Kiev não recebeu alerta de ataque russo dos aliados, diz Zelenski
O presidente da Ucrânia , Volodimir Zelenski , afirmou nesta terça-feira (13) que seu país não recebeu "aviso prévio de nossos aliados" acerca de um ataque com cinco mísseis balísticos russos que atingiu Kiev nesta madrugada. Leia mais (10/13/2026 - 08h49)

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
O presidente da Ucrânia , Volodimir Zelenski , afirmou nesta terça-feira (13) que seu país não recebeu "aviso prévio de nossos aliados" acerca de um ataque com cinco mísseis balísticos russos que atingiu Kiev nesta madrugada.

A afirmação ocorre após diversas reportagens na imprensa americana e europeia relatarem que os Estados Unidos haviam ameaçado cortar o fornecimento desse tipo de informação caso Zelenski não cessasse os ataques a refinarias russas.
O compartilhamento de informações coletadas por satélites, sensores em estações terrestres e em aviões é um ponto central da ajuda ocidental a Kiev no conflito. Mesmo tendo suspendido o apoio militar e financeiro direto, Trump havia mantido esse fluxo.
França e Reino Unido, entre outros, também auxiliam os ucranianos, mas não têm a capacidade dos americanos. Esses dados permitem que a Ucrânia mantenha serviços de aviso por celular e na internet acerca da movimentação de bombardeiros russos e de lançamento de mísseis balísticos, gerando alertas em tempo real.

De forma separada, num evento de segurança em Varsóvia, o chanceler ucraniano, Andrii Sibiha, disse que "essa cooperação continua", em resposta a repórteres acerca da ameaça americana. Seja como for, o ruído entre as autoridades explicita o confuso estado das coisas na guerra iniciada por Vladimir Putin em 2022.
No domingo (11), o presidente Donald Trump havia anunciado um cessar-fogo nos ataques mútuos ao sistema energético dos rivais. Antes, na sexta (9), o americano havia fechado um acordo para a compra de diesel russo após um telefonema com Putin.
O arranjo enfureceu Zelenski, que desde o primeiro semestre tem apostado numa bem-sucedida campanha de ataques com drones e mísseis a refinarias russas, que geraram uma crise de abastecimento no vizinho e obrigaram Putin a suspender a exportação de diesel e gasolina.

O grosso desses derivados ia para Turquia, China e Brasil. Agora, Trump quer o diesel russo para si para tentar baixar o preço do produto nos EUA antes da eleição legislativa de novembro, em que seu Partido Republicano poderá perder o controle das duas Casas do Congresso.
O preço dos combustíveis está alto devido à guerra de Trump contra o Irã , que desorganizou o comércio mundial de energia devido à obstrução do estreito de Hormuz , por onde passava um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo antes do conflito, iniciado no fim de fevereiro.
O acordo, que se for cumprido poderá injetar até US$ 4 bilhões nos cofres russos até o fim do ano, causou surpresa na Europa , em especial porque a guerra está na sua fase mais violenta contra civis desde seu começo.

O americano ainda foi à ofensiva contra Zelenski, dizendo que estava na hora de a Ucrânia escolher um novo líder que aceitasse negociar com Putin. Mas foram os russos que continuaram seus ataques após o anúncio da suposta trégua.
Esta foi a primeira noite em que, segundo o relatório diário do Ministério da Defesa em Moscou, não foram atacados alvos do setor energético ucraniano. Não está claro se isso é incidental ou é uma sinalização a Trump.
Na véspera, segundo Zelenski, seis instalações haviam sido bombardeadas. O ucraniano diz que cumpriu sua parte e não atingiu refinarias nos dois últimos dias, tendo desviado seu foco para um novo e sensível alvo russo, os data centers da gigante Iandex.
Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo
A empresa permeia a vida do consumidor russo: ocupa o espaço equivalente ao do Google , do Uber, de serviços de pagamento, reservas de viagens e outros no cotidiano. Nesta terça, o Kremlin afirmou que está discutindo como lidar com a disrupção dos serviços.
Além de Kiev, houve ataques a outras 17 localidades. Em Kharkiv, segunda maior cidade do país, ao menos quatro pessoas morreram. No mar Negro, dois navios foram atingidos perto da costa da Bulgária , provavelmente transportando grãos ucranianos. Um deles afundou, e há 11 desaparecidos.
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Semanalmente, os principais fatos do globo, explicados de forma leve e interessante
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/10/kiev-nao-recebeu-alerta-de-ataque-russo-dos-aliados-diz-zelenski.shtml.

Bombeiros retiram corpo de escombros de prédio atingido pela Rússia em Kharkiv, na Ucrânia - Serguei Bobok/AFP · Serguei Bobok/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

