Lançamento da Netflix faz buscas por Elize Matsunaga crescerem no exterior
Elize Matsunaga não é assunto novo ao público ou às telinhas. Desde o crime de 2012 , a figura da técnica de enfermagem se tornou objeto de curiosidade nacional, se transformando em livro , documentário , série e, mais recentemente, no filme " Elize: Sombras de uma Mulher ", uma versão ficcional inspirada no caso. Leia mais (08/31/2026 - 08h00)

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Elize Matsunaga não é assunto novo ao público ou às telinhas. Desde o crime de 2012 , a figura da técnica de enfermagem se tornou objeto de curiosidade nacional, se transformando em livro , documentário , série e, mais recentemente, no filme " Elize: Sombras de uma Mulher ", uma versão ficcional inspirada no caso.

A obra da Netflix acompanha Elize após conhecer o empresário Marcos Matsunaga, herdeiro da empresa alimentícia Yoki, e mostra a rotina do casal até o crime de 20 de maio de 2012. Lorena Comparato e Henrique Kimura dão vida aos protagonistas, interpretando Elize e Marcos.
Com o lançamento do longa, o interesse pelo caso cresceu novamente, não se restringindo às fronteiras nacionais . Segundo dados do Google Trends, as buscas por "Elize Matsunaga" atingiram picos históricos em países como México, Reino Unido e Canadá
A professora do Instituto de Psicologia da USP Aline Souza Martins diz que "esse é um fenômeno que não acontece só no Brasil. Em vários países, existem histórias em torno desses crimes que viram crimes midiáticos". A pesquisadora diz que, no caso de Elize, a brutalidade do crime, normalmente associada à figura masculina, é o que desperta o interesse do público por subverter a ideia do que se espera desse tipo de um caso. "É uma história que também tem a ver com uma violência doméstica. Geralmente, a mulher é a vítima da violência e, nesse caso, você tem uma mulher que exerce uma agressividade muito grande dentro do relacionamento."

É como se uma mulher não tivesse o direito de exercer agressividade.
Professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo
"Isso significa que a agressividade natural das pessoas, e que muitas pessoas reprimem para poder viver em sociedade, encontra uma satisfação através de uma sublimação desse sentimento agressivo no que elas estão vendo do lado de fora", afirma ela.

O que deve ser tomado com cuidado é, no entanto, a suavização da brutalidade desses acontecimentos, segundo a pesquisadora. Ela diz que especialmente nas redes sociais protagonistas de crimes acabam ganhando uma camada de romantização . Sem perceber, a satirização dessas figuras acaba diminuindo o impacto das brutalidades cometidas a uma mera narrativa distante, desconsiderando a repercussão na vida dos envolvidos.
No caso de Elize, isso se traduz em posts com milhares de curtidas, nos quais a detenta é descrita como "diva" e "ícone". Em outros conteúdos, internautas fazem piadas sobre o esquartejamento de Marcos.
Esse fenômeno não se restringe a ela. Outras mulheres famosas do sistema criminal brasileiro, como Flordelis e Suzane von Richthofen , também compartilham do mesmo tratamento.

Esse fascínio pelos crimes ou por histórias de crimes reais não é novidade ou exclusivo das redes sociais, diz Carol Moreira, apresentadora do podcast de true crime Modus Operandi.
A produção ocupa o primeiro lugar na categoria true crime em podcasts, segundo o Spotify, e acumula mais de 170 mil seguidores no Instagram. Outros canais de crimes reais, como o Quinta Misteriosa, de Jaqueline Guerreiro, e Café com Crime, pioneiro na categoria no Brasil e focado em crimes nacionais, também fazem sucesso entre o público.
"A violência está presente nas nossas vidas e as pessoas acabam falando sobre isso como forma de se proteger", explica Moreira.
Segundo a apresentadora, esse comportamento de personificação e memeficação de criminosos busca abrandar a agressividade dos casos. "As pessoas iam à praça pública ver gente ser desmembrada. A Elize é uma coisa longe, uma mulher que matou o marido. Agora, se foi a sua mãe que matou o marido? Como você iria lidar? É muito diferente quando a história é próxima de você."
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/lancamento-da-netflix-faz-buscas-por-elize-matsunaga-crescerem-no-exterior.shtml.

Lorena Comparato e Henrique Kimura em cena de 'Elize: Sombras de uma Mulher', filme de Felipe Vellas - Alexandre Moreira/Divulgação · Alexandre Moreira/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo
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