jogar pra essa vara. O que acha?”
Bottini foi procurado pelo Estadão e não se manifestou.
Em 7 de novembro, Vorcaro afirmou não ter “qualquer preocupação para tratar da parte técnica” da investigação. Disse, porém, que o “problema de tudo só é se sair algo mesmo” . Também escreveu: “Amanhã vamos ver se conseguimos puxar do lado de cá”.
Na manhã de 17 de novembro, Vorcaro informou a Moraes que “estava tentando antecipar investidores” para concluir parte da negociação envolvendo o Banco Master.
Também disse ter recebido informações de que o caso poderia estar vazando:
“De outro lado, acho que o tema que falamos começou a dar uma vazada, obviamente sem qualquer detalhes. Mas a turma do brb me disse que tá tendo um movimento de sacanagem do caso. E que a mesma jornalista de antes estava fazendo perguntas lá. Se vazar algo será péssimo mas pode ser um gancho pra entrar no circuito do processo.”
A menos de 24 horas de ser preso, escreveu: “Se tiver alguma novidade vamos falar”.
O material obtido pelos investigadores não permite reconstruir integralmente os diálogos entre Vorcaro e Moraes.
Segundo o Estadão , os 2 utilizavam mensagens em modo de visualização única. Vorcaro fazia capturas de textos escritos no aplicativo de notas e as enviava ao ministro. Por causa desse método, a extração do celular recuperou mensagens enviadas pelo banqueiro, mas não necessariamente as respostas de Moraes.
A investigação sobre o Banco Master tramitava inicialmente na 1ª Instância e foi enviada ao STF em dezembro de 2025 por determinação do ministro Dias Toffoli, depois da identificação de transações imobiliárias envolvendo Vorcaro e o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), que tem foro privilegiado. Posteriormente, Toffoli deixou a relatoria, assumida pelo ministro André Mendonça.
Vorcaro voltou a ser preso em 4 de março de 2026. Antes disso, havia sido solto em 29 de novembro de 2025 por decisão da Justiça Federal.
O Poder360 procurou Alexandre de Moraes e a defesa de Daniel Vorcaro para comentar as mensagens. O espaço permanece aberto para manifestação.
Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-justica/leia-conversas-de-vorcaro-com-moraes-antes-de-prisao/.

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