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    Lanterna Verde, na HBO, vai às profundezas da América e revê mitos dos super-heróis

    Tropa espacial da DC Comics espelha conflitos étnicos em série

    UOL
    16 de agosto de 2026 às 08:00
    Lanterna Verde, na HBO, vai às profundezas da América e revê mitos dos super-heróis
    Foto: UOL

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    Aaron Pierre e Kyle Chandler em cena de 'Lanternas', série da HBO Max - Divulgação

    Aaron Pierre e Kyle Chandler em cena de 'Lanternas', série da HBO Max - Divulgação · Divulgação
    Aaron Pierre e Kyle Chandler em cena de 'Lanternas', série da HBO Max - Divulgação · Divulgação — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "No dia mais claro, na noite mais densa, o mal sucumbirá ante a minha presença. Aquele que venera o mal há de penar, quando o poder do Lanterna Verde enfrentar", diz Hal Jordan ao recarregar o seu anel, artefato que permite aos lanternas verdes conjurar qualquer objeto.

    O personagem de Kyle Chandler, uma versão grisalha do super-herói que já lutou junto da Liga da Justiça , proclama o juramento com a voz cansada, como se a frase tivesse perdido seu sentido. É que os tempos mudaram, e o uniforme luminoso, que já apareceu na televisão e no cinema, afirma ele, agora só aparece em ocasiões especiais.

    Não é o caso da investigação que ele conduz ao lado do pupilo, o ex-militar John Stewart, interpretado por Aaron Pierre , no interior dos Estados Unidos. É nas profundezas do país que "Lanternas" repensa a tropa intergaláctica da DC Comics , que nesta série enfrenta conflitos raciais e aliens que se transformam em humanos.

    Aaron Pierre e Kyle Chandler em cena da série 'Lanternas', da HBO Max - Divulgação · Divulgação
    Aaron Pierre e Kyle Chandler em cena da série 'Lanternas', da HBO Max - Divulgação · Divulgação — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Criado em 1940, o grupo de seres corajosos sempre esteve ligado à geopolítica. Seu primeiro terráqueo, o americano Alan Scott, por exemplo, derrotou nazistas durante a Segunda Guerra e passou o manto para Hal, um aviador que pilotou aeronaves de última geração na Guerra Fria .

    John, por sua vez, surgiu no início dos anos 1970, quando a efervescência causada por mortes como a de Martin Luther King fez dele um dos primeiros protagonistas negros da DC. Distante de antecessores, suas tramas priorizaram tensões urbanas e ele não vestia máscaras —não tinha o que esconder e se orgulhava de sua cor, como afirmava.

    "Não estamos promovendo nenhuma agenda ' woke ' ao falar sobre como a cor influencia a ascensão ao poder", diz Damon Lindelof , um dos criadores da série. "Hal foi simplesmente escolhido pelo anel, mas John, um homem negro nascido nos Estados Unidos, enfrenta vários obstáculos."

    Confira cenas da série 'Lanternas', que chega à HBO Max
    Confira cenas da série 'Lanternas', que chega à HBO Max — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A atração, que chega à HBO Max neste domingo, leva os personagens —o homem inconsequente que teme perder o posto e o jovem disciplinado e destemido— para uma pequena cidade onde assassinatos inexplicáveis anunciam uma guerra entre espécies.

    De um lado, latifundiários vestidos como caubóis desenvolvem tecnologias para enfrentar a invasão de outro planeta. Do outro, criaturas roubam identidades alheias e se aproveitam de mazelas humanas para firmar seu domínio.

    "Tudo gira em torno da ideia de que quem detém o poder herda um legado institucional", diz Lindelof. "Acreditamos viver em democracias modernas, mas não nos livramos do direito de nascença de ' Game of Thrones '. Vemos o sobrenome Kennedy voltar ao Congresso, e basta lembrar que o filho de George Bush o sucedeu na presidência."

    Confira cenas do filme 'Lanterna Verde', estrelado por Ryan Reynolds
    Confira cenas do filme 'Lanterna Verde', estrelado por Ryan Reynolds — Foto: UOL · Fonte: UOL

    São disputas simbólicas que o roteirista já explorou na minissérie " Watchmen ", inspirada em outro universo da DC. Lançado em 2019, o trabalho, uma continuação à saga do gibi, tornou-se a primeira adaptação de uma HQ a levar troféus principais no Emmy .

