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    K-pop no Rock in Rio, com Stray Kids e sem esgotar ingressos, apresenta a uma geração a experiência de um festival

    strutura à parte, o Rock in Rio nesta sexta-feira (11) não parecia o mesmo festival que teve quatro dias de shows até a última segunda (7), encerrada por Elton John. A quinta data do festival carioca foi reservada ao k-pop, a música pop sul-coreana que há anos é febre ao redor do mundo. Leia mais (09/12/2026 - 02h33)

    Folha de S.Paulo
    12 de setembro de 2026 às 05:33
    K-pop no Rock in Rio, com Stray Kids e sem esgotar ingressos, apresenta a uma geração a experiência de um festival
    Grupo de jovens fãs em frente a grade de proteção em evento ao ar livre. Cinco mulheres no centro seguram banner colorido com imagens de personagens de filme, algumas fazem sinais de paz e sorriem. Homem ao fundo levanta a mão. Ambiente diu — Foto: Folha de S.Paulo

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    strutura à parte, o Rock in Rio nesta sexta-feira (11) não parecia o mesmo festival que teve quatro dias de shows até a última segunda (7), encerrada por Elton John. A quinta data do festival carioca foi reservada ao k-pop, a música pop sul-coreana que há anos é febre ao redor do mundo.

    Grupo de jovens fãs em frente a grade de proteção para o show do NEXZ no palco mundo, no quinto dia do Rock In Rio, no Parque Olímpico nesta sexta-feira (11). (Foto: Rudy Trindade/Themapress/Folhapress)
    Grupo de jovens fãs em frente a grade de proteção para o show do NEXZ no palco mundo, no quinto dia do Rock In Rio, no Parque Olímpico nesta sexta-feira (11). (Foto: Rudy Trindade/Themapress/Folhapress) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Muitos jovens —especialmente crianças e adolescentes—, grande parte acompanhados dos pais, ocuparam o Parque Olímpico, onde acontece o Rock in Rio, desde o começo da tarde. Nem no dia do trap, que tomou o festival há dois anos, a média de idade era tão baixa.

    As camisetas do Stray Kids, principal atração do dia, vendidas aos montes por camelôs nos arredores já davam o tom da mobilização. Os fãs, muitos usando adereços, portaram —e, nos shows, bateram— leques, além de levantar os bastões iluminados, os lightsticks, que são característicos do k-pop.

    Como no dia do rock —encabeçado por Foo Fighters— e no do heavy metal —pelo Avenged Sevenfold—, os ingressos não esgotaram e ainda era possível comprar entradas quando os shows já estavam rolando. Ainda assim, os três shows de k-pop no palco Mundo, o maior do evento, foram prestigiados por multidões barulhentas a perder de vista.

    RIO DE JANEIRO, RJ, BRASIL, 11-09-2026: Algumas pessoas passaram mal devido ao forte calor antes do show do DJ Alok, no Palco Mundo, durante o primeiro dia do segundo fim de semana do festival Rock in Rio, no Parque Olímpico, na zona sudoes
    RIO DE JANEIRO, RJ, BRASIL, 11-09-2026: Algumas pessoas passaram mal devido ao forte calor antes do show do DJ Alok, no Palco Mundo, durante o primeiro dia do segundo fim de semana do festival Rock in Rio, no Parque Olímpico, na zona sudoes — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ainda que mais cedo estivesse folgado para caminhar entre a plateia espalhada pelo Parque Olímpico, a turma mais perto da grade ficou bastante apertada no show principal —o do Stray Kids. Algumas pessoas passaram mal com o calor, em dia abafado, com pouca chuva e termômetros perto dos 30 graus. O Rock in Rio chegou a emitir um alerta para que a plateia desse passos para trás para que a apresentação continuasse sem problemas.

    Esse adensamento contrastou com os outros palcos do festival. Ainda que bastante popular, com números superlativos nas redes e no streaming, o pop coreano no Brasil é uma cultura de nicho, o que parece servir para os dois lados.

