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    Laboratório Cristália traz inovação com vacina antitabagismo

    Imunização treina o organismo para capturar a nicotina no sangue e impedir que ela chegue ao cérebro, onde surge o prazer que leva à recaída

    Metrópoles
    3 de setembro de 2026 às 14:27
    Laboratório Cristália traz inovação com vacina antitabagismo
    Foto: Metrópoles

    Acender o primeiro cigarro do dia é, para muita gente, um gesto automático. Em segundos, a nicotina chega ao cérebro e devolve a recompensa que sustenta o hábito. Por isso parar de fumar é fácil de decidir, mas difícil de manter. Diante desse cenário, o Laboratório Cristália apresentou na última quinta-feira (27/8), em Jaguariúna (SP), os resultados preliminares de um projeto inédito no país: uma vacina antitabagismo.

    Durante a coletiva, o professor da Unifesp, José Roberto de Brito Jardim, lembrou que o tabagismo é uma doença de dependência (CID F17). A fumaça do cigarro reúne 7 mil substâncias, das quais ao menos 70 são cancerígenas, segundo o Instituto Nacional do Cãncer (INCA), e está ligada a inúmeras doenças, da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) ao câncer. Nas capitais, 11,5% dos adultos fumavam em 2024, índice estável desde 2019 (Vigitel/Ministério da Saúde), e a reposição de nicotina com psicoeducação alcança no máximo 50% de sucesso.

    A Organização Mundial da Saúde estima que o tabaco cause 8 milhões de mortes por ano . E a recaída é regra: 85% das pessoas que tentam largar o cigarro voltam a fumar no primeiro ano ; dois terços, nas duas primeiras semanas, segundo uma pesquisa da National Institute on Drug Abuse.

    Foto Divulgação Cristália
    Foto Divulgação Cristália — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    José Roberto de Brito Jardim, professor da Unifesp

    Rogério Almeida é vice-presidente de PD&I

    Gisele Zapata-Sudo é pesquisadora da UFRJ

    Apresentação Laboratório Cristália resultados iniciais de vacina antitabagismo
    Apresentação Laboratório Cristália resultados iniciais de vacina antitabagismo — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    O fundador do Cristália, o médico Ogari Pacheco, contou como a ideia nasceu. “Em algum momento pensei: o corpo humano tem um sistema imunológico perfeito. E se descobríssemos uma maneira de colocar esse sistema para combater a adicção?”

    O caminho foi sintetizar uma molécula que acopla a nicotina, pequena demais para ser notada pelo sistema de defesa, a uma estrutura imunogênica. Vacinado, o organismo produz anticorpos que capturam a substância no sangue: o complexo não atravessa a barreira do cérebro, e o pico de dopamina não acontece.

    O objetivo foi sintetizar uma molécula que acopla à nicotina, pequena demais para ser notada pelo sistema de defesa, a uma estrutura imunogênica. Vacinado, o organismo produz anticorpos que capturam a substância no sangue: o complexo não atravessa a barreira do cérebro e o pico de dopamina não acontece.

    Laboratório Cristália traz inovação com vacina antitabagismo - destaque galeria
    Laboratório Cristália traz inovação com vacina antitabagismo - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Vice-presidente de PD&I, Rogério Almeida, explicou que o estudo teve grupo controle e três aplicações, com uma boa resposta imunológica. Faltam sete etapas pré-clínicas, em duas espécies, antes do pedido à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Vamos acelerar e fazer coisas em paralelo para encurtar isso. A gente acredita que em até dois anos já deva estar conseguindo iniciar os primeiros estudos em humanos e esperamos que tudo seja promissor diante do tabagismo, um problema de saúde pública mundial” , afirmou.

    Responsável pelo modelo experimental em ratos, a professora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Gisele Zapata-Sudo detalhou essa etapa, concluída em cerca de cinco meses. Foram usadas só fêmeas, mais suscetíveis à dependência e a sintomas como ansiedade e depressão. Estabelecido o vício, receberam três doses, sendo uma por mês. “Todos os imunizados tiveram soroconversão, a formação de anticorpos. Isso em 100% deles” , disse.

    “A vacina antitabagismo não substitui o tratamento: ela protege a continuidade dele.”

    Ogari Pacheco, fundador da Cristália
    Ogari Pacheco, fundador da Cristália — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Conduzida pelo Centro de PD&I do Cristália, em Itapira (SP), a pesquisa não teve os números divulgados porque a patente ainda não foi depositada, mas segundo a diretoria do laboratório, a submissão ao INPI (Instituto Nacional de Propriedade Intelectual) será realizada dentro de um mês e meio.

    Fundado há 54 anos, o laboratório 100% brasileiro investe de 6% a 8% da receita em pesquisa. Calcula-se que 40% do portfólio em desenvolvimento seja inovação com ganho terapêutico, fatia que, pela Anvisa, responde por 7% dos novos registros.

    Serviço O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito para parar de fumar pelo Programa Nacional de Controle do Tabagismo (INCA/Ministério da Saúde), com avaliação clínica, grupos e medicamentos. Já essa vacina, se for incorporada, pode ser mais uma possibilidade terapêutica para o combate mais efetivo ao tabagismo.

    Rogério Almeida é vice-presidente de PD&I
    Rogério Almeida é vice-presidente de PD&I — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Gisele Zapata-Sudo é pesquisadora da UFRJ
    Gisele Zapata-Sudo é pesquisadora da UFRJ — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Evento do Laboratório Cristália
    Evento do Laboratório Cristália — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Laboratório Cristália traz inovação com vacina antitabagismo - imagem 6
    Laboratório Cristália traz inovação com vacina antitabagismo - imagem 6 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/conteudo-especial/laboratorio-cristalia-vacina-antitabagismo.

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