Kalil: polícia de MG precisa de gasolina antes de câmera no uniforme
Candidato ao governo de Minas afirmou que falta de estrutura e déficit de investigação favorecem o avanço das facções criminosas

Belo Horizonte – O candidato ao governo de Minas Alexandre Kalil (PDT) afirmou que o estado precisa recompor a estrutura básica das forças de segurança antes de discutir a instalação de câmeras nos uniformes dos policiais. Em entrevista ao Metrópoles, ele citou a falta de combustível, armas, treinamento e profissionais de apoio nas unidades.
Esta é a primeira das entrevistas exclusivas que o Metrópoles faz com os concorrentes ao governo de Minas Gerais.
“Vocês estão discutindo câmera? Nós precisamos primeiro ter gasolina. Até arma, gasolina e treinamento, que foram suspensos em 2025. Depois, vamos ver detalhe”, declarou o ex-prefeito de Belo Horizonte.

A afirmação foi feita durante uma resposta sobre o crescimento das facções criminosas no país e em Minas. Kalil classificou o avanço dessas organizações como “gravíssimo” e disse que o déficit de investigação das forças estaduais abre espaço para a atuação dos grupos.
Alexandre Kalil (PDT) fala ao Metrópoles
Questionado se as facções deveriam ser classificadas como organizações terroristas, o candidato rejeitou a definição. Para ele, o terrorismo está associado a motivações ideológicas, enquanto os grupos criminosos brasileiros agem principalmente em busca de dinheiro.

“Eu acho que há um equívoco em tratar quem faz qualquer coisa por dinheiro como terrorismo. […] Quem está atrás de dinheiro não é terrorista. Mas é bandido”, afirmou o candidato do PDT.
Kalil defendeu o fortalecimento da Polícia Civil, responsável pelas investigações, e a recomposição da estrutura das forças de segurança. Segundo o candidato, há batalhões sem profissionais de limpeza e viaturas sem combustível, cenário que ele classificou como resultado de um “desmonte” promovido pelo governo estadual da dupla Romeu Zema (Novo) e Mateus Simões (PSD).
“Primeiro, nós temos que abastecer os carros da polícia, recompor e moralizar a polícia. A polícia vive de moral, ela não pode ser desmoralizada. Depois que a gente colocar gasolina no carro, nós vamos olhar câmera na polícia. Nosso problema hoje é muito mais grave do que câmera em uniforme”, concluiu Kalil.

Kalil também defendeu o fim da escala de trabalho 6×1, mas alertou que a mudança também terá impacto sobre estados e prefeituras. Ele cobrou uma compensação financeira para que os governos consigam reorganizar as jornadas no serviço público.
“Eu sou absolutamente a favor da escala 5×2 e sou contra a 6×1. […] Mas tem que haver uma compensação para as prefeituras, para os estados”, afirmou o ex-prefeito de Belo Horizonte.
Segundo Kalil, a discussão sobre a redução da jornada está concentrada nos trabalhadores e nas empresas privadas, sem considerar suficientemente os efeitos sobre a administração pública. Para ele, esse aspecto precisa ser incluído antes da aprovação da mudança.

O candidato citou garis, delegados e policiais militares entre as categorias que seriam atingidas pelo fim da escala 6×1. Enquanto os serviços de limpeza urbana são de responsabilidade municipal, as polícias Civil e Militar estão ligadas ao governo estadual.
“Nós temos que debater esse assunto não só para o empresário, mas para o setor público. Para gari, delegado, Polícia Militar, para tudo isso. Então, fica tudo muito raso. Esse debate não está sendo feito”, afirmou Alexandre Kalil.
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Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/minas-gerais/kalil-policia-de-mg-precisa-de-gasolina-antes-de-camera-no-uniforme.

Eleições 2026 — Foto: Metrópoles
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