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    Leão Serva lembra em livro histórias 'no meio do turbilhão'

    Na noite de 13 de setembro de 2022, o então diretor de jornalismo da TV Cultura, Leão Serva , deixava o Memorial da América Latina, em São Paulo, quando foi avisado que José Roberto Maluf, presidente da emissora na época, queria falar com ele. Leia mais (09/20/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    21 de setembro de 2026 às 02:00
    Leão Serva lembra em livro histórias 'no meio do turbilhão'
    Foto: Folha de S.Paulo

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    Na noite de 13 de setembro de 2022, o então diretor de jornalismo da TV Cultura, Leão Serva , deixava o Memorial da América Latina, em São Paulo, quando foi avisado que José Roberto Maluf, presidente da emissora na época, queria falar com ele.

    O jornalista e escritor Leão Serva em evento em agosto deste ano em São Paulo - Ronny Santos/27.ago.2026/Folhapress · Ronny Santos/27.ago.2026/Folhapress
    O jornalista e escritor Leão Serva em evento em agosto deste ano em São Paulo - Ronny Santos/27.ago.2026/Folhapress · Ronny Santos/27.ago.2026/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Serei demitido?, pensou Leão. Não foi. "Você jogou o celular do deputado longe! Como eu te invejo", disse Maluf, rindo.

    Alguns minutos antes, o público no Memorial havia testemunhado uma das passagens mais insólitas do noticiário político daquele ano.

    Depois do debate entre os candidatos ao governo do estado de São Paulo, o bolsonarista Douglas Garcia começou a ofender a jornalista Vera Magalhães. Segurava o celular com a mão esquerda elevada, em posição de selfie. "Vergonha para o jornalismo brasileiro!", repetia Garcia. "Pau mandado", respondia Vera.

    Datena dá uma cadeirada em Marçal durante debate entre candidatos à Prefeitura de São Paulo na TV Cultura, em 2024 - Reprodução TV Cultura · Reprodução TV Cultura
    Datena dá uma cadeirada em Marçal durante debate entre candidatos à Prefeitura de São Paulo na TV Cultura, em 2024 - Reprodução TV Cultura · Reprodução TV Cultura — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    De repente, Leão se aproximou, arrancou o celular das mãos do deputado estadual e jogou o aparelho em uma parte vazia da plateia.

    O registro de apenas sete segundos viralizou rapidamente . Ao se deitar naquela noite, Leão tinha pouco mais de mil seguidores no Instagram; quando acordou, eram 21 mil.

    A cena do celular "em modo avião", como descreveu um dos memes, é detalhada em um dos capítulos de "Como se Proteger de uma Granada", novo livro de Leão. A publicação tem lançamento nesta segunda (21) em São Paulo.

    Homem de meia-idade com cabelo curto e grisalho, usando óculos redondos e camiseta preta, está em primeiro plano. Ao fundo, parede iluminada em vermelho com texto desfocado que diz 'Onde você está?'.
    Homem de meia-idade com cabelo curto e grisalho, usando óculos redondos e camiseta preta, está em primeiro plano. Ao fundo, parede iluminada em vermelho com texto desfocado que diz 'Onde você está?'. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Professor de ética jornalística na ESPM e pesquisador no departamento de antropologia da USP, Leão, 66, já ocupou funções de comando em veículos como a revista Placar e os extintos Notícias Populares e Jornal da Tarde. Cobriu conflitos em países como Bósnia e Somália pela Folha , em que foi secretário de Redação, e lançou livros como "Jornalismo e Desinformação" .

    "Como se Proteger…" não busca reconstituir essa experiência de quase cinco décadas. Leão se concentra nas situações em que atuou sob pressão. Como diz o subtítulo, "sobrevivência em um mundo de guerras, disputas políticas e redes sociais".

    O livro não foi escrito "no diapasão do professor de ética, mas no de um cronista no meio do turbilhão", ele afirma.

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    Em 2024, quando era correspondente da TV Cultura em Londres, Leão foi chamado pela direção da emissora para mediar outro debate, desta vez entre os candidatos a prefeito de São Paulo.

    Tudo ia bem até o terceiro bloco. Depois de uma série de ataques disparados por Pablo Marçal (PRTB), José Luiz Datena (na época no PSDB, hoje no PSB) deu uma cadeirada no adversário, atingindo a mão e as costas dele. Embora não fosse protagonista do momento mais comentado da noite, o mediador voltou a figurar nos memes.

    O contador de histórias prevalece ao longo das 120 páginas, mas Leão também reflete sobre os episódios narrados. O livro reproduz um artigo dele publicado na Folha uma semana depois da cadeirada. "Por que continuamos chamando figuras como Trump, Bolsonaro e Marçal para debates?", questionava. "A democracia precisa se proteger das ‘legiões’, e o jornalismo deve fazer o mesmo em seu microcosmo."

    BRASILIA, DF,  BRASIL,  05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
    BRASILIA, DF, BRASIL, 05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em seguida, o livro destaca trechos das colunas de Joel Pinheiro da Fonseca e Wilson Gomes , também no jornal. Ambos divergiram de Leão. "Uma democracia que precise ser protegida de um candidato através do veto a um candidato com 20% das intenções merece realmente esse nome?", indagava Gomes.

    Os choques de adrenalina saltam da arena política para o jornalismo de guerra. O autor lembra, por exemplo, a cobertura dos conflitos de Angola, em 1992. Sob ameaça de integrantes da Unita (União Nacional para a Independência Total de Angola), o motorista que conduzia Leão e outros jornalistas pelas estradas do país africano quase levou um tiro na cabeça.

    Leão admite, aliás, que o despreparo dele e de colegas naquela cobertura contribuiu para botar em risco a vida do motorista.

    "Anos depois, me dei conta de que tive uma síndrome de estresse pós-traumático por conta das guerras que cobri", diz. Os sintomas ligados a essa condição são discutidos por ele na publicação.

    O livro chega ao fim rememorando um episódio em chave menos trágica e mais cômica –ao menos quando visto hoje, 25 anos depois.

    Em 2001, quando Leão dirigia o jornal do portal iG, a empresa decidiu promover o Dia da Boa Notícia. Na data marcada, 11 de setembro, todos estavam mobilizados para botar no ar uma sucessão de registros positivos quando um avião atingiu o World Trade Center, em Nova York. Dezessete minutos depois, outro.

    O Dia das Boas Notícias durou poucas horas. Como disse um colega da equipe de Leão, "vamos fazer jornal porque os leitores querem ler a notícia".

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/leao-serva-lembra-em-livro-historias-no-meio-do-turbilhao.shtml.

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    O jornalista e escritor Leão Serva em evento em agosto deste ano em São Paulo - Ronny Santos/27.ago.2026/Folhapress · Ronny Santos/27.ago.2026/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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