    Isto é, poucos fãs desse tipo de música prestigiaram gente como Os Garotin com Duquesa e Jamiroquai no palco Sunset, ou NandaTsunami no Supernova, e estavam mais preocupados em guardar um bom lugar no espaço principal de shows. O público desses outros palcos era outro —mais adulto e parecido com o de outros dias do festival. Por outro lado, os pais dos jovens fãs de k-pop também não pareciam saber muita coisa dos coreanos no Mundo.

    Integrantes do grupo sul-coreano de K-pop NEXZ se apresentam durante a última semana do festival de música Rock in Rio, no Parque Olímpico do Rio 2016, no Rio de Janeiro, Brasil, em 11 de setembro de 2026. (Foto de MAURO PIMENTEL / AFP) - M
    Integrantes do grupo sul-coreano de K-pop NEXZ se apresentam durante a última semana do festival de música Rock in Rio, no Parque Olímpico do Rio 2016, no Rio de Janeiro, Brasil, em 11 de setembro de 2026. (Foto de MAURO PIMENTEL / AFP) - M — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Foi como um festival dentro de um festival, onde esses universos pouco dialogaram. Entre um show do pop sul-coreano e outro, era possível ver um mar de gente sentada —em cangas no chão ou apoiadas em estruturas metálicas— em vez de circulando pelo Parque Olímpico como num dia convencional de Rock in Rio. Em certa altura, era difícil circular nas imediações do palco Mundo

    O Stray Kids foi com folga a atração preferida do público, sendo que os outros dois nomes do k-pop também atraíram público. O Nexz, que abriu o palco Mundo, reuniu uma multidão que pulou e os aplaudiu, em um show coreográfico e com bastante playback que os fez soar como um N'Sync em começo de carreira.

    O grupo de seis japoneses e um sul-coreano, que atuam dentro da indústria da Coreia do Sul, tem apenas dois desde sua formação. Por isso, repetiu músicas —um pop ultrassintético que mimetizou rimas e batidas do rap— no palco, abusou das danças e foi um mero esquenta do que viria pela frente.

    Show da cantora Hwasa, no palco Mundo do Rock in Rio, no Parque Olímpico, na zona sudoeste do Rio de Janeiro. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress, ILUSTRADA) - Eduardo Anizelli/Folhapress · Eduardo Anizelli/Folhapress
    Show da cantora Hwasa, no palco Mundo do Rock in Rio, no Parque Olímpico, na zona sudoeste do Rio de Janeiro. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress, ILUSTRADA) - Eduardo Anizelli/Folhapress · Eduardo Anizelli/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A cantora Hwasa, integrante do grupo Mamamoo, fez o show de sua carreira solo. Ela dominou o palco e se mostrou mais ousada na estética e nas performances, cantando a valer —com a ajuda de faixas de apoio gravadas, comuns no pop atual— e acompanhada por uma banda —raridade no k-pop—, indo de riffs de guitarra roqueiros a batidas eletrônicas distorcidas no estilo hyperpop de Charli XCX.

    Falando genericamente, o k-pop é tão inventivo quanto o que há de mais estabelecido no pop americano —e às vezes até mais. Isso quer dizer que, apesar de feito na Ásia, o som dos artistas sul-coreanos não exibe explicitamente tradições musicais dessa parte do mundo, mas um mexidão de elementos do pop, rap e rock dos Estados Unidos e Reino Unido —às vezes numa mesma música.

    Essa mudança de ritmo e andamento dentro de uma mesma faixa deu o tom do show do Stray Kids. Reunindo a plateia mais ansiosa e apertada do Rock in Rio até agora, o grupo fez um som mais pesado que seus pares no Rock in Rio, com destaque para batidas e rimas do hip-hop.

