Laudo complementar afasta hipótese de suicídio no caso da soldado Gisele Santana
Um novo documento anexado ao processo de investigação da morte da soldado Gisele Alves Santana, 32 , afirma que elementos identificados no apartamento em que ela foi encontrada baleada na cabeça, em 18 de fevereiro, afastam a hipótese de suicídio. Leia mais (09/03/2026 - 17h30)

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Um novo documento anexado ao processo de investigação da morte da soldado Gisele Alves Santana, 32 , afirma que elementos identificados no apartamento em que ela foi encontrada baleada na cabeça, em 18 de fevereiro, afastam a hipótese de suicídio.

A informação consta no laudo complementar de 15 páginas a que a reportagem teve acesso e produzido pelo Núcleo de Perícias em Crimes Contra Pessoa, do Instituto de Criminalística, elaborado a pedido da defesa do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, 54, preso sob suspeita de feminicídio .
Ele, que pediu aposentadoria após o caso, é acusado de assassinar a esposa e simular um suicídio. O oficial nega o crime.
A defesa de Neto, feita pelo advogado Eugênio Malavasi, havia encaminhado uma série de questionamentos à perita responsável pelo caso, em razão dos laudos produzidos por ela anteriormente. As respostas, também em forma de laudo, foram enviadas na terça-feira (1º).

Um dos questionamentos da defesa pedia que a perita descrevesse quais vestígios materiais constituíram os elementos técnicos determinantes utilizados para a reconstrução da dinâmica do crime, de modo a diferenciar um evento homicida de um suicida.
Em resposta, a perita Amanda Rodrigues Marinone afirmou que "todos os elementos materiais foram considerados no teste de hipóteses, e nenhum deles permitiu descartar a hipótese de intervenção de uma segunda pessoa no evento morte em estudo".
Ela acrescentou que "a mesma interpretação não é possível para a outra hipótese averiguada: a avaliação do conjunto de padrões de manchas e demais elementos objetivos identificados no local contradiz a hipótese de evento suicida".

Segundo Amanda, a perícia criminal não pode ignorar elementos materiais observados e documentados para atender a uma determinada hipótese.
"O esclarecimento citado não autoriza a conclusão de que as análises ignoraram vestígios conhecidos, de modo que o exame das manchas de sangue não ocorreu de maneira isolada ou desvinculada dos demais elementos de interesse pericial documentados e observados."
Gisele foi morta com um tiro na cabeça no apartamento onde morava, no Brás (região central de São Paulo ). Na ocasião, Neto estava na residência e, ao comunicar a ocorrência, afirmou que a esposa havia cometido suicídio.
Detalhes como a posição de manchas de sangue, marcas de agressão no seu rosto, que foram confirmadas por exame complementar, após exumação do corpo, e as contradições no depoimento do marido foram as principais provas para que a Justiça determinasse a prisão do tenente-coronel .
Neto desrespeitou uma ordem para que ele não tomasse banho , algo importante para a preservação de provas, já que poderia haver vestígios de sangue em seu corpo. A perícia apontou que ele teria atirado na cabeça de Gisele, alterado a posição do corpo e colocado a arma na mão do cadáver. Após a prisão de Neto, a defesa do tenente-coronel afirmou que a ordem da Justiça Militar foi ilegal, pois foi proferida por autoridade que não tem competência para julgar crimes comuns como feminicídio. Em abril, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu que o caso terá julgamento em uma vara do júri .
O advogado afirmou na ocasião que houve divulgação de informações da vida privada de Neto "muitas vezes por meio de conteúdos descontextualizados, ocasionando exposição indevida e repercussões que atingem sua honra e dignidade".
No final de agosto, o ministro do STJ Reynaldo Soares da Fonseca manteve a prisão preventiva de Neto.
Fonseca, que é o relator de um pedido de habeas corpus, disse que a manutenção da prisão é necessária pelo risco de interferência na produção das provas e dos indícios de que o tenente-coronel teria tentado eliminar vestígios e alterar o local onde Gisele foi encontrada morta.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/laudo-complementar-afasta-hipotese-de-suicidio-no-caso-da-soldado-gisele-santana.shtml.

Gisele Alves Santana, 32, soldado da Polícia Militar encontrada morta em São Paulo - Reprodução/Redes sociais · Reprodução/Redes sociais — Foto: Folha de S.Paulo
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