    O "Watchmen" original, de Alan Moore e Dave Gibbons, acompanha justiceiros que, num mundo alternativo, ajudaram o Exército americano a vencer a Guerra do Vietnã . Ambientado em 1985, o gibi vê a morte misteriosa de alguns dos mascarados, agressivos e, em certos casos, eugenistas, a iminência de uma guerra nuclear e um deus que quer virar as costas para a humanidade.

    Décadas depois, a minissérie de Lindelof retrata a ascensão de supremacistas brancos em Tulsa , cidade onde ocorreu um massacre racial em 1921, e esforços de uma vigilante negra que flerta com habilidades daquela divindade.

    Confira cenas da série 'Watchmen', de Damon Lindelof
    Confira cenas da série 'Watchmen', de Damon Lindelof — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Na época, fãs do quadrinho se dividiram entre os que aclamaram a adaptação e os que a atacaram com falas racistas e misóginas. "Lanternas" deve enfrentar uma reação semelhante, já que, desde os trailers, muitos criticaram a falta de cenas de ação, as cores tímidas dos efeitos visuais e, no geral, a escolha de retratar os guerreiros espaciais com os pés no chão.

    Embora o traje já tenha tido vários donos em animações e HQs da DC —de personagens como um libanês e uma mexicana, perseguidos por suas origens, até ETs—, os filmes e os seriados desse universo audiovisual só conhecem as versões caricatas dos patrulheiros.

    Em 2011, o resultado foi desastroso na pele de Ryan Reynolds , cujo Hal Jordan falastrão destoou do aviador sério e virou uma piada na carreira do ator, com uma trama didática e cheia de efeitos amadores.

    Aaron Pierre e Kyle Chandler em cena de
    Aaron Pierre e Kyle Chandler em cena de — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Já no ano passado, quando James Gunn lançou o seu "Superman", o lanterna Guy Gardner virou o alívio cômico da produção, com jeito arrogante e uma peruca loira ridicularizada por todos.

    Agora, Lindelof, o produtor Chris Mundy , de " True Detective " e o quadrinista Tom King —cujas histórias incluem a que inspirou o recente " Supergirl ", em que a heroína vai ao espaço para resgatar garotas escravizadas sexualmente— subvertem a mitologia desses policiais da galáxia.

    "Hoje, super-heróis são os mais próximos que temos dos antigos deuses", diz Lindelof. "A diferença é que, em épocas como o antigo Egito, deuses não eram histórias, mas sistemas de crença. Todos sabemos que super-heróis não são reais. Eles carregam conflitos humanos, e é por isso que nos conectamos com eles."

    Aaron Pierre e Kyle Chandler em cena da série 'Lanternas', da HBO Max
    Aaron Pierre e Kyle Chandler em cena da série 'Lanternas', da HBO Max — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Desde as primeiras revistas, em vez de nascerem com talentos surreais, os lanternas são eleitos por um conselho celestial, que avalia níveis de coragem e perseverança, mas não entende a desigualdade entre classes sociais e grupos étnicos.

    Na série, a seleção lembra a ideia do "destino manifesto". O conceito histórico, usado por americanos para colonizar outros povos, diz respeito a uma nação elevada, escolhida por Deus, que levará o mundo ao seu progresso.

    Autor de HQs que exploram cicatrizes desses sistemas, King serviu à CIA antes de se juntar à DC. Ele decidiu se alistar na agência americana após o 11 de Setembro .

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    Hoje, vê nas páginas uma forma de expurgar dores e criticar a violência. É o caso do aclamado "Senhor Milagre", que decifra a mente de um protagonista criado entre guerras espaciais, e "Heróis em Crise", gibi sobre uma clínica voltada a super-heróis traumatizados.

    Recentemente, apesar de Hollywood ter retraído as críticas a Donald Trump , protestos têm denunciado o ICE , serviço de imigração que vem perseguindo estrangeiros. No fim de maio, o governo lançou um site que atribui o termo " alien " a imigrantes em situações irregulares.

    "Quero escrever sobre o mundo ao meu redor e sobre nossa realidade", diz King. "É a responsabilidade de um artista. Se não escrevo de forma verdadeira, sinto que estou decepcionando o público."

    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor
    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor — Foto: UOL · Fonte: UOL

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/08/lanterna-verde-na-hbo-vai-as-profundezas-da-america-e-reve-mitos-dos-super-herois.shtml.

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