    Homem careca e outro de boné vermelho com camisa escrita 'MAQUEIRO' ajudam a retirar mulher de camiseta branca da multidão em evento noturno ao ar livre. Pessoas ao redor observam e seguram grades de contenção. Roda-gigante iluminada aparec
    Homem careca e outro de boné vermelho com camisa escrita 'MAQUEIRO' ajudam a retirar mulher de camiseta branca da multidão em evento noturno ao ar livre. Pessoas ao redor observam e seguram grades de contenção. Roda-gigante iluminada aparec — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Foi um show acelerado e extremamente dinâmico, em que um verso entrou no outro sem pedir licença, dando por sua vez lugar a um refrão ou um arranjo instrumental. Os integrantes do Stray Kids alternaram vozes doces e melódicas com levadas sujas e vozes distorcidas —distante do estereótipo da boyband clássica e da fofura típica do k-pop, ainda que com apelo pop evidente.

    Com as coreografias bem alinhadas e acompanhados por uma banda, os membros do Stray Kids ainda brincaram de tocar samba e conversaram com a plateia. Como em todos os shows de k-pop desta sexta, tiveram um tradutor no palco —prática bastante incomum para um festival no Brasil.

    Esta sexta é mais um marco para a indústria musical da Coreia do Sul no Brasil. Em 2019, o grupo BTS fez a primeira demonstração de grandeza do pop coreano por aqui. Lotou o Nubank Parque dois dias seguidos, quando isso ainda era privilégio de poucos artistas, com apresentações de mais de 2h30 de duração e catarse com os fãs.

    Seis jovens vestidos com calças largas e botas realizam coreografia sincronizada em palco iluminado por luzes coloridas. Fundo escuro com estrutura de palco e equipamentos de som visíveis.
    Seis jovens vestidos com calças largas e botas realizam coreografia sincronizada em palco iluminado por luzes coloridas. Fundo escuro com estrutura de palco e equipamentos de som visíveis. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Com discos nas paradas dos Estados Unidos, eles foram os primeiros a despontar neste lado do planeta, abrindo caminho para outros artistas dessa indústria. No Brasil, o Stray Kids os superou no ano passado com dois shows no estádio do Morumbi, por sua vez maior que a casa do Palmeiras, e outro no Nilton Santos, no Rio.

    É também um marco para o próprio Rock in Rio, que busca maneiras de se renovar após perder a capacidade de atrair a elite da música pop global. Neste ano, dos cinco dias do festival até agora, em três deles os ingressos não esgotaram —pelo menos até que as atrações das respectivas datas estivessem no palco.

    Na edição passada, as apostas foram no trap, num dia só de atrações brasileiras e outro só com mulheres nos palcos principais. Agora, a bola da vez é o k-pop, que mostra força de comoção e de reunir multidões, trazendo como contrapeso a dificuldade inicial de se integrar ao ambiente do festival.

    Seis dançarinos em palco com fundo iluminado em vermelho. Mulher ao centro usa vestido claro com corpete preto, cabelos soltos cobrindo parte do rosto. Homens e mulheres ao redor vestem roupas pretas, alguns com expressão séria, outros sorr
    Seis dançarinos em palco com fundo iluminado em vermelho. Mulher ao centro usa vestido claro com corpete preto, cabelos soltos cobrindo parte do rosto. Homens e mulheres ao redor vestem roupas pretas, alguns com expressão séria, outros sorr — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Se o Rock in Rio ainda patina para se encontrar no pós-pandemia, ele fez algo que pode ser importante para seu futuro nesta sexta. Não dá para saber se a onda coreana vai crescer ou arrefecer nas próximas décadas, mas os jovens que viram o Stray Kids foram devidamente apresentados à experiência de um festival e à força de comoção da música ao vivo. Eles devem voltar —seja para ver a nova sensação do pop sul-coreano ou de outro tipo de música.

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    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor
    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/09/k-pop-no-rock-in-rio-com-stray-kids-e-sem-esgotar-ingressos-apresenta-a-uma-geracao-a-experiencia-de-um-festival.shtml.

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