Brasil

    Lacração de Lula no JN sobre dívida pública

    O presidente Lula disse na sabatina do Jornal Nacional para as eleições deste ano que não está preocupado com o crescimento da dívida pública em seu terceiro mandato. Mas deveria. Leia mais (08/28/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    29 de agosto de 2026 às 02:00
    Lacração de Lula no JN sobre dívida pública
    Homem de terno preto, camisa branca e gravata escura, usando chapéu bege, está sentado em cadeira preta atrás de mesa cinza em estúdio com fundo azul. Ao fundo, palavra 'ELEIÇÕES' em letras grandes e logo da emissora. — Foto: Folha de S.Paulo

    Jornalista em Brasília, onde acompanha os principais acontecimentos econômicos e políticos há mais de 25 anos

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    Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou nesta quinta-feira (27) da série de entrevistas promovida pela TV Globo com os postulantes ao Palácio do Planalto. - Manoella Mello - 27.ago.26/Divulgação TV Globo · Manoella Mello - 27.ago.26/Divul
    Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou nesta quinta-feira (27) da série de entrevistas promovida pela TV Globo com os postulantes ao Palácio do Planalto. - Manoella Mello - 27.ago.26/Divulgação TV Globo · Manoella Mello - 27.ago.26/Divul — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O presidente Lula disse na sabatina do Jornal Nacional para as eleições deste ano que não está preocupado com o crescimento da dívida pública em seu terceiro mandato. Mas deveria.

    Na tentativa de se desviar da pergunta incômoda sobre a disparada da dívida em 10 pontos percentuais em relação ao PIB (Produto Interno Bruno) no seu terceiro mandato, Lula quis lacrar para cima da apresentadora Renata Vasconcellos, e ficou feio para o presidente.

    "Renata, eu pensei que uma jornalista da tua qualidade, da tua competência, pudesse começar essa pergunta falando diferente: 'Você, por exemplo, presidente Lula, o senhor foi o único presidente na história do Brasil que fez superávit primário durante oito anos do seu primeiro mandato.'"

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O passado não muda a realidade de hoje. O endividamento do setor público chegou a 81,9% do PIB e vai crescer mais até o fim do ano, para 83,6%, de acordo com projeções oficiais. Esse indicador é o mais importante para mostrar a saúde financeira das contas de um país.

    Lula negou o problema, culpou os juros altos e preferiu comparar o tamanho da dívida brasileira com a de países como Estados Unidos, Japão e Itália. A comparação com essas economias serve de retórica, mas não convence.

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    O presidente não ganha mais votos do seu eleitorado cativo mantendo a negação do problema, mas essa postura debilita o trabalho de busca de credibilidade, caso ganhe as eleições e consiga o 4º mandato.

    A fala do presidente mina o esforço dos seus ministros econômicos, Durigan (Fazenda) e Moretti (Planejamento), de sinalizar que essa trajetória será revertida com medidas que poderão ser adotadas para colocar as contas públicas no azul a partir do ano que vem, sem exceções.

    Hoje, o problema crucial para a dívida chama-se trajetória. É matemático. Com o juro real performando muito acima do crescimento do PIB , o esforço primário para estabilizar é muito grande.

    Não adianta dizer que o problema é o juro alto, porque é preciso um esforço fiscal maior para estabilizar a dívida e ajudar o Banco Central a acelerar a queda das taxas.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/adriana-fernandes/2026/08/lacracao-de-lula-no-jn-sobre-divida-publica.shtml.

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    Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou nesta quinta-feira (27) da série de entrevistas promovida pela TV Globo com os postulantes ao Palácio do Planalto. - Manoella Mello - 27.ago.26/Divulgação TV Globo · Manoella Mello - 27.ago.26/Divul — Foto: Folha de S.Paulo

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