"Legendário da bomba" preso receitava anabolizantes para marombeiros do DF
Conhecido nas redes e dono de clínica na Asa Norte é um dos alvos da maior operação do ano contra o mercado underground de anabolizantes

Preso durante a deflagração da Operação Narciso , o biomédico Eduardo Vieira Euzébio era uma figura de grande visibilidade nas redes sociais e nos meios de estética da capital federal. Conhecido como o “gigante da estética”, ele acumula milhares de seguidores, é proprietário de uma renomada clínica na Asa Norte e ministrava cursos da área em Brasília e em diversas unidades da Federação.
Nas redes sociais, Eduardo ostentava uma rotina intensa de atendimentos, publicava dicas de beleza e até relatava suas experiências com o grupo conhecido como “Legendários”. O biomédio chegou a fazer algumas publicações sobre sua experiência nos dias em que “vestiu laranja”, cor dos legendários .
O grupo é um movimento cristão voltado exclusivamente para homens, fundado em 2015 na Guatemala e presente no Brasil desde 2018. A organização promove retiros de 72 horas em áreas de natureza intensa conhecidos como TOP ( Track Outdoor Potential ), que combinam esgotamento físico, isolamento e “pregações religiosas para redefinir o papel do homem na família’.

Veja imagens do “Legendário das bombas”:
Mais recentemente, o biomédico informava aos seus seguidores estar cursando medicina na Bolívia. Contudo, por trás da imagem de profissional de sucesso e mentor estético, as investigações da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) revelaram uma engrenagem obscura e perigosa.
Ao longo da apuração conduzida pela Divisão de Defesa do Consumidor da Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Corf), ficou demonstrado que Eduardo atuava diretamente como intermediador de laboratórios clandestinos underground.

Ele adquiria lotes de medicamentos e anabolizantes ilegais para repassar à sua clientela, formada em sua maioria por mulheres. O biomédico não apenas negociava os produtos e fazia a propaganda dos esteroides junto às pacientes, mas também prestava serviços de aplicação das substâncias, mesmo sabendo da procedência totalmente clandestina e sem qualquer controle sanitário.
A Operação Narciso foi deflagrada pela PCDF nas primeiras horas de quarta-feira (12/8) e é considerada a maior ação do ano contra o comércio ilegal de anabolizantes e substâncias proibidas no Brasil. A investigação revelou uma complexa engrenagem criminosa voltada à fabricação caseira, fornecimento de insumos, rotulagem, divulgação e comercialização de anabolizantes, medicamentos controlados, produtos veterinários e suplementos com substâncias ocultas.
O esquema contava com conexões em oito estados além do DF (Santa Catarina, Acre, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Norte, Paraíba e Minas Gerais) e uma ponte direta com a fabricação clandestina no Paraguai.

Ao todo, a Justiça expediu 43 mandados de prisão (preventivas e temporárias) e 64 de busca e apreensão, além de determinar o bloqueio de R$ 32 milhões em ativos financeiros e a quebra de sigilo bancário de 58 alvos. Mais de 20 estabelecimentos foram lacrados, 10 veículos de luxo apreendidos e mais de 30 sites de venda tirados do ar. A organização contava com a participação de nutricionistas, biomédicos, veterinários, personal trainers e influenciadores digitais.
Dinheiro que estava na casa de um dos investigados
Megaoperação da PCDF contra comércio clandestino de

De acordo com as investigações conduzidas pelo delegado Rodrigo Carbone, o coração do esquema operava sob o termo “cozimento”: a fabricação artesanal de substâncias injetáveis e orais em fundos de quintal, cozinhas residenciais e depósitos improvisados, em fogo alto e sem qualquer assepsia.
Para maximizar os lucros, os criminosos misturavam insumos importados da Índia, China e Paraguai a óleo de cozinha comum e óleos de semente de uva e arroz manipulados sem esterilidade.
Substâncias Ocultas e Efeitos Deletérios à Saúde:

O delegado Rodrigo Carbone afirmou que os alvos são tratados como traficantes de drogas: “Não estamos falando só de comercialização de esteroides e sim do universo underground que representa 80% do mercado. Essa operação combate o submundo de laboratórios clandestinos. Os alvos de hoje são verdadeiros traficantes.”
A organização movimentava milhões e ostentava veículos das marcas Porsche, Audi e Mercedes, além de moradias em condomínios fechados em Águas Claras e viagens internacionais. Para lavar o dinheiro ilícito, o grupo utilizava:
A apuração teve origem na Operação Béquer (fevereiro do ano passado), após busca no apartamento de Carlos Henrique Rodrigues de Abreu, onde funcionava um laboratório residencial associado a Fellipe Dias e Felipe Semani (criadores das marcas AlphaLabs, Mega Burner e Libid Up). O mapeamento revelou marcas underground como HydraPharmace, Skullredlab, Sypharma, Eurolabs, New Science, GC e Yellow B.

No marketing, o laboratório New Science, gerenciado por Roberto Carlos, o “Jiraya”, financiava atletas e influenciadores digitais (incluindo o personal trainer do ex-sem-teto Givaldo Alves e Eduardo, atleta envolvido no mesmo caso de repercussão).
Na fronteira, a dupla Elisangela Acosta e Jorge Luiz Roa ocultava insumos dentro de peças mecânicas de motocicletas em Foz do Iguaçu para distribuição nacional. Enquanto isso, Jiraya gerenciava o esquema a partir de um bunker em Ciudad del Este, faturando R$ 500 mil líquidos por mês e ostentando em hotéis e resorts de alto padrão no Chile.














Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/distrito-federal/na-mira/legendario-da-bomba-preso-receitava-anabolizantes-para-marombeiros-do-df.

“Legendário da bomba” preso receitava anabolizantes para marombeiros do DF — Foto: Metrópoles
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