Política

    Leia a cronologia da crise sem precedentes na história do STF

    Plenário julga se investiga ou não o ministro Alexandre de Moraes; conduta de André Mendonça será julgada em 23 de setembro

    Poder360
    15 de setembro de 2026 às 09:00
    Leia a cronologia da crise sem precedentes na história do STF
    O Poder360 preparou um infográfico com a linha do tempo dos episódios da crise — Foto: Poder360

    Plenário julga se investiga ou não o ministro Alexandre de Moraes; conduta de André Mendonça será julgada em 23 de setembro

    O Supremo Tribunal Federal vive uma crise sem precedentes na sua história. Nesta 3ª feira (15.set.2026), o plenário da Corte julga se abre ou não uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por sua relação com o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro .

    No sábado (12.set), o presidente do Supremo, Edson Fachin, negou o pedido de Moraes para também julgar na sessão desta 3ª feira (15.set) a conduta do ministro André Mendonça –que será julgado em outra sessão, em 23 de setembro.

    Fachin assumiu a investigação que apura as conversas entre Moraes e Vorcaro –com isso, vai conduzir o julgamento desta 3ª feira (15.set)
    Fachin assumiu a investigação que apura as conversas entre Moraes e Vorcaro –com isso, vai conduzir o julgamento desta 3ª feira (15.set) — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    No mesmo dia, Fachin assumiu a investigação que apura as conversas entre Moraes e Vorcaro –com isso, vai conduzir o julgamento desta 3ª feira (15.set). Também determinou que os inquéritos relacionados aos casos Master e INSS fiquem suspensos na Presidência, mas sem retirar a relatoria de Mendonça.

    O Poder360 preparou um infográfico com a linha do tempo dos episódios da crise. Veja:

    A Polícia Federal entregou em 27 de agosto a Mendonça um relatório de inteligência produzido a partir da análise do celular de Vorcaro. O documento, com 218 páginas, reuniu mensagens, registros de chamadas, arquivos e outros dados encontrados no aparelho do banqueiro.

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    Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    Paralelamente, policiais federais produziram relatórios de inteligência sobre a atuação de Mendonça nas investigações relacionadas às operações Sem Desconto e Compliance Zero . Os documentos analisavam medidas adotadas pelo ministro na condução dos procedimentos e indicavam possíveis irregularidades.

    Segundo a própria PF, os relatórios tinham caráter de inteligência e não eram peças acusatórias nem possuíam valor probatório. Ainda assim, posteriormente, Moraes utilizou as informações para fundamentar o pedido de investigação contra Mendonça. Leia a íntegra do relatório da PF sobre a atuação de André Mendonça .

    Em 1º de setembro, Mendonça determinou a retirada do sigilo da ação que reunia o relatório da PF e outros documentos relacionados à investigação sobre Vorcaro. O ministro decidiu que o conteúdo poderia ser analisado publicamente pelo plenário.

    Entre os elementos analisados estavam conversas de Vorcaro com autoridades e pessoas próximas ao poder. A PF identificou, inclusive, um contato salvo no celular como “Alexandre de Moraes BRASILIA” e localizou mensagens trocadas entre Vorcaro e esse número. Leia as íntegras de documentos que revelam relação de Moraes com Vorcaro .

    A decisão abriu caminho para a divulgação das mensagens e dos documentos que mostravam contatos entre Vorcaro e Moraes. O material também tinha referências a outras autoridades e integrantes do Judiciário.

    No mesmo dia, a Procuradoria Geral da República pediu a nulidade do procedimento.

    A crise entre os ministros escalou em 3 de setembro. Moraes pediu que Mendonça fosse investigado no inquérito das fake news por abuso de autoridade .

    Na decisão, Moraes afirmou haver “fortes indícios” de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na atuação de Mendonça como relator de investigações relacionadas às operações Sem Desconto e Compliance Zero.

    Segundo Moraes, Mendonça teria direcionado investigações contra ministros do STF, incluindo o próprio Moraes, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux e Nunes Marques.

    Diante do embate entre os 2 ministros, o presidente do Supremo, Edson Fachin, determinou que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, prestassem informações sobre o caso em 5 dias.

    A decisão abriu um procedimento específico para analisar os acontecimentos relacionados à investigação do Banco Master e à atuação dos ministros.

    Em 4 de setembro, Fachin decidiu retirar do inquérito das fake news o pedido de Moraes para investigar Mendonça.

    O presidente do Supremo determinou que o caso fosse incluído no mesmo procedimento aberto para analisar o relatório da PF que mostra a relação de Moraes com Vorcaro.

    Horas depois da decisão, Fachin afirmou que os acontecimentos recentes reforçavam a urgência de encerrar a investigação.

    Em evento no Palácio do Planalto, colocou o fim do inquérito das fake news entre as 3 prioridades de sua gestão. Também afirmou que a resposta à crise seria “firme, proporcional e rigorosa” e sem “precipitação, tampouco omissão” .

    Em 8 de setembro, Mendonça determinou o afastamento temporário de Andrei Rodrigues do comando da corporação. Afirmou haver indícios de que a PF produziu relatórios paralelos sobre sua atuação no caso Banco Master, prática que classificou como “arapongagem institucional” .

    Na 1ª Turma, Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques votaram para manter o afastamento , formando maioria. Gilmar Mendes pediu vista e interrompeu a análise.

    No mesmo dia, a Advocacia Geral da União recorreu da decisão de Mendonça.

    Em 9 de setembro, o ministro Flávio Dino determinou que Andrei fosse reintegrado ao cargo.

    Ainda em 9 de setembro, Fachin tomou uma série de decisões para reorganizar a condução dos processos que estão no centro da crise entre integrantes da Corte.

    Em poucas horas, Fachin retirou Moraes do comando do inquérito das fake news, suspendeu as decisões conflitantes de Mendonça e Dino sobre Andrei e pautou a sessão extraordinária desta 3ª feira (15.set).

    Em 10 de setembro, Fachin pediu a retirada do sigilo do caso Master antes do julgamento desta 3ª feira (15.set). No mesmo dia, Mendonça atendeu ao pedido e divulgou 15 procedimentos ligados às investigações.

    Em 11 de setembro, o presidente do Supremo pediu que Mendonça liberasse o sigilo de todos os documentos . O ministro, então, determinou a retirada de outros 39 procedimentos envolvendo os casos “Dark Horse” , Ciro Nogueira (PP-PI), Jaques Wagner (PT-BA) e Cláudio Castro (PL-RJ).

    A disputa sobre o acesso aos documentos do caso Master também envolve os dados extraídos do celular de Vorcaro. Moraes, Zanin e Gilmar pediram acesso integral ao material antes da sessão de 3ª feira.

    No domingo (13.set), a PF informou a Fachin que tinha condições de fornecer imediatamente aos ministros cópias idênticas dos dados extraídos do aparelho, sem prejuízo à cadeia de custódia, caso houvesse autorização da Presidência da Corte.

    Horas depois, Zanin determinou que o material fosse entregue ao seu gabinete até as 23h de domingo.

    Mendonça, por sua vez, afirmou que retirar o sigilo de todo o conteúdo do celular de Vorcaro poderia “tumultuar” o julgamento. O ministro disse que todo o material necessário para a sessão de 3ª feira já foi disponibilizado aos integrantes da Corte.

    Na 2ª feira (14.set), a PF entregou aos gabinetes de Zanin, Gilmar e Moraes a cópia dos dados extraídos do celular do fundador do Master.

    No domingo (13.set), Moraes pediu o levantamento do sigilo da investigação sobre os pagamentos do Master e afirmou que o processo contém “elementos essenciais” para a sessão extraordinária.

    Na 2ª feira (14.set), a PGR defendeu a divulgação do procedimento. Horas depois, Fachin pediu a Mendonça para levantar o sigilo –solicitação atendida pelo ministro. Os documentos fazem parte de uma outra frente de investigação e mostram pagamentos feitos por Vorcaro e pelo Master.

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-justica/leia-a-cronologia-da-crise-sem-precedentes-na-historia-do-stf/.

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    Fachin assumiu a investigação que apura as conversas entre Moraes e Vorcaro –com isso, vai conduzir o julgamento desta 3ª feira (15.set) — Foto: Poder